quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Ana Cora 2024...

Pasárgada, 31 de Dezembro de 2024...

Querido Diário (OMG, que coisa brega),

Sei que deixei de escrever em diários desde que existia o diário virtual do igirl, que feliz ou infelizmente foi desativado e com ele todas as conversas e mensagens que serviam de provas de um passado que eu gostaria que nunca tivesse existido, mas, não vim falar sobre meus diários...

Então, o que estou fazendo aqui? Hoje é 31 de dezembro, ou seja, dia de retrospectiva...

Como foi esse ano para mim? Ah, foi um ano diferente, uma nova fase da minha vida começou e espero que ela seja breve para que novas fases comecem e que sejam tão divertidas quanto essa, porém, mais agitadas... Contudo, também não foi das fases da minha vida que vim falar...

É, diário, vim falar desse ano 2024...

Um ano interessante... Lembra de quando eu escrevia quase sempre e parei? Se na História tem a Idade das Trevas, eu passei pela minha fase de trevas, foram praticamente 08 anos de silêncio e quando paro para pensar nem parece que faz tanto tempo...

Bem, não sei dizer direito o que aconteceu, mas, a Idade das Trevas acabou e espero que seja definitivo...

Não me sinto mais oca por dentro, voltei a ter sentimentos sabe e tenho me sentido viva...

Se nada tivesse acontecido de bom esse ano, diário querido, isso já teria feito o ano valer a pena...

Lembro que cheguei a escrever que me sentia um robô, sem coração, sem sentimentos e que a época que eu escrevia parecia um tempo distante, faltava inspiração, faltavam histórias, faltava vontade...

O que mudou?
Não mudei hábitos e as mudanças que tem acontecido na minha vida nem são fruto de uma vontade consciente, mas, unicamente, a vida que segue...

Sei lá, não surgiram pessoas extremamente impactantes, revi alguns relacionamentos, estreitei alguns, relaxei outros, poucos surgiram, abandonei alguns, nada de espetacular, na verdade, nada que não fosse a vida seguindo seu ritmo natural...

Se de uns tempo para cá, eu tava ensaiando descongelar meu coração e me permitindo olhar outras pessoas com desejo... Esse ano, me permiti ser um pouco mais enfática nesse processo... Não, não voltei a ser aquela garota que chegava e dizia "gosto de você", mas, ela não morreu completamente, as metáforas substituiram o explícito...

Eu realmente não sei o que mudou, quer dizer, sei... Eu amadureci, existem pessoas que me apoiam, existem pessoas que se interessam...

Criei um blog como forma de uma nova retomada... Coloquei muitos textos antigos nele, mas, os textos são finitos, alguns que eu gostaria de ter colocado perdi, outros não fazem mais sentido, escrevi algumas coisas novas, passei um tempo de silêncio por problemas com o blog, mas, senti falta de escrever e essa falta me fez feliz...

Tenho escrito com mais frequencia... Tenho gostado cada vez mais dos meus textos... Tou buscando me distanciar cada vez mais deles, mesmo que o plano de fundo ou a ideia inicial ainda tenha muito de mim...

Se o fato de não ser mais oca, doeu? Doeu e muito. Na época das trevas, meu sofrimento era por ser um robô, mas, eu não sentia meu coração ser esmagado em milhões de pedaços e isso era bem confortável... Passei por isso mais rápido do que imaginei, uma amiga antiga para dar o choque de realidade e me mostrar porque me prometi não cair nessa roubada de novo"não querer ver meus amigos decepcionados comigo" e algumas amigas para através do choque e wtf me mostrar o quanto sou louca...

Sabe, diário, estamos em 2024 e parece que depois de quase 08 anos minha vida tem saído do piloto automático e tou tomando as rédeas dela... Muito obrigado por me permitir ti revisitar e fazer essa retrospectiva...

Que em 2025, eu não me cale, eu me surpreenda cada vez mais... Que seja um ano excelente, com todos os sentimentos: raiva, tristeza, amizade, carinho, amor, ciúme... E que tudo vivido permita muitos e muitos e muitos e muitos textos, seja crônica, poesia, desabafo, pensamento, carta...

Que as palavras não me abandonem de novo e que a idade das trevas não retornem...

Um 2025 de muitos textos pra mim e pra vocês...

Com afeto,

Ana Cora.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Gabriel e Bruno...

Gabriel e Bruno eram um casal. No dia do casamento, o celebrante os tornou "um só corpo e uma só carne", mas, que ser humano contraditório foi criado.

Gabriel gostava de livros.
Bruno gostava dos números.

Gabriel gostava de mpb.
Bruno gostava de brega.

Gabriel gostava de literatura.
Bruno odiava português.

Gabriel vivia offline.
Bruno era 100% online.

Gabriel era desligado.
Bruno era curioso.

Gabriel não rendia as histórias.
Bruno se envolvia, comentava, se preocupava.

Gabriel debatia generalidades.
Bruno dava conselhos.

Um dia, o casal se mudou. Eles que viviam felizes, apesar das diferenças, chegaram na Preconceilândia. As pessoas não entendiam como eles se amam, mesmo sendo opostos.

Uma fada resolveu intervir e acabar com o casal tão improvável, aquele ser formado pelos dois, era confuso demais para aquela população.

Gabriel virou um girino.
Bruno virou uma bola.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Ímpar ou Par...

Gosto de questionários.
Quem é você?
Chá ou leite?
Qual seu número preferido?

Eu sou eu.
Leite.
Número par.

Gosto de contagem regressiva.
Dez,
Oito,
Seis,
Quatro,
Dois.

Ser ímpar é um elogio.
Nove,
Sete,
Cinco,
Três,
Um.

Ser ímpar é ser independente.
Ser único.

Eu até gosto de ser ímpar,
Mas se for pra escolher,
Também quero ser seu par!

domingo, 21 de dezembro de 2014

Balões...

Lá vai a menina e seus balões.
Em cada uma deles, tem uma letra.
A menina ganhou os balões de um senhorzinho fofo.
Os balões eram uma caixa de Pandora ao contrário.
As letras formariam o sentimento que a menina deveria compartilhar com o mundo.
A cada passo, seu coração batia.
Ela estava super curiosa.
Mas, o senhorzinho disse que ela não poderia forçá-los.
Os balões se estourariam no tempo certo.
Ela imaginava uma lista de palavras.
Amizade.
Amor.
Felicidade.
A quantidade de balões não dependia da quantidade de letras.
BUM!
Ela olhou e viu "O".
Como os mistérios que rondam o mundo e são inexplicáveis para a inteligência humana.
A cada passo da garota.
BUM!
Ela olhou e viu "H".
O contato com as cordinhas passariam para os balões a missão da garota.
Se outra pessoa segurasse, a palavra seria diferente, o tempo de espera para descobrir seria diferente.
BUM!
Ela olhou e viu "N".
A garota estava cada vez mais curiosa.
Ela estava indo para a casa, mas, pegou o maior caminho.
BUM!
Ela olhou e viu "I".
A garota pensava e pensava.
Por ela, todos os balões se estourariam ao mesmo tempo.
BUM!
Ela olhou e viu "R".
A garota andava.
Tinham vários balões.
As possibilidades eram grandes.
BUM!
Ela olhou e viu "A".
A garota estava chegando em casa. Estava cansada. Havia rodado por várias ruas para dar tempo dos balões estourarem.
A garota precisava descansar.
Chegou na porta de sua casa.
BUM!
Ela olhou e viu "C".
BUM!
BUM!
BUM!
BUM!
Os outros balões estouraram sem sair qualquer letra.
Estava terminado.
Ela finalmente descobriria.
A garota entrou em casa.
Sentou na mesa.
Pegou as letras que estavam na sua bolsa.
Formou a palavra e descobriu qual sentimento deveria espalhar.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O caracol e a formiga...

A formiga
O caracol.

A formiga serelepe.
O caracol paciente.

O tempo passava
Tic-tac.

Devagar para
a formiga.

Rápido para
o caracol.

A rápida formiga
pisava em ovos.

O lento caracol
corria.

As cartas jogadas na mesa
Espécies não se misturam.

Caracol de um lado.
Formiga do outro.

Raias paralelas.
Não se cruzam.

domingo, 14 de dezembro de 2014

O poste, o banco, a fonte...

Alta madrugada. Pessoas dentro de suas casas. Mendigos dormindo na rua. Até os animais se recolheram. Nesse horário ermo. Sem vida na rua.
O poste olhava o banco. O banco olhava a fonte. O poste tentava conversar. Perguntava sobre quem tinha passado por lá.
O banco olhando a fonte quieta, respondia no automático.
O poste insistia. O banco falava suas histórias. O poste analisava cada história.
O banco sem enxergar o poste só olhava para a fonte. O poste buscava chamar sua atenção timidamente.
O banco contava das reformas da fonte. De cada praça que tinha passado e como fora ignorado por cada fonte.
O poste mandava ele parar de olhar só para frente, deveria parar de buscar só as fontes.
O banco não ouvia, só olhava a fonte quieta. O poste mandou o banco abrir os horizontes, olhar para cima.
O banco parou para ouvir. O poste se complicava ao explicar. A fonte quieta, o banco a olhar e ouvir o poste.
O banco começava a entender. O poste se enrolava mais e mais.
O banco num súbito de perspicácia, parecia que resolve enxergar o que o poste tava a horas tentando falar.
Como na mediação, o poste falava nas entrelinhas e o banco parecia estar lendo as letras miúdas.
O poste envergonhado que estava clareando demais, se apagou e acabou o assunto.
O banco confuso, voltou a olhar a fonte.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Almoço ...

Domingo.
Almoço em família.
Todos na mesa.
Não.
Sim.
Talvez sim.
Talvez não.

Pai e mãe conversavam.
Os gêmeos se metem.

NÃO precisamos explicitar tudo.
SIM precisamos.

TALVEZ NÃO seja tão ruim
a dúvida.
TALVEZ SIM seja ruim.

A dúvida NÃO é boa,
que besteira, crianças.

A dúvida é construtiva SIM.
O mistério instiga.

TALVEZ NÃO seja sensato
ser completamente explícito.

TALVEZ SIM essa seja a resposta
ser explícito é a voz do seu eu.

Não.
Sim.
Talvez não.
Talvez sim.

A conversa
acalorou o domingo.

Sem conclusão.

domingo, 7 de dezembro de 2014

ARSC...

Em um ônibus qualquer:
- Prima, você não sabe o que aconteceu?
- Conta.
- Aquele menino fez uma loucura.
- Qual?
- Acho que ele gosta  mesmo de mim, viu.
- Fala logo.
- Tá vendo ali, bem grande, ARSC. Pronto, foi ele que fez.
- Hã?
- Minhas iniciais, prima. Ele pichou nos lugares mais visíveis da cidade, minhas iniciais em minha homenagem.
- Não acredito.
- Sério, achei tão lindinho. Acho que somos almas gêmeas.
- Ooooown. Que fofo.

Na janela de uma edifício:
- Eu acho um absurdo pichação.
- Também acho, é uma falta de educação.
- Pois é, sujam os muros, sujam a rua. E tem uns que fazem umas gigantes, como aquela.
- O que será que significa aquele ARSC?
- Sei lá, deve ser a inicial do idiota ou algum sigla de gangue.
- Verdade, são todos marginais.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Capitu...

Capitu era amiga de Bentinho. Ela gostava dele desde que o viu a primeira vez. Quando seus olhos cruzaram e eles trocaram as primeiras palavras, Capitu se encantou. Bentinho era inteligente, educado, um fofo.
Mas, Capitu sabia que Bentinho era celibatário.
Então, Capitu gostava calada.
Cada vez que Bentinho ia para a casa dela brincar ou ela ia na casa dele conversar. O coração de Capitu saltitava de alegria.
Quando Capitu via Bentinho passando na rua, ela pulava e corria para a janela.
O ruim de gostar em silêncio, era que tudo era talvez.
Quando Bentinho era legal, Capitu achava que ele gostava. Quando Bentinho passava alguns dias sem aparecer, Capitu achava que ele não gostava. Quando Bentinho comprava doce para eles brincarem, Capitu tinha quase certeza que ele gostava. Quando Bentinho ficava jogando com seu Tio Cosme e a deixava conversando com D. Glória, Capitu tinha certeza que não era correspondida.
Outro problema era que Capitu precisava calar seus ciúmes.
Capitu era tão ciumenta quanto Bentinho, mas, ela fingia melhor.
Capitu detestava ir a missa e observar as meninas olhando para Bentinho. Ele era simpático e falava com todas. Capitu não podia cobrar ciúmes ou pareceria uma doida psicótica.
Capitu não gostava de ouvir Tia Justina dizendo o quanto Bentinho era bonito e que se não fosse padre, daria trabalho a D. Glória. Capitu não era nada dele e não podia reclamar.
Cada dia mais, Capitu percebia o martírio que tinha criado para si ao gostar em silêncio daquele garoto educado, que a via como amiga e era celibatário.
Até que um dia, Bentinho chegou em casa contando sobre José Dias que desconfiava da amizade deles.
O coração de Capitu quase chegou na boca e ela pensou que Bentinho finalmente tomaria uma atitude e se declararia.
Bentinho não falou nada. Capitu pensou em um plano de evitar o seminário.
Bentinho finalmente se livrou do seminário. Capitu pensou que finalmente teria sua chance e foi na casa dele dar os parabéns.
Ao chegar na sala, viu uma mulher diferente conversando com a família. Era a irmã de Escobar e noiva de Bentinho.
Capitu quase morreu de tristeza, mas, aceitou o casamento que seu pai lhe arranjou.

domingo, 30 de novembro de 2014

Maria Mosca...

Maria acordou, se arrumou, foi para aula. Aquele era um dia como outro qualquer, com a diferença que Maria teria um compromisso a noite.
Maria fingia indiferença, afastava de sua mente cada pensamento do tal compromisso que pudessem deixá-la ansiosa ou criar expectativas.
Mas, o coração de Maria sentia que algo estava diferente e como se quisesse avisá-la, ele dói leve, batia fraquinho.
Chegou a tarde e começou a anoitecer. Maria teve um imprevisto e seu dia que tinha passado no ritmo lento de seu coração, ficou frenético.
Parecia que Maria estava correndo uma maratona. O rapaz a esperava no local combinado. Maria corria. Os outros amigos chegaram e se juntaram ao rapaz.
A peça de teatro começaria. O grupo de amigos foi para a fila. Maria corria.
De repente, Maria se sentiu mais leve. Toda a correria havia diminuído e Maria flutuava. Ela não entendia. O espetáculo começou. O grupo de amigos entrou e o rapaz mandou um sms perguntando onde Maria estava.
Não sabia ele que Maria estava ao seu lado. Ela era uma mosca quietinha que estava no braço de sua cadeira e com o escuro do local, ele não viu.
Maria havia se transformado em Mosca, bem que seu coração estava doendo, ele estava diminuindo para a transformação.
Curiosa como era, Maria sempre quis virar mosca para ouvir as conversas dos seus amigos quando estivesse longe. Mas não naquele dia específico. Os celulares dos amigos e do rapaz reiniciaram e quando religaram todos os sms de Maria e o número dela tinham sumido. Eles não notaram.
Os amigos comentavam de uma outra peça de teatro que haviam visto e tentavam lembrar a história.
Um deles lembrou vagamente o enredo. Maria no braço da cadeira, lembrava exatamente toda a história.
O rapaz elencou todas as pessoas que foram. Não citou Maria. Maria se sentia como se nunca tivesse existido. Todas as histórias que ela esteve presente foram relembradas sem que falassem dela.
A peça recomeçou. A peça terminou. As luzes se acenderam. O grupo se levantou. O rapaz não viu a Mosca no braço de sua cadeira. Todos foram embora. Maria Mosca saiu, voou até sua casa e se deitou em sua cama.

domingo, 23 de novembro de 2014

A casa e o muro...

A casa foi cercada. Um tempo depois, fizeram um muro e então a casa estava segura. Os moradores iniciais morreram e seus filhos foram embora.
Naquele lugar ermo, a casa foi abandonada. O muro a escondia dos poucos transeuntes e a grama crescia cada vez mais.
Com o tempo, as plantas começaram a invadir a casa, subiram no muro.
A falta de manutenção e alguns animais criaram buracos no muro.
O mar se aproximava cada vez mais e batia violentamente no muro, queria derrubá-lo e invadir a casa.
O mar não entendia que era mais fácil entrar pelos pequenos buracos que vencer o muro rachado.
O muro vencia, a casa continuava escondida.
Dia após dia, ano após ano, a casa resistia e o muro a defendia.
Verdade, que com o tempo, a construção foi enfraquecendo. Os buracos e rachaduras do muro aumentavam mais e mais.
A plantação invadia cada vez mais os cômodos, do lado externo já chegara no telhado.
As pessoas passavam por lá e não viam o que estava acontecendo. Por conta do muro, nunca tinham visto como a casa fora bonita.
Quando a cerca existia, ela defendia, mas, mostrava.
O muro protegia e escondia.
Para as pessoas, aquele era um mundo inexistente.
Os filhos morreram e os filhos dos filhos não tinham intenção em resgatar aquele passado.
Alguns acreditavam que ela fosse mal assombrada. Algumas crianças diziam que morava uma bruxa.
O mar continuava insistindo. Suas águas invadiram muitas vezes pelos buracos, criavam rachaduras. Os animais entravam, o muro estava cada vez mais fragilizado. A casa a cada dia mais vulnerável.
Era preciso que alguém retornasse e restaurasse tudo.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Ceci...

Ceci, eu já lhe disse que não faça isso. Pare de olhar para o moço de barba. Pare de olhar para a boca, olho dele. Você não é esse tipo de mulher.
Pare, Ceci, me obedeça agora. Ceci, você está parecendo a rapariga que lhe chamaram outrora. Ceci, eu estou vendo, você está toda se querendo. Comporte-se, dona Ceci.
Olhe pra você e diga que é impossível uma aproximação carnal, sentimental ou o escambau. Não, Ceci, finja que seu coração não existe.
Eu sou muito mais racional que aquele idiota do coração, então, trate de mantê-lo muito bem preso e sem qualquer influência nos seus atos.
Não, Ceci, eu já disse, fique quieta. Seja sarcástica, sarcasmo é uma ótima forma de fingir indeferença.
Vamos Ceci, lembre-se que daí só sai amizade ou nem isso, o moço de barba não está olhando para você.
Ceci, não fale, não olhe, não permita uma aproximação além do limite de segurança.
Ok, Ceci, vou deixar você falar. E não estou amolecendo, é só pra ti deixar um pouco mais feliz, tou precisando daqueles hormônios da felicidade e assim, nem a insegurança do mundo vai ti entristecer.
Ceci, um minutinho que eu ti deixo livre, você já apronta. Não acredito que você falou isso, que deu tamanha bandeira. Ceci, você é uma idiota. Agora, reverta essa confusão. O que o moço vai pensar? Ele vai ser mais um no coro de que não quer seu tipo de mulher. Certo, Ceci, você pode me rebater mil vezes e dizer que é feminista, mas, eu ti lembro das amarras sociais e cutuco naquelas suas lembranças. Se você continuar rebelde assim, Ceci, ele vai fazer parte daquele coro de "eu só quero ti comer".
Hmmmmm, muito bem, Ceci, vejo que você me deixou no controle de novo. Boa menina, Ceci. Coração é um idiota mesmo, não vale a pena escutar ele.
Ouviu, essa pergunta, Ceci? Olho pro moço e diga "não". Sem pensar, Ceci, "não". Eu sei que é "sim", Ceci, mas, eu sou muito mais racional que você.
Nem adianta tentar retomar sua autonomia agora, já me obedeceu, já disse "não", vou ser bonzinho e ti ajudar a se achar na história.
Não fique desconcertada, Ceci. Qual o problema? Você não fez nada de errado, legítima defesa não é nem crime, criatura.
Não adianta querer voltar atrás, Ceci. Conforme-se. Seu lugar, Ceci, é por trás desse muro e enquanto você insistir em tentar se rebelar ou em soltar seu coração, Ceci, eu vou ter que ser autoritário assim.
Não fique chateada, Ceci, tudo que faço é pro seu bem. Você queria ter dito "sim" e ouvido risadas? Olhe pra você, como o moço de barba poderia querer concretizar sua expectativa?
Lembra de tudo o que foi falado por todos os outros? Pois é, Ceci, eu sei que machuca, mas, é bom que você deixa de frescura e relembra que esse tipo de coisa não é pra você.
Ceci, entenda, pra você só resta a amizade ou aquele seu lado negro, devasso, será revelado e a gente já combinou que isso não ocorreria, né?
Então, Ceci, deixe de birra. Amigos de novo?
Muito bem e pra você não dizer que sou chato, vou ti deixar lembrar detalhadamente cada fato.
Tá bom, Ceci, estou cansado. Vamos dormir? Boa noite. Sim, um aviso, eu vou descansar, viu, nada de pensar que ti deixarei sonhar. Será um sono sem imagens, porque hoje foi puxado, você é muito teimosa e impulsiva, Ceci, quase colocou tudo a perder e esse seu cérebro amigo precisa relaxar.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Vida-guia...

Eu que tenho a estranha mania
De deixar a vida me levar
Ao lema de Zeca Pagodinho
Vou quase sem questionar

Quando a indecisão bate
Espero o destino resolver
Coloco algumas condições
Fingindo que eu mando em algo

Assim fiz duas faculdades
Letras
Direito
Nazaré
Recife

Não desisti
Já que a vida tinha escolhido
Na formatura
Outra dúvida
Para onde seguir?

Se a OAB foi questão de honra
Ser a advogada não era um sonho
Não me via professora
Não me via advogando
Não me via julgando

Nesse pouco tempo de formada
Dei um aula
Causas apareceram
Acho que a vida tá escolhendo de novo

Então, vamo lutar pelo direito do povo
Essas pessoinhas que acreditam em algo e em mim
Vou andando com a decisão da vida
Lá na esquina pelo alguma curva
Pra tentar a magistratura

Por hora
Advogada
Mas só me vejo mesmo como Estudante
Até conseguir ser Doutora

domingo, 10 de agosto de 2014

Cardápio...

Hamburguer
Batata frita
Refrigerante

Idade
Nome
Fotos

Doce
Salgado

Gordo
Magro

Chocolate
Morango
Crocante

Loiro
Moreno
Ruivo

Esfirra
Pizza
Bolo

Conhecidos
Afinidades
Localidade

SAC

Combinação

Milkshake
Suco

Curto
Não curto

Cardápio?
Comida

Aplicativo?
Tinder...


sábado, 9 de agosto de 2014

Conto de fadas...

A vida não é um conto de fadas

Branca de Neve não é sua professora
Rainha Má não é a madrasta
A Vovó não é dona da lanchonete

Bela não é bibliotecária
Chapeuzinho não é garçonete
O caçador não é delegado
A fada não é freira

Contos de fadas não são realidade
Não tem essa de rainha
Príncipe
Princesa
Súditos

Na minha vida
Eu sou a minha própria rainha
E você...
De Príncipe foi o Bobo da Corte

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Desintoxicação...

Me desintoxiquei de você

No primeiro instante
Dormi
Não consegui me afastar
Agi como se nada tivesse acontecido

No segundo momento
Falei
Apaguei
Um misto de vergonha e arrependimento

Na terceira ocasião
Fui me despedindo
Falei menos
Demorei mais
Poucas expectativas

No quarto tempo
Arrumei uma desculpa
Inventei motivos
Me contentei com você em plano de fundo

Na quinta hora
Falei de você sem parar
Falei outras coisas pra esquecer
Virou ideia fixa

Na sexta cirscuntância
Procurei outras pessoas
Ouvi músicas
Evitei falar de, sobre e com você


Na verdade
Ainda tou no processo
Você veio rápido
Mas tá indo devagar

A desintoxicação continua

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Últimos dias...

Juro que não percebi
Juro que foi super de repente
Juro que me pegou de surpresa
Mas sem que ninguém notasse
Você tomou conta dos meus dias
Horas
Minutos
Segundos

Quem me fazia dormir feliz
Com seu "boa noite"
Quem deixava meu dia mais alegre
Com seu "bom dia"

Minha rotina foi desregulada
Não sei como aconteceu
Mas você se encaixava em tudo

Sair de casa
Voltar para conversar
Contar todos os passos
Rir sem motivo

Para mim uma simples amizade
Agora que acabou
Rápido como aconteceu
Notei que estive parada por um tempo

Entre SOl e Lua
Eu era o satélite
Minha vida girava em torno de conversas

Sem dormir direito
Sem estudar
Sem escrever

Foi bom enquanto durou
Mas agora que partiu
Minha vida volta pros eixos

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Rotina...

Acordar.
Banho.
Comer.
Vestir-se.
Sair.

Andar.
ônibus.
Descer.
Curso.
Estudar.
Conversar.
Sair.

Andar.
ônibus.
Descer.
Casa.
Comer.
Computador.

Computador.
Celular.
Televisão.
Dormir.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Carolina...

Carolina era uma garota normal, solteiríssima e que pretendia ficar assim por muito tempo... Tinha sua rotina estabelecida até que percebeu uma simpatia meio sem lógica e comentou com uma amiga, que sentenciou: tu tá apaixonada! Não era possível, então ela levou tudo na brincadeira, o sorriso era lindo e sempre a iluminava nos dias mais nebulosos, sem perceber, cada dia ela esperava o momento de encontrá-lo e vê-lo...
Os dias foram passando e Carolina se encantou gradualmente, sem nem perceber o que estava acontecendo, ela só percebeu quando o rapaz desapareceu e aí ela preocupadérrima resolveu colocar seu instinto sherlock para fora e achá-lo em qualquer lugar, todavia, ela não teve sucesso no seu intento e se sentia bastante chateada...
Carolina estava conformada que nunca mais o veria, até que seguindo sua rotina resolve olhar para o lugar em que sempre o encontrava e qual não foi sua surpresa ao vê-lo novamente... Ela ficou completamente iluminada e sua aura mudou instantaneamente, sendo perceptível a felicidade contagiante...
Após esse reencontro completamente inesperado, e após algumas ponderações, Carolina concluiu que realmente estava encantada, apesar de não ter nenhum tipo de relacionamento com o rapaz, eles não passavam de dois conhecidos que ela brincava de ser simpática, e após tanto tempo, seu coração descongelou e voltou a bater...
Claro que ela relutou, mas, não tinha mais jeito, era completamente visível o sentimento e para evitar um desapontamento, ela se contentava com os sonhos em que de todas as formas possíveis eles viviam esse sentimento...   

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Medo de ser feliz...

Realmente, tem gente que não sabe e tem medo de ser feliz, por esse motivo fica fugindo do amor e não se permite gostar de alguém... O que acontece? A vida passa, as pessoas envelhecem e quando olham para trás não possuem nada para contar para os netos, não viveram nenhum grande amor e nem viveram intensamente a vida, apenas sobreviveram...
Considerando que o coração não consegue viver sem amor, o que há com essas pessoas? Elas se contentam com amores platônicos, se contentam com olhares, sorrisos, e nunca buscam algo mais palpável pelo medo, pela fobia de se entregar...
E o que acontece? Essas pessoas vão guardando para si o carinho que seria direcionado a alguém, elas criam um mundo e guardam todo o sentimento que têm medo de entregar a outro para elas mesmas, indo de encontro ao ciclo da vida e brigam com o amor que poderia vir a brotar...
Então, mesmo contra sua vontade, um dia elas se apaixonarão e caso continuem fingindo buscar apenas o amor platônico, terão que conviver com um amor recolhido, aprendendo a viver com a sombra do se: "e se eu tivesse tentado?" e se fosse recíproco?"
E definitivamente, quando for tarde demais para agir, sentirão falta do que poderia ter sido e não foi por inércia... Como conviver com a falta do que nunca aconteceu?    

domingo, 3 de agosto de 2014

Lembranças...

Não, eu não assisti hoje Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, mas, passei o dia me perguntando se existisse aquele método de apagar, eu usaria? Você usaria? Pessoas apegadas diriam que não gostariam de se desfazer das coisas que lembram os momentos passados juntos, mas... E se não há nada e mesmo assim você lembra? Quando um chocolate e um lugar ti fazem relembrar certos momentos, tá na hora de repensar? Mas, e se não houve NADA e mesmo assim o que passou continua a se repetir continuamente na sua mente, de olhos abertos enxerga vultos e de olhos fechados revê tudo... O que fazer? Quando há coisas que ti ajudam a recordar, a opção foi sua de permanecer com elas e assumir o risco, mas, quando não há um alfinete? Será que é necessário se desfazer das roupas? Ou seria muito mais simples, usar um método de apagar a sua mente... Mas, sinceramente, as marcas não estão no que podem ti fazer lembrar, seja uma música ou um site, mas, estão no seu coração e apesar de tudo, estão mais vivas do que nunca e, mesmo contra sua vontade, as feridas custam a cicatrizar... O que fazer quando depois de tanto tempo, você volta a sofrer por um caso perdido e a querer a todo custo ver ou ouvir aquela pessoa, só pra se acalmar, só pra relaxar, mas, você sabe que é impossível, muito tempo se passou e a pessoa se perdeu no tempo, infelizmente, não se afogou no mar do esquecimento... Então, você precisa desabafar, mas, seus amigos diriam que isso é loucura... Tá, você concorda com isso, realmente, é loucura ainda estar apaixonada por uma pessoa que ti fez sofrer tanto e não sentir um pingo de raiva, apesar de todo o tempo que passou, apesar de tudo que foi dito, não dá... O único sentimento existente é a culpa e a saudade... E você se pergunta, PORQUE? O que fariam no meu lugar??????????

sábado, 2 de agosto de 2014

Casca grossa...

Não porque uma pessoa é grossa que ela não tem coração... Muito pelo contrário, a grosseria, quase sempre, é mais defesa que opção... A vida machucou tanto que você quer machucar a vida... E quem ti vê assim, tão chatinha, tão abusada, não entende... Tá você se esforça, procura a melhor forma de dizer algo que sabe que pode sair grosseiro... E o tiro sai pela culatra... E isso machuca... Dá uma vontade tremenda de sair correndo pro primeiro colo amigo que aparecer... Mas, nem sempre dá... Nem sempre aquele que aparece, é o que você queria... Seu desejo é por aquele antigo, já tão conhecido, tão acostumado com suas crises grosseiras e tão desacostumado com sua vontade por colo... Naquele planeta azul não era necessário... As pessoas não tentavam ti moldar, fingindo que eram amiguinhas e você não fingia que não ligava... Você não passava mal de tanto estresse e não era necessário relembrar fatos... Fatos aqueles que ti fazem mais mal do que o próprio fato que ti deixou estressada... Vai entender... Nem sempre a vida é um conto de fadas... Era tão bom quando seu único objetivo era colecionar bests... Pois é, naquela época você estava rodeada de amigos, mas... Agora, onde estão eles? Seguindo com sua vida em frente, da mesma forma que você luta para seguir... Mas, a vida sempre parece ser mais dura contigo... É uma rixa antiga, de você com a vida... As duas nunca se bicaram muito bem mesmo... Além do mais, essas pessoas tão não me toque, esquecem que atos magoam mais que palavras e que ninguém conhece o interior de ninguém pra tentar medir sentimentos ou sofrimentos... Se nem pensamento conseguimos ler, quanto mais o coração?... Pior, é ter que fingir que a sua casca grossa é completamente inatingível...

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Bests...

Sinceramente, as vezes eu me pergunto porque prefiro tanto fazer bests que amigos... Aí eu lembro, que não é gostar, é necessidade... Qual a diferença? Como tudo, o best depende do contexto (lê-se: pessoa)... Um best pode ser aquele coleguinha de classe que você não chama de coleguinha porque acha muito chato, best pode ser aquela pessoa que você detesta mas que mesmo assim fala pra não ser antipático, best pode ser aquela pessoa que você até simpatiza mas não é nada extraordinário, best pode ser aquela pessoa que você fala de vez em nunca ou de vez em quando, best pode ser aquela pessoa que você é obrigado a conviver, best pode ser aquela pessoa que você é indiferente, best pode ser aquela pessoa que você até gostava mas que fez alguma leseira ti decepcionou e você não confia mais, best pode ser aquela pessoa que você sentir transpirar falsidade, best pode ser aquela pessoa que você deixa em período de experiência para tornar seu amigo... Puts, os amigos, eu não preciso dizer: são os irmãos que podemos escolher e graças ao bom Deus, sou rodeada deles...

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Camadas...

Eu creio que todo mundo é feito de camadas, como uma cebola, e de acordo com cada pessoa revelamos ou ocultamos uma camada nossa, é por isso que eu acredito que não devemos procurar modificar uma pessoa ou nos modificar por uma pessoa, não é necessário, definitivamente, se revelamos aquela camada que mais se parece com a pessoa, se mostramos uma parte sincera do nosso ser e essa pessoa não deu valor, não nos aceitou, paciência, somos incompatíveis e a vida segue, do mesmo jeito se não nos adaptamos, não nos acostumamos, não conseguimos aceitar uma camada da pessoa que nos foi mostrada, é muito feio procurar modificar o outro, podemos demonstrar o que nos irrita e a pessoa vai ocultando esse lado do mesmo jeito que vamos ocultando o que irrita essa pessoa, e vamos aprendendo a ceder, mas, se não há uma bilateralidade, só nos resta a besteza ou paciência, nem isso e não é por essa razão que somos inferiores...
Todo mundo foi feito para o amor, para amar e para ser amado, mesmo aquele mais amargo que afirma que desistiu, pode ter certeza que dentro do seu ser existe uma pontinha de esperança que em alguma esquina da vida, o amor vai aparecer... Não necessariamente estamos falando do amor eros, até porque há vários tipos de amor, há o eros (atração física, desejo sexual), pragma (um amor pragmático, prioriza a praticidade e questiona bastante antes de se doar, amor interessado em fazer bem a si mesmo, espera algo em troca), philia (o amor incondicional, dedica-se ao outro integralmente, muitas vezes esquecendo-se de si), psique (espiritual, basea-se na mente e nos sentimentos eternos), ludus (amor brincalhão), mania (amor romântico, instável, emocional), agape (amor altruísta), storge (amor-amizade, ocorre gradualmente e os amantes são grandes amigos). Sendo assim, podemos muito bem afirmar que muitas vezes, nós amamos aquela pessoa (não importa se de forma carnal, como amigo ou de qualquer outra forma), mas, não sabemos expressar esse amor e podemos até magoar, mesmo sem intenção, mesmo sem perceber... Podemos até não amar, mas, simpatizar e magoar a pessoa culposamente e aí resta ao outro que foi machucado, foi magoado, praticar o exercício do perdão...
Não se engane com meu lado coração de pedra, com certeza, é apenas a camada que eu quero que você conheça, não existe o completo coração de pedra e sinceramente, são os atos mais singelos, aqueles mais simples que todo mundo considera sem importância, como um sorriso sincero, que vai me encantar, que vai me fazer encabular... Não se engane, nem o mais burguesinho se preocupa mais com o valor (quanto custou) que com o valor (intencional, emocional das coisas)... Vale muito mais um bilhete sincero que uma ferrari 0km...
Definitivamente, afinal, o que querem as mulheres? As mulheres querem tudo e ao mesmo tempo querem nada, querem o mundo e momentos de paz, as mulheres gostam das rosas pela delicadeza da pétala e a brutalidade do espinho, assim, como na vida, nos encontramos com muitas pétalas e muitos espinhos e também dentro de nós temos os dois lados, não existe apenas a camada frágil e delicada, mas, também a camada grossa e rude. Além disso, não importa se vermelha, rosa ou azul, a rosa não deixará de ser rosa, do mesmo modo que não importa se loira, morena ou ruiva, a mulher será mulher no Brasil ou no Japão, com culturas diferentes, mas, com os mesmos questionamentos, medos, angústias e desejos, é isso que nos encanta, a dualidade e a pluralidade da rosa...
Voltando a questão das camadas, não simpatizar com a camada apresentada não significa que a culpa é exclusiva da pessoa que revelou a camada incompatível, não, do mesmo modo que quando um não quer dois não brigam, quando não há uma predisposição a simpatia, não há tentativa de besteza que dê jeito, você soltará a seguinte frase "quando eu gosto eu gosto, mas, quando eu não gosto não tem quem mude", então não me venha com a história de que o santo não bateu e a culpa é minha, não, vamos dividí-la fifity to fifty, por que, com quase 100% de certeza a incompatibilidade deve ser recíproca, já que geralmente, quando gostamos ou nos predispomos a tal, a afinidade acontece... Além disso, tempestade em copo d'água é chato e extremamente irritante para qualquer pessoa, então por favor, vamos parar de transformar um arranhão sem sangue que mal danificou a epiderme em câncer no último estágio, porque ninguém suporta isso, manha é bom, mas, em excesso se chama imaturidade... O ser humano tende, principalmente, as mulheres a se culpar pelo sofrimento alheio, mesmo assim não render, não aturar, não se sensibilizar por uma mágoa superficial não significa que você é insensível, até porque, geralmente, o remédio é apenas um pedido de desculpas ou nada, pequenos arranhões ajudam na evolução e nem criam cicatrizes, também temos nossos problemas e nem por isso saimos pedindo pro mundo soprar, muitas vezes essa camada de sensibilidade transbordando por todos os poros, não passa de personagem, de uma forma de interpretar um outro eu, de ser paparicado, de chamar atenção para um lado que não existe e esconder o seu lado mais brutal, portanto, não se enganem, nem todo arranhão necessita de cuidado... 

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Eu não queria...

Eu queria não ser uma pessoa não medrosa, não me esconder por trás de uma vida acadêmica que ocupa todo o tempo.
Eu queria não ser tão preconceituosa,não precisar esconder meu lado obscuro para não parecer fraca.
Eu queria não ser tão neurótica, não conseguir me doar aos outros por medo de sofrer.
Eu queria não ser tão nostálgica, não me prender a coisas passadas e poder viver meu presente esperando meu futuro.
Eu queria não ser tão falsa, não fingir uma felicidade que muitas vezes não existe.
Eu queria não ser tão cruel, não continuar na redoma que me prendi.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Flerte?

É chato confessar, mas por você eu inventei algumas fases pra não pronunciar a minha paixonite... Faz tempo que meu coração não bate mais forte e com pequenas coisas você me conquistou...Primeiro foi um olhar, depois um sorriso, saudações, depois nomes por não ter decorado o meu: "menina, doutora", depois passei a ter nome próprio e sonoro sem erros ou variações, depois passou a me encarar sempre que me via até eu sem graça desviar o olhar, depois desapareceu pra me fazer perceber que realmente me fazia falta... Ah, que desespero, precisava ti encontrar de qualquer jeito... Quando retornou... que decepção, tinha alguém a tiracolo... Agora era a minha vez de olhar e olhar... Então resolvi de uma vez por todas esquecer e surgiram as fases: paixão, encantamento, admiração... E diferente do padrão, comigo as fases foram regredindo da paixão descoberta foi para o encantamento e depois uma simples admiração... Mas, ah que sorriso, ficaria admirando all day esse teu sorriso... E então, como a vida gosta mesmo de brincar, você resolve chamar minha atenção na rua só para sorrir e dar um tchauzinho... O vento subindo a saia tirou a enfase da minha vergonha e depois eu ouço elogios, descobro coisas a seu respeito... A face ruborizada entregou tudo, voltaste a ilustrar meus sonhos e no melhor deles, ficar com raiva por ser interrompida... Ah, é bom me sentir viva de novo... Deve haver mais de platonismo nisso do que julga minha vã filosofia, mas, o que importa? O coração de pedra tá começando a descongelar, claro que o medo de sofrer aumenta, mas, meus amigos estão a postos pra me consolar, estão a postos pra me dar apoio, como sempre estiveram e de onde sempre me prometem nunca sair... E dessa vez, eu me satisfaço apenas com teu sorriso mais belo destinado para mim, não precisas ser o homem da minha vida, não precisas nem chegar perto disso, só o flerte me satisfaz e um possível futuríssimo algo a mais com gosto de quero mais... Mesmo que alimente meu medo por ter jeito de quem sabe inspirar os desejos mais carnais, como já provaste no dia que esbarramos e eu ia caindo com o impacto e me seguraste com tua mão, mostrando um jeito delicado e forte... Apesar disso, eu sei que tua simpatia e o sorriso mais belo do planeta são as armas mais poderosas, mas, nem se preocupe não estou apaixonada, é só a forma poética de falar...

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Decepção e fracasso...

Decepção? Segundo o dicio.com.br significa: "Engano; logro; desilusão; desapontamento.", enquanto fracasso significa: "Ação de fracassar; malogro, insucesso." Duas palavras que nos remetem a sentimentos negativos e que a vida contemporânea não nos prepara para enfrentá-los. Chegou a hora! Infância, seus pais fazem tudo para ti resguardar dessas palavras. Adolescência, eles ainda são capazes de ti proteger delas. Fase adulta, palavras que podem ti rondar pelo resto da vida. Parabéns, cheguei a fase adulta! Aprendi em uma só facada o que é auto-decepção e o sentimento de fracasso... O sentimento de tempo perdido, numa sociedade que ti ensinou a não perder tempo e procurar abraçar o mundo de uma vez só... Aquele medo que já tinha comentado com alguns de nada disso valer a pena se torna uma realidade palpável... Eu que sempre procurei ser o orgulho, me vejo nessa situação, estou com vergonha, uma vergonha imensurável, a vergonha é tão grande que andar chorando em pleno centro da cidade não significa nada... Não adianta os comentários de "não fica assim, não é por esse lado que deve ser visto", porque nesse exato momento é o único ângulo que consigo enxergar... Pior, um pânico louco me invade disso vir a acontecer novamente com dimensão bem mais catastrófica... Chega! Agora, eu vou procurar uma forma de me reinventar e aprender a conviver com essas duas palavrinhas!

domingo, 27 de julho de 2014

O que me prende?

Prender, verbo transitivo. Prender-se a algo ou a alguém. O que ti prende? O que me prende? Eu estou presa aos meus erros, aos acertos, ao medo, as histórias, ao passado, ao presente, estou presa a família, aos amigos, aos amores, a sensação de liberdade, ao desejo de querer respeito, aos sonhos, a Deus, a vontade de viver... Eu estou presa aos pensamentos, ao que aprendi, ao que vou aprender, ao que nunca aprenderei, aos preconceitos, as modernidades, as idéias, aos ideais, ao paladar, tato, olfato, audição, visão... Estou presa ao que leio, a vontade, ao dinheiro, ao tempo, aos sentimentos, aos objetivos, a casa, a Recife, a Pernambuco, ao Brasil, a lingua portuguesa, ao Planeta Terra, aos caminhos para crescer na vida, ao fato que um dia serei adulta, a Nassau, a Naza, a IPE, a Escola do Recife, ao Pingo de Gente, ao Trenzinho, ao Nosso Paraíso... Estou presa as cartas, as fotos, aos vídeos, aos cursos, a ter pra onde voltar, ter a quem recorrer, ter um porto-seguro, a sensação de segurança, ao ontem, ao hoje e ao amanhã... Estou presa em ambos os sentidos da palavra, estou presa e aprisionada, estou presa pertencendo, mas, principalmente, estou presa e tenho pressa...

sábado, 26 de julho de 2014

Mafalda...

E foi ouvindo Zeca Pagodinho que Mafalda decidiu que deixaria a vida levar-lhe, mas, porém, contudo, todavia, a dúvida era parte intrínseca do seu ser e sempre que a rotinha lhe permitia refletir, ela se perguntava se aquele era realmente o caminho que deveria seguir, se havia entendido corretamente para onde a vida queria levar-lhe... então, ficava confusa sem saber se deveria desistir de tudo, passar uma borracha no passado e recomeçar ou se deveria continuar do jeito que tava, pois, se tava dando certo era o caminho correto... a maior dúvida de Mafalda era entender verdadeiramente se fazia parte do viver e não do sobreviver deixa a vida levar-lhe e se pudesse tomar as suas próprias rédeas o que faria...

sexta-feira, 25 de julho de 2014

FLBC...

"João Grilo, sabia que vai ter uma FLBC?"
"Que história é essa, Chicó?"
Depois de criar o mundo em sete dias e passar 2014 anos assistindo a tudo de camarote, ouvindo os pedidos de todo mundo, salvando vidas e todas as coisas pertinentes à Ele, resolveu chamar um anjo.
- Gabriel, a coisa aqui no céu tá muito parada. Michael Jackson não para de dançar. Hebe Carmago continua dando selinhos em geral. Paulo Goulart e José Wilker prepararam uma peça de teatro. Dominguinhos e Luiz Gonzaga fizeram um verdadeiro arraial, enquanto Reginaldo Rossi produziu uma festança. Até a Copa já acabou e estou meio cansado. Tou querendo algo mais tranquilo, o que você sugere?
- Senhor, acho que está faltando literatura na sua vida.
- Como é?
- Senhor, esse ano já trouxemos cantores, atores, futebolistas, empresários, advogados, mas, temos poucos escritores. Poderíamos organizar uma FLBC?
- FLBC?
- Festa Literária Brasileira do Céu, afinal, os brasileiros vivem dizendo que o Senhor é brasileiro e ainda não tivemos muitos exemplares deles esse ano.
Deus e Gabriel concordaram que seria em Julho e começaram a organizar a lista dos palestrantes convidados.
Na poesia, chamaram Ivan Junqueira e Amália Max, que  para produzirem algum poema inédito para a ocasião foram requisitados no comecinho do mês, dias 3 e 7, respectivamente.
Na parte da prosa, Gabriel tinha amado "Viva o Povo Brasileiro", então Deus convidou João Ubaldo Ribeiro, no dia 18, para ele preparar uma análise diferente de sua obra-prima.
Para não deixar de lado as criancinhas, no dia seguinte, foi chamado Rubem Alves que também vai preparar uma palestra sobre religião.
Finalmente, sentindo falta de algo mais cômico, chamaram Ariano Suassuna, no dia 23. Ele até tentou enganar o Todo Poderoso, pediu para João Grilo tocar a gaita feito tocou para Chicó, morreu e desmorreu nas notícias pela internet, até que não aguentando mais a insistência de Deus e Gabriel, cedeu e foi contar seus contos no andar de cima.
Foi assim que nos deixaram Ivan Junqueira, Amália Max, João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves e Ariano Suassuna.
"Isso aconteceu mesmo, Chicó?"
"Não sei, só sei que foi assim."

quinta-feira, 24 de julho de 2014

A briga e o Shopping...

Do primeiro andar do shopping, estava no meio de duas escadas rolantes. Pessoas desciam e subiam, enquanto esperava o tempo passar.
Não sei por qual motivo, mas, um rapaz chamou minha atenção. Moreno, usava boné e falava no celular. Parou um pouco perto de mim e ficou olhando para baixo, como se esperasse alguém.
Um tempo depois, entre as pessoas que subiam pela escada, surgiu uma garota. Gordinha, alta, veio na direção dele. Tudo muito normal, casais vivem se encontrando no shopping. Eles conversaram um pouco, ela questionava algo e ele negava, pensei: "começou a D.R".
Após alguns minutos, vejo uma garota sair entre as pessoas que estavam na escada rolante e se aproximar deles. O rapaz estava de costas para a nova garota e de frente para mim, a primeira moça não se assustou com a aproximação, parecia que conhecia e esperava aquela menina gordinha e baixa.
Ela falou, o menino a viu e ficou impassível. Eu não  entendia direito a conversa, mas, notava que a D.R. estava se acalorando.
Pouco tempo depois, chegou por outro lado do shopping, vindo de uma escada normal, duas garotas e um garoto que traziam papéis nas mãos. O rapaz não viu eles se aproximarem e quando viu o grupo e os papéis, ficou possesso. O rosto dele estava calmo, mas, o olhar era de raiva.
O garoto saiu de perto, foi para o lado oposto, olhou para baixo, como se esperasse que surgisse mais alguém.
As garotas foram atrás dele que se negava a falar com elas. A alta falava com ele, então seguiram para junto da baixinha.
Eles balançava a cabeça como se negasse algo, a baixinha tinha lágrimas nos olhos, a alta tentava acalmar os ânimos, mas, parecia, também, cobrar explicações.
Aquela cena estava ficando cada vez mais interessante. Quando as outras duas garotas e o garoto se aproximavam o rapaz saía. Ele só aceitava falar com a alta e poucas vezes parecia ouvir a baixinha.
Eu queria muito entender tudo o que estava acontecendo. Algo muito interessante ocorria e as pessoas passavam alheias a tudo. Eu só observei porque não estava fazendo nada, só estava fazendo hora. Estava doido para perguntar ou conseguir ouvir algo que revelasse o motivo de toda aquela história, afinal, a entrada de cada um deles parecia bem arquitetado. Uma briga acontecia com emoções à flor da pele e vozes baixas, sem gritos, sem se exaltar, tudo em um local público.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Ariano...

Ariano,

Estudei por três dias no Marista e quando mudei de escola, sabia que algo bom estava reservado para mim. Tive uma infância marcada por apresentações, danças, cantos e qualquer outra arte que pudesse ser mostrada às pessoas da minha escola.
Quando me mudei para essa nova escola, fui tomada por uma timidez e me desesperei com apresentações de "Artes" e as peças do professor Marculino. Ele era professor de teatro, nos ensinava português e nos obrigava a interpretar personagens, mesmo que quiséssemos ficar nos bastidores. Sofri um bocado até que tentei entrar no grupo de teatro pra vê se a timidez saía de mim. Ledo engano.
Marculino nos deixou, Ariano, você deve encontrá-lo onde estás, mas, fomos presentados por aulas com Josete. Não nego, tinha medo dela, diziam que a prova era impassável, mas, ela me encantou quando me apresentou a você.
Josete era, é e acredito que sempre será sua fã. Primeiro, ela me ganhou quando nos permitiu nos encontrar dentro do planejamento da peça. Atores, figurinistas, adaptadores. Ao todo foram três textos seus: O Casamento Suspeitoso, O Auto da Compadecida, O Santo e a Porca. Se no primeiro, a novidade era o desafio. O segundo foi o ápice, afinal, adaptamos a partir do filme e tive que copiar cada frase dita nele para fazer essa tarefa (obrigada, papi). O terceiro foi cansativo pela loucura que é o vestibular e as poucas pessoas que se dispuseram a perder algum tempo de estudo para isso.
Bem, Ariano, gostaria de ti parabenizar. Nunca ti conheci pessoalmente, mas, ti convidamos uma vez para nos assistir. Assisti trechos de suas aulas-espetáculos pelo computador, não vou negar, que fui egoísta, eu gostaria que você ficasse bom para ter a oportunidade de ti ver.
Ariano, só li os livros que adaptei. Conheço o auto da compadecida de trás pra frente, não posso dizer que era sua seguidora, mas, ti admirava.
Tinha orgulho de saber que não era pernambucano, mas, paraibano (me sentia como se soubesse um segredo seu). Seus últimos dias foram de doença e dor, agora, todo o sofrimento passou e espero que você esteja bem.
Obrigada, Ariano, por ser tão você, por não ter medo de ser bairrista (os pernambucanos são e você era de coração), por não nos esconder sua literatura. Você se foi em matéria, mas, seu legado ficará para as gerações futuras.
Por último preciso revelar algo, Ariano, quando eu adaptava seus textos me sentia um pouco você, tentando tornar realidade aquilo que escrevestes. Então, obrigada por me deixar ser um pouco Ariana. Fica um vazio em mim.

Descanse em paz.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Ronaldo e Anita

Ronaldo estava com saudades de sua Anita, os gêmeos estavam dormindo, então ele resolveu ler mais uma página do diário de sua amada:

"Não sei se é cansaço, se é a rotina, se a pressão do dia-a-dia, problemas negligenciados e acumulados, só sei que o coração tá apertadinho e isso nunca é bom.
Quando me bate essa tristeza súbita, eu nunca sei explicar e pior não posso deixar transparecer, pois, as pessoas vão perguntar justamente o que não sei responder: o porque?
Acho que é saudade. Pode ser saudades de quando meu problemas eram escolher entre brincar de boneca ou de escolinha.
Pode ser saudades dos amigos, aqueles que nos fazem rir por qualquer motivo. Mas, minha companhia é tão boa, acho que me enchi de mim mesma.
Pode ser saudades da rotina louca que não me deixava dormir ou da época em que eu só dormia. Pode ser uma gripe chegando ou meu corpo tentando se readaptar.
Estou numa fase de adaptação e meu coração tá apertadinho, tentando se arrumar nesse turbilhão de pensamentos e cabeça vazia ao mesmo tempo.
Vou tentar dormir que amanhã é outro dia e tenho fé que tudo vai melhorar."


Ronaldo estava com os olhos cheios de lágrimas, tinha a impressão que estava ouvindo a voz de sua doce Anita lendo aquilo para ele. Sentia sua presença, mas, sabia que nunca mais veria a dona de seu coração.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Talita...

O telefone vibrou, mensagem no whatsapp: "Estou chegando e você?"
"Também"
Se encontraram na frente do cinema, compraram os ingressos e foram para a sala.
O filme rolava e Talita não notava que as histórias batiam, para ela o que passava na tela era bem diferente da realidade.
Os personagens se conheceram por um app de paquera. Ela conhecera seu parceiro por uma rede social.
Os personagens conversavam por whatsapp.
Eles conversaram pela rede social, whatsapp e ligações.
Os personagens mal se conheciam e foram se encontrar em um shopping.
Ela sabia toda a vida dele pela rede social e só depois de duas semanas de conversa, se encontraram.
Os personagens se beijaram assim que se viram.
Eles só foram se beijar após os trailers do filme.
Os personagens sairam do passeio, a menina pegou carona com o paquera, foi morta e jogada no rio.
No fim do filme, Talita pegou carona com seu "namorado", foi esganada e esquartejada.
Histórias parecidas, finais semelhantes: A arte não imita, mas, tenta alertar os perigos da vida.

domingo, 20 de julho de 2014

One(esperado)...

Entre um "E aí, beleza?" inesperado
Veio um "Hello" desconfiado

Conversas sem razão
Tudo a construir

Festas
Jogos

Quase nada em comum
Pouca coisa a discutir

Se permitir
Se conhecer

Da infância
Desenhos
Coleções

Sem assunto
Um "Fazendo?"
Se for "nada"
ou o de sempre

Surge um tema

Família
Amigos
Uma pessoa em comum

Fotos
Ser criança
Ser babá

Manhã dormindo
Madrugada falando

Saber do dia

Música
Filmes
Paqueras?

Do inesperado
Faz falta quando não

sábado, 19 de julho de 2014

Lugar...

Eu quero um lugar particular
Restrito
Seguro

Eu quero um lugar íntimo
Privado
Meu

Eu quero um habitat
Meu lugar

Eu quero mais
EU

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Margar(v)ida XII...

Após ter alta, Margarida voltou para casa com seus pais e eles tentaram conversar com ela, mas, a jovem estava reclusa dentro de si, então, preferiram deixá-la descansar.
Maragirda foi para seu quarto e durante quase um mês não quis ver ninguém, quase não saiu, pouco se alimentava, seus pais ouviam seu choro e se desesperavam por não poderem fazer nada.
Fernanda a visitava todos os dias, mas, ela não abria a parte, estava com vergonha de si.
Dois dias depois do acontecido, um rapaz comentou em sua rede social que tinha encontrado sua carteira com documentos, então Fernando pediu para encontrá-lo e foi buscar. Levou para sua noiva e ela não esboçou qualquer emoção.
Toda semana a psicóloga a visitava e tentava fazer com que a jovem contasse o que a deixou naquele estado para ajudá-la a tratar seu trauma, mas, tudo ainda era um mistério para a médica e familiares.
Quando Margarida se olhava no espeho, ela lembrava das palavras do delegado dizendo que aquilo era culpa sua, que ela o havia provocado, então começou a criar um nojo de si e virou para a parede o espelho. As roupas mais folgadas, as que escondiam seu corpo completamente eram as usadas, principalmente manga comprida.
Para amenizar a dor na mente, Margarida começou a buscar a dor física, logo, seus braços estavam cheios de pequenos cortes feitos com tesoura como forma de fuga de toda aquela dor.
Ninguém sabia mais o que fazer, a jovem não conseguia se recuperar e seus pais achavam que eram culpados por uma descoberta tão traumática.
Um dia, Anastácia foi visitá-la e Margarida não tinha trancado a porta, então, quando sua amiga entrou no quarto, viu a automutilação.
Ela saiu chorando, bem preocupada com sua amiga e cunhada e foi falar com os pais da jovem. Eles sem saber mais a que recorrer, os encontros com a psicóloga não pareciam fazer qualquer efeito, resolveram levá-la para um spa, onde ela descansaria  longe de tudo e de todos.
Os encontros com a

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Margar(v)ida XI...

Fernando se aproximou e viu Margarida agachada chorando atrás das pedras, ela estava toda molhada, com o rosto vermelho, os olhos inchados e soluçava sem parar.
A garota estava em estado de choque e não conseguia olhar para seu noivo e seu pai, eles tentaram abraçá-la, mas, ela não deixava ser tocada, apenas, os seguia para o calçadão.
Quando chegaram lá, perguntaram pelo carro e seu celular, Margarida entre lágrimas contou que havia sido roubada, e quando perguntaram se ela tinha ido na delegacia, seu choro aumentou consideravelmente.
Notando que acontecera algo extremamente sério com a jovem, o pai de Margarida a colocou dentro do carro e decidiu levá-la ao hospital.
Fernando foi seguindo o carro e ligou para sua irmã e sua sogra informando que a tinham achado e para onde estavam indo.
Quando chegaram no hospital, Margarida havia desmaiado, ela estava fraca, desidratada e faminta. Os médicos a colocaram no soro e perguntaram o que ocorrera, como não sabiam informar o que ocorrera nas 12 horas de desaparecimento, o médico chamou um psicólogoco para conversar com ela.
Fernando deixou sua noiva no hospital e foi delegacia próxima, informar sobre o roubo do carro e dos documentos.
Nesse meio tempo, a mãe de Margarida e Anastácia chegaram no hospital e tentaram conversar com a jovem, mas, Margarida estava em um silêncio mortal.
Todos esperavam na sala de espera pelo resultado dos exames e pelo psicólogo que tentava descobrir o que causara o trauma da garota.
Os pais de Margarida se culpavam por não terem conversado com ela antes e por permitirem que ela descobrisse sobre sua paternidade daquela maneira.
O médico informou que ela ficaria em observação e precisaria de um acompanhamento psicológico, já que estava visivelmente em choque e não falava qualquer coisa.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Margar(v)ida X...

Quando viram o carro de Margarida saindo de frente da casa, os pais imaginaram que ela tinha ouvido a discussão e se desesperaram.
Enquanto um ligava desesperadamente para ele, o outro ligava para Fernando e os outros amigos tentando conseguir notícias.
Ninguém sabia da garota e seus pais ficaram, ainda, mais desesperados quando o celular começou a dar fora de área.
Fernando ligou para Anástacia e todos os amigos em comum com Margarida e ninguém sabia o que tinha acontecido com a garota, então Fernando e seu sogro resolveram procurar Margarida pela cidade.
Rodaram durante toda a madrugada por hospitais e delegaciais e não tiveram notícia. A todo momento ligavam para o outro esperando que Margarida tivesse aparecido, mas, nada.
Ao mesmo tempo, Anastácia e seus amigos espalhavam nas redes sociais fotos da garota desaparecida.
Amanheceu e ninguém soube qualquer informação dela, todos estavam desesperançados esperando pelo pior.
Após Margarida ter corrido para a longe do rapaz que a salvara, ele se deu conta que já tinha visto a foto daquela moça que parece tão assustada e desorientada, então, pegou seu celular e olhou nas redes sociais, encontrando a foto de desaparecida dela.
Comentou na foto que a vira se afogando e que a salvou, mas, ela estava bastante perturbada e saiu correndo. Anastácia viu o comentário e ligou para Fernando, contando a informação.
O rapaz ligou para o seu sogro e combinaram de ir para a tal praia, quando chegaram lá, procuraram a garota pelo local, já que não encontraram o rapaz que havia dado a informação.
Tanto Fernando, quanto seu sogro choravam e gritavam o nome da jovem e já acreditavam ter sido um trote, quando Fernando ouviu um choro de mulher perto de umas pedras.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Margar(v)ida IX...

Vinte minutos depois que para Margarida pareceram dez horas, o escrivão entrou na delegacia e ouviu barulhos vindo da sala do delegado. A autoridade policial também ouviu o barulho do escrivão e largou a jovem, mandando-a se arrumar e ir embora sem contar do que ocorrera.
Margarida saiu sem olhar pra trás, andou até a esquina, sentou na calçada e chorou, chorou, chorou, chorou, chorou até não ter mais lágrimas. Chorou como forma de tirar a vergonha, a humilhação, o desespero. Chorou porque não poderia gritar, então, viu a viatura com os policiais voltando e se levantou, afinal, não queria ser vista por aqueles homens. Acabara de criar um pânico por policiais.
Margarida andou pela rua, o rosto vermelho, os olhos inchados, até retornar à beira mar. Quando chegou lá, correu até a água e se jogou de maneira desesperada, ela esperava que a água salgada limpasse seu rosto, seu corpo, sua alma.
Enquanto se molhava, Margarida chorava, estava desesperada, desamparada e incomunicável. Sabia que sua família e seus amigos estavam preocupados, mas, não tinha coragem de encontrá-los depois de tudo.
Sua forças iam embora junto com as lágrimas, as ondas a puxavam para o fundo e Margarida começava a se afogar, mas, naquele momento, ela não lutava e pensava que a morte era a única forma de livrar-se de tudo aquilo.
Um banhista notou o que estava acontecendo e foi salvá-la, a jovem engolira muita água e estava desmaiando quando voltou para a areia nos braços do rapaz. Ele fez respiração boca a boca, mas, ao sentir mãos masculinas em seu corpo, em seu rosto, Margarida se desesperou e assim que recuperou seus sentidos completamente, saiu correndo com medo que o rapaz a violentasse como fizera o delegado.
A moça correu pela praia até distanciar-se do jovem, até encontrar um lugar completamente solitário.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Margar(v)ida VIII...

Na manhã seguinte, Margarida acordou com o Sol em seu rosto, foi até a água para molhar os pés e o rosto, retornando para a calçadão, onde caminhava e procurava um policial.
Encontrou dois policiais fazendo ronda em sua viatura, fez sinal para eles e contou sobre o ocorrido.
Os policiais mandou que ela entrasse na viatura para fazer o B.O na delegacia. No caminho, os policiais recebem um rádio e são solicitados para auxiliar uma outra viatura que estava em perseguição com assaltantes.
Margarida ouviu e falou que desceria do carro e andaria até a delegacia, entretanto, foi avisada que antes de irem ao auxílio, a deixariam no local.
Chegaram na delegacia e Margarida notou que só havia o delegado. Ela desceu e os policiais seguiram para seu destino, Margarida ficou sozinha com o delegado que a mandou esperar pelo escrivão.
Um tempo depois, ele a mandou continuar sua espera na sua sala e quando ela se negou, estranhando a atitude, ele foi autoritário.
Margarida entrou na tal sala e viu a autoridade policial trancá-la, mandando-a sentar em sua mesa.
Quando Margarida sentou-se, o delegado chegou muito próximo dela e puxando seu cabelo, a fez olhar para cima e roubou-lhe um beijo. Margarida com medo e assustada, tentou empurrá-lo, mas, como não conseguiu por ser fisicamente mais fraca, mordeu seu lábio.
O delegado reclamou e deu um tapa no rosto dela, então derrubou as coisas de sua mesa, a colocou em cima e a estuprou.
Durante todo o momento, dizia que a culpa era dela por ser tão bonita e sensual, enquanto, Margarida pensava que aquele que deveria protegê-la, estava violentando-a e isso parecia mais surreal do que ter sofrido o acidente, ficado em coma e descoberto que era filha do vizinho.

domingo, 13 de julho de 2014

Margar(v)ida VII...

Nos primeiros meses após o acidente, Margarida foi presença constante no hospital. Fez muitos exames e foi acompanhada por um psicólogo.
Ela, ainda, não sabia do seu parentesco com o vizinho e todos haviam concordado em esperar a sua recuperação total.
Então, um dia, quando Margarida tinha acabado de estacionar na frente de casa e ouviu os gritos de seus pais. Ela ficou um tempo dentro do carro e ouviu seu pai chamando a esposa de "vagabunda" e dizendo que "não conseguia esquecer a maior traição de sua vida e mesmo amando a filha não conseguia olhar mais para ela sem lembrar quem era seu verdadeiro pai", a mãe pedia perdão, chorava e dizia que "eles precisavam superar aquilo pela filha".
Margarida em choque, voltou a ligar a carro e saiu da rua em alta velocidade. Os pais ouviram o barulho do automóvel e olharam pela janela, então, a mãe começou a ligar incessantemente para a filha. As diferenças foram deixadas de lado e o medo de um novo acidente tomou conta de ambos.
Margarida dirigia enlouquecida, ignorava todas as ligações dos pais, até que em um sinal vermelho, resolveu desligá-lo.
Os pais de Margarida ligaram para Fernando quando o celular começou a dar fora de área e perguntaram se ela tinha falado com ele. Fernando ficou preocupado com o desaparecimento de Margarida.
A jovem dirigiu até uma praia e sentou no calcação. Repassava toda a briga na conversa na cabeça e conversava com as ondas. A rua estava deserta e a jovem confusa em pensamentos, não notou quando roubaram o carro. O celular e a carteira estavam lá dentro.
Naquela noite escura, estranha e confusa, quando descobriu ser filha do vizinho, terminou com Margarida dormindo no calçadão quando notou que tinham levado seu automóvel e estava sem dinheiro, celular e documento. Então, dentou na areia e resolveu que iria à delegacia no dia seguinte, afinal, acreditava que nada poderia piorar e seu desejo era ficar sozinha e incomunicável mesmo.

sábado, 12 de julho de 2014

A Cidade...

Naquele dia, eu levantei e sai do hotel. Fui ao shopping e depois resolvi conhecer a cida. Perguntei as pessoas que ônibus deveria pegar para ir ao Mercado Central. Não sabia o que deveria esperar do tal mercado, mas, ouvi tantas pessoas falando dele que me deu curiosidade. Subi no ônibus indicado e  começou a via crucis. Engarrafamento. O Circular parecia que circularia por todas as entranhas da cidade. Lugares simples e locais suntuosos. Fui de luxo ao lixo em apenas algumas ruas. Em todos os cantos, procurei por algo que representasse aquele local. Como turista e inocente, não tinha medo da segurança; Como classe média e preconceituosa, tive medo de quando pessoas pobres, que falavam e ouviam música alta subiram no transporte público. Já vinha procurando, lixo nas ruas. Aquela cidade me parecia super limpa. O ônibus continuava o seu tour. Crianças tentaram pegar carona na parte de fora do busão. O motorista mandou descer. Pensei: "se fosse na minha cidade, eles jogariam uma pedra". Na parada seguinte, uma pedra alcançou a porta de descer que fica em frente ao motorista. Um rapaz que conversava com ele, foi atingido. No instinto, eu dei um passo para trás e não bateu em mim também. Quando desci, uma surpresa. Se no ônibus, tinha passado por locais pobres. No centro da cidade, eu vi a miséria. Pessoas notadamente drogadas e se drogando em uma rua bem próximo do Quartel. A rua estava tomada pelo lixo. Coloquei minha melhor cara de "não estou com medo" e tentei não olhar para o resto de nenhum deles. O medo me tomava. Não sou nenhuma passista, nenhuma mulher que seja em todo o momento cobiçada e leve cantadas a cada passo dado, justamente por isso, nunca me senti vulnerável por ser mulher. Naquela tarde, com o Sol quente sobre minha cabeça me senti vulnerável por ser mulher. Tive medo de ser roubada, estuprada, violentada. Não olhava nos olhos deles por medo e vergonha. Não queria mais me sentir parte daquele lugar. Queria sair dali urgente. Queria voltar para minha terra, onde, eu saberia quais locais eu estava segura. Tive raiva do Poder Público que deixou aquele lugar entregue às moscas, afinal, era o centro da cidade, mas, preferiram dar espaço aos shoppings. O espaço público me metia medo, me fazia sentir vergonha daquela cidade. Tive raiva do motorista e do cobrador que não me alertaram. O Mercado Central fechado e mesmo se estivesse aberto, já teria perdido a graça. A cidade é linda, tem hotel por todo lado, uma cidade turística, organizada para os turistas e que negligenciou seus cidadãos. Uma cidade preparada para que as pessoas priorizassem praias e shoppings. O Mercado Central e o Teatro largados ao léu. A história deixada de lado, a cultura pulverizada. Uma cidade para se visitar, não uma cidade para viver e morar.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Felipa...

Perdão! Perdão! Perdão! Perdão por não ser quem você queria. Perdão por ter ido contra o que acreditava. Perdão por ter machucado outras pessoas. Perdão pela falsidade. Perdão pela sinceridade cruel. Perdão por ter sido covarde. Perdão por não dizer não. Perdão por ter me deixado levar. Perdão por não superar. Perdão por fugir dos problemas. Perdão por tentar esquecer. Perdão por ainda me atormentar com certos fantasmas. Perdão por não conseguir falar. Perdão por não entender. Perdão por me vitimizar. Perdão por ti narrar como vilão. Perdão por ti ver como mocinho. Perdão por invejar. Perdão por relembrar. Perdão por procurar traços de você. Perdão por querer voltar ao passado. Perdão por trair. Perdão por não me arrepender. Perdão por me culpar. Perdão não ser a prioridade. Perdão por não me valorizar. Perdão por tudo. Perdão por ser quem sou. Perdão por ser eu. Perdão! Perdão! Perdão! Perdão!
Felipa olhava pro seu reflexo, enquanto pedia perdão para si. Caiu de joelhos aos prantos. Vi seu rosto desfigurado pelas olheiras e lágrimas. Quebrou o espelho com um murro. Deitou no chão e se deixou cortar pelos estilhaços espalhados no carpete.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Pane..

Coração acelerado. A cabeça não raciocina. Trava a mente. Trava o pensamento. Branco total. Respiração acelerada. Não adianta água ou respirar fundo. Uma vontade incontrolável de sair dali. Um desejo interrupto de passar mal como um escape. Falta concentração. Falta paciência. Uma frase é lida mil vezes e mesmo assim não entendida. Português vira grego, aramaico, chinês, russo, alemão. Olhar par ao lado. Tentar se distrair. Tentar se concentrar. Pensar "eu posso fazer". O coração acelera ainda mais. Quanto mais se esforça, mais o pensamento trava. Parar. Pedir para sair. Tentar retornar de onde parou. O tempo passa. A boca seca. Vontade de sair correndo. Vontade de se esconder. Vontade de chorar. Vontade de morrer. Se obrigar a terminar. Minha definição para a frase de Pitty "pane no sistema, alguém me desconfigurou". Pane, desatenção, despreparo, desespero, pânico, foi exatamente o que senti na primeira fase da OAB quando eu fazia pela segunda vez. Terminei a prova, mas, só Deus sabe como. Um pânico geral tomou conta de mim antes da décima questão e são oitenta. As cinco horas de prova que todo mundo tem foram reduzidas pra quatro. Durante quase uma hora, eu tive que tentar me acalmar, relaxar, conseguir me concentrar. Olhar para as pessoas ao redor, todas lendo a prova, não ajudou. O desespero tomou conta, eu queria sair deali. Desejei, sim, passar mal, ser levada para a "enfermaria" e perder a prova porque fui socorrida. Saber que as pessoas do lado de fora, torciam por mim não adiantou. Me desesperou ainda mais. Saber que eu estava preparada e que tinha estudado bastante, também, não fez qualquer sentido, no momento que eu não conseguia nem entender a pergunta. O enunciado e as alternativas eram alemão. Pensar em ir para a segunda fase era algo que eu realmente queria, mas, meu objetivo principal se tornou sair dali o mais rápido possível, marcar qualquer coisa e esperar o tempo mínimo para sair da prova. Se eu fosse cirurgiã, meu paciente teria morrido. Se eu fosse paraquedista, não abriria o paraquedas. O sentimento de perigo iminente, o terror, o instinto de fugir, me paralizavam. Se eu fosse jogadora de futebol, teria levado que sete gols. O problema é que na OAB, era eu e eu, não tinham mais dez pessoas para tentar me tirar daquela inércia e me fazer reagir. O grupo é feito para quando um dar tilte, o outro conseguir suprir a perda. Felipão só poderia fazer três substituições e não onze, em umgrupo onde todos pareciam sofrer o mesmo que eu sofri. O primeiro gol deu tristeza, o segundo um sentimento de derrota, mas, o terceiro-quarto-quinto mostraram o destempero. O técnico disse que depois do quinto, não tinha mais o que fazer. Na OAB, era bem óbvio que eu não acertaria quarenta questões (como não acertei), porque eu só fui voltar a raciocinar quando faltavam dez questões para terminar e o tempo de prova não me deixava revisar detalhadamente tudo. Quando os jogadores perceberam a gravidade da situação, pensaram que não tinham mais o que fazer. Oscar chutou tanto a gol que daria para fazer um 7x5. Júlio César deitado do lado de fora do gol, me fez reviver o desespero daquela tarde. Em seis minutos de pane, levamos quatro gols. Em cinco horas de prova, acertei 35 questões. Se eu não tivesse entrado em pânico, poderia ter acertado mais cinco pelo menos. Se os jogadores não tivessem surtado com o segundo, não teriam levado mais cinco gols. A diferença entre a OAB e o futebol é que na primeira, não tem vagas, eu sou meu próprio concorrente e basta alcançar a nota mínima; no segundo, o melor vai vencer. Tanto eu, quanto os jogadores estávamos preparados. Eu estudei, eles treinaram. Claro, os alemães se deram melhor. Sambaram na nossa cara, durante um surto coletivo. Não vamos crucificá-los. No quinto gol já havia virado graça e meus vizinhos torciam pela Alemanha. Eu só queria ver uma reação do Brasil e vibrei pelo único gol brazuca. Eu lembrava daquela tarde e de como sofri. Naprova seguinte, quando o pânico começou a rondar, eu criei minha fórmula mágica. Pensar "continue a nadar, continue a nadar, continue a nadar, nadar, nadar" de algo sem sentido, se tornou minha arma secreta. Que os meninos do Brasil tenham encontrado a sua pro sábado.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Caline...

A vida roubou meu melhor amigo. É muito triste quando amigos se tornam estranhos. Caline pensava isso, enquanto olhava seu álbum de fotos.
Na época da escola, a vida já tinha a avisado que o roubaria. Colocou um rapaz na vida dela que criou uma situação. Seu melhor amigo teve que escolher: ser fiel à ela ou ser ajudar a outra. Difícil decisão quando se está apaixonado pela outra. A paixão é cruel quando enfraquece amizades.
Caline se sentiu traída quando descobriu tudo. Brigou, xingou, parou de falar. Ouviu mil vezes, ele pedindo perdão. Perdoou, mas, nada foi igual. Enquanto a outra o cozinhava em banho-maria e não concretizava o amor que ele sentia, Caline o via se distanciar.
Na formatura do terceiro ano, o viu repetir o discurso da outra: "não sentirei falta de ninguém". Caline avisou que ele se arrependeria. Anos depois, viu seu arrependimento por ter desperdiçado a comemoração de tantos anos juntos e a despedida de todos.
Nossas escolhas são questão de prioridade e Caline notava que a prioridade dele, desde aquele evento, havia mudado.
Anos se passaram e eles se encontraram. Não havia mais a intimidade de outrora, apesar do carinho de Caline ser o mesmo.
Mas naquele momento, o coração de Caline sangrava quando teve a verdadeira prova de quem seu melhor amigo era fiel. No dia anterior, foi o momento mais especial da vida de Caline, a realização de um sonho e seu melhor amigo alegou que não iria, pois, estava muito doente. Na manhã seguinte, Caline viu a foto dele com aquela outra, o bar deveria ser seu hospital e mais uma vez a vida escancarava que havia roubado seu melhor amigo.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Júlio...

Eu ansiava pelas tardes de quarta. Ele chegava sempre arrumado com os livrõs na mão e perguntava: o que estudaremos hoje?
Fui me apaixonando enquanto lia os livros e perguntava o que não entendia. Me apaixonava mais durante cada explicação ou risada.
Ele era delicado e educado. Era paciente e sincero.  Ria quando eu empacava em uma palavra desconhecida, antes de sair apertava firme na minha mão e me mandava estudar mais algo.
Por um acaso nos encontramos fora do seu habitat de ensino na minha casa. Um centro de compras, eu aperriada por ter perdido minhas amigas. Ele me ajudou a procurar. Não era sua obrigação, era seu aniversário, seus familiares e amigos o esperavam e ele me ajudava mais uma vez.
As achei e fui avisa-lo. Ele me chamou para a comemoração. Fui falar com minhas amigas, elas me deram uma lembrancinha para presenteá-lo.
Fui sincera ao dar o presente, falei que realmente não lembrava que era seu dia, mas, que minhas amigas tinham mandado para ele aquele. Ele me beijou apaixonadamente. Um, dois, três beijos com ternura e amor. Sorrimos quando nos olhamos.
Minhas amigas se aproximaram. "Maria" "Ingrid" "Getúlio" Seus olhos expressavam uma dor mortal quando ele as olhou e me corrigiu "Júlio". Fiquei em choque pelo erro. Ele me deu as costas e saiu. Todas as tardes ansiava por sua presença. Olhava para o caderno, onde escrevi "Amanda e Júlio". Nunca mais o encontrei para mostrá-lo que sabia seu nome.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Apesar de...

Ah, o amor...Sempre que a gente se recupera de um, já começa a pensar no próximo...
APESAR DE:
1.Eu te amo apesar das tuas leseiras...
2.Eu te amo apesar de eu ser sempre segunda opção...
3.Eu te amo apesar de tu quase nunca concordar comigo...
4.Eu te amo apesar de tu me matar de ciúmes...
5.Eu te amo apesar de tu ser irritante...
6.Eu te amo apesar de tu fazer coisas que eu não concordo...
7.Eu te amo apesar de tu ter certas companhias...
8.Eu te amo apesar de tu ser fuleiro...
9.Eu te amo apesar de tu não passar o dia inteiro falando comigo...
10.Eu te amo apesar de tu não perceber que eu te amo...
POR QUE:
1. Eu te amo porque você é um crianção...
2.Eu te amo porque você sabe perdoar...
3.Eu te amo porque você sabe ser feliz e me fazer mais feliz ainda...
4.Eu te amo porque você é super paciente...
5.Eu te amo porque você canta as músicas mais linda...
6.Eu te amo porque você me deixa ser eu mesma...
7.Eu te amo porque você é sem máscaras...
8.Eu te amo porque você sabe ser o melhor amigo de todo o mundo...
9.Eu te amo porque você é um fofo...
10.Eu te amo porque você consegue ser o cara que eu mais admiro...
Como dizem: A gente não ama por, a gente ama apesar de...Eu amo por, apesar de e mais um bilhão de formas...

domingo, 6 de julho de 2014

Complicações...

Pluft, as vezes eu me torno o ser mais complicado deste planeta terra, o ser mais ciumento e o ser mais sem noção... É ruim você ter pessoas a sua volta que te fazem bem e que te fazem mal e estas que te fazem mal, você ter que fingir que te fazem bem...Ninguém lhe ilude, você se ilude...E saber disso as vezes é mais triste, do que se sentir iludida...Imaginar uma coisa e nem sempre ela acontecer tão rápido você precisa, pode fazer sua vontade aumentar, mas, depois que acontecer não é o esperado...Esperar muito um fato, pode fazer você desistir, pode fazer você querer cada vez mais e se suas expectativas não forem tão grandes, pode ser que dê tudo certo...Mas, tem coisas e tem pessoas que não enxergam o que está a um palmo de seu nariz, tem gente que não enxerga que existem pessoas "ruins" a sua volta, má influência (se é que isso existe) e tem gente que não enxerga pessoas interessantes (pode-se dizer) e se enxergam esperam algum detalhesinho pra ter certeza e se esse detalhe não vim, porque a outra pessoa também espera por ele? A vida é tão séria para leva-la tão a sério, que devemos deixar de ser tão sensatos em alguns momentos, devemos arriscar mais, porque as vezes quem te faz bem, nem imagina do bem que te faz..

sábado, 5 de julho de 2014

Escolhas...

Será que a gente sempre faz as escolhas certas? Ou será que algumas vezes deveria existir um controle remoto pra gente voltar no tempo? Se isso fosse possível, até onde você iria? Em que ano você retornaria? Em que lugar você estaria? O que haveria de acontecer e de ser concertado? E se você só pudesse ver o futuro? Será que o visto seria o esperado? De tudo só haveria uma única condição: em todas as modificações feitas, todas as pessoas teriam que aceitar e ficar tudo certo...Alguém iria conseguir tal façanha? E quanto a forçasão de barra? Existe gente que força mesmo e quem não força, depois fica pensando o que aconteceria se tivesse forçado... É incrível o quanto as pessoas nunca estão satisfeitas e como complicam tudo, uma besteira se torna muito complexa...Pluft! E na hora da verdade? E quando chega a hora de colocar a cabeça no travesseiro e fazer uma retorspectiva do seu dia? Será que foi o esperado? Será que se você tivesse dito pra aquele cara o que você sente, ele iria gostar ou ele iria ri de tu? Será que aquela grosseria que você fez não poderia ter sido evitada ou você sairia como um completo pateta? É incrível como a gente pode descomplicar as coisas e sempre faz o contrário... E quando não houver mais amanhã pra onde iremos correr? A vida as vezes é sempre muito cheia de perguntas, mas... Se não houvesse perguntas como seria a vida?

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Sorte...

Eu sou uma pessoa sortuda, como dizem: nasci com o bumbum pra lua... Não existe uma pessoa tão feliz como eu... E como eu tenho a capacidade de deixar tudo ser levado pelo tempo... Se o tempo é o melhor remédio, porque temos a mania de tentar levar tudo pra sala de cirurgia e fazer uma lipo nas cicatrizes mais profundas? Esquecendo, que procedimentos cirurgicos, provocam cicatrizes também...Porque sempre que passamos por algo ruim achamos que vai ser eterno, mas, quando temos um momento muito bom, temos a plena consciencia que ele vai passar? Lei de Murphy! E não é só os pessimistas assumidos que acreditam nisso, de uma forma ou outra todo ser humano tem uma quedinha pra esse lado... E se alguém nos fizer duas perguntas, é fácil descobrir a resposta: 1. Você é se considera uma pessoa sortuda? 2. O que ti faria muito feliz? Eu sei que ao ler o início desse texto você pensou "que menina convencida, porque ela se acha tão sortuda assim?!" (E eu sei também que as suas respostas serão: 1. não 2. ganhar na megasena sozinha) É algumas pessoas ainda não entenderam a essência da sorte e da felicidade. A sorte está em eu estar viva e ter amigos, porque nesse mundo cão só reina a hipocrisia e a violência tá chegando por todos os lados, enquanto a minha felicidade está além dos meus problemas, está naqueles minutinhos mínimos de risadas e que serão os mais importantes, principalmente, porque eu respondo pela minha existência e sei que ela já passou por dias piores, além do mais, existem pessoas com problemas maiores que os meus e passam pela vida sorrindo... Porque não eu?

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Romantismo...

O mundo, hoje em dia, anda bem estranho. Na época do Romantismo, os folhetins mostravam casais lutando pelo seu amor. Agora, vemos nas novelas, casais lutando contra a traição. O mundo está tão as avessas, que trair se tornou normal para homens e mulheres.Na época de nossos pais, o rapaz cortejava a moça, e após uma grande dose de coragem é que a pedia em namoro. Na nossa época, os rapazes ou até as moças chegam para "ficar" e mal sabendo os nomes, já ficam na maior intimidade.Lembro-me de dois casais distintos: no primeiro, o casal se conheceu, se tornaran amigos e passaram a se seduzir, passando um bom tempo para sair o primeiro beijo; no segundo, o casal se conheceu, "ficou" e algum tempo depois entravam em um motel qualquer, sem nenhum compromisso...Os dois casais acabaram, mas, a menina do primeiro ainda acredita no amor e a menina do segundo está traumatizada quanto a palavra paixão.A diferença está na prioridade, um casal se preocupa com o amor, a paixão que sentem; o outro casal apenas se preocupa com o prazer. Não é que o romance tenha se tornado antiquado, é que as pessoas deixam o amor em último plano e se preocupam com a sua própria satisfação.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Em camadas...

"O amor é feito em camadas." Naquele momento era tudo que ela pensava.

A primeira troca de olhares. Retirou os brincos.

Quando disse seu nome. Desmanchou o cabelo.

Quando deu o primeiro sorriso sincero. Tirou o anel.

Quando contou o que fazia. Tirou a pulseira.

Quando ouviu as histórias dele. Retirou o cinto.

Quando se deixou acompanhar na rua. Desabotoou a camisa.

Quando sorriu ao encontrá-lo. Tirou a camisa.

Quando se importou com os interesses dele. Despiu a saia.

Quando se deixou conhecer. Abriu o sutiã.

Quando pediu seu telefone. Despiu a calcinha.

Quando sentiu saudades. Desceu do salto.

Em todos os momentos, camadas foram sendo construídas na relação, como uma brincadeira de lego foram colocadas novas pecinhas.

Naquele momento que camadas de roupas eram retiradas, uma nova camada se formava.

Quando se deixava conhecer por inteira, sem obstáculos, sem proteção, pensava "o amor é feito em camadas".

terça-feira, 1 de julho de 2014

Amizade...

"Que Deus me proteja dos meus amigos. Dos inimigos, cuido eu." (Voltaire)
E hoje eu vim falar de amizade!
O que é amizade? O dicionário afirma que é : sentimento de apreço, camaradagem e afeição entre pessoas, em geral, não aparentadas, ou entre entidades ou grupos; relacionamento estabelecido por eles; pessoa amiga.
O que são amigos? A Bíblia diz quena hora de adversidade o amigo vira irmão. Entretanto, hoje em dia, as pessoas tem esquecido o que signifca amizade verdadeira, elas acham que é só participar de uma festa, comemorar coisas boas, dar um ou outro conselho (quando pedido é lógico), saber uma dúzia de coisas a respeito,entre outras coisitas mais...Desculpe destruir os seus conceitos, mas, amizade nunca foi isso, e creio que nunca será...Mas, também não vamos generalizar, até porque, tudo que é relacionado não pode ser generalizado, muito menos conceituado, pois, pense num assunto complexo... Agora tem um coisa que eu vou afirmar e se alguém ler isso aqui, pode discordar comigo, mas, só faço um pedido: reflita e depois reclame novamente... Eu não conhecia essa frase acima de Voltaire (desculpem, minha ignorância), mas, antes mesmo dela, eu já tinha este pensamento, acho que até já nasci com ele, porque, foi de uma hora pra outra que descobri ele na minha cabeça e por incrível que pareça não lembro de ter ouvido outra pessoa falando isso, talvez, apenas uma amiga minha depois que comentei... Outra coisa, não venham tendo piricutecos por consequência da minha afirmação, aprovada por Voltaire (ou Vol-vol, fiquei íntima dele...rsrsrs...)... Há, muito menos imaginem que eu sou um mal amada, solitária, morando numa bola, porque eu não sou, posso me considerar o contrário disso tudo, muitos dizem que se contar cinco amigos, podemos nos considerar pessoas sortudas, e se eu for considerar todas as pessoas que de sua forma se mostram minhas amigas e que até agora não mostraram que há falsidade nesta "relação", acho que possuio mais de cinco, quase uns dez. E um deles me ensinou que "para ter um melhor amigo é preciso ser um", sendo assim, acho que ando fazendo direitinho a minha lição. É, acho que tou enrolando demais, o fato, é que quando se fala de amizade, tem tanto o que comentar, que o seu objetivo maior, se não tomar cuidado, foge por entre os dedos. Sim, mas, voltando ao assunto... O seu maior inimigo é seu melhor amigo...Nossaaaa, que novidade, alguns vão dizer e outros, vão fazer cara de surpresa, e dizer é mesmo, me explique melhor. Atendendo os que por pahaçada ou por querer saber se interessaram pelo assunto, vou explicar... Pensem comigo: quem sabe o seu ponto fraco? quem sabe os seus maiores segredos? quem possui todas as armas pra lhe comprometer? quem você sempre espera que só quer o seu bem? A única resposta para as quatro perguntas: seu melhor amigo, ou melhor, seu amigo, porque não existe essa história de melhor amigo, ou é amigo, ou é colega, ou é conhecido, mas, amizade que é amizade, não tem preferência, o coração não faz uma seleção: pra Maria falo de Alfredo, pra Fernanda falo de Lucas, pra Sicrana eu falo de Fulana, e pra um eu falo da escola, pra outro é família; sinceramente, eu nunca vi isso em amizade nenhuma e nunca fiz isso, lógico que tem gente que é seu amigo e você prefere falar sobre determinados assuntos do que outro, ou contar primeiro praquela e depois pra outra, sempre lembrando que eu estou falando de amigos, não tou falando daquela pessoa que você acabou de conhecer no bus enquanto você chorava porque terminou um namoro, não, amigos fiéis, amigos de confiança, se você conhecer um bilhão de pessoas, não vá sair contando a sua vida pra esse bilhão não, você só vai se cansar e não vai adiantar de nada, há vai sim, seu nome vai tá na boca de todo mundo, sendo assim, é melhor entrar num reality show. Voltando, ao meu raciocínio de antes, você nunca vai esperar uma "punhalada" de um amigo e é por isso que ela vem mais forte, muito mais forte do que é na verdade, ele sabe justamente onde pode te machucar, diferente daquele inimigo que muitas vezes age por tentativa-erro, enquanto, você vai se tornando mais forte. É amigo é isso, como dizem, tudo demais é veneno, até confiança, porque quando quebrada, neguinho, fica difícil de colar, viu, e principalmente, porque vai mostrar aquelas rechadurinhas... Depois, eu falo no assunto de novo, senti que falei demais e não falei nada, é que um assunto bem extenso, que eu gosto de falar demais, que eu tenho muitas opiniões e fico na ansia de colocar tudo de vez, desculpem aí qualquer coisa...

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Carta para Margueritte II...

Cara Margueritte,

Voltei. Estava com saudades de mim? Hoje eu vim falar sobre relacionamentos. Faz um mês que acompanhei o início de sua amizade com Germain e o ápice dela, quando ele foi ti buscou no asilo, mesmo assim não esqueci essa relação tão bonita.
Acredito Margueritte, que você e Germain se doaram, permitiram que um entrasse no íntimo do outro, se permitam conhecer na intimidade, mesmo que as conversas tratassem de histórias e livros, contaram suas histórias e construiram um carinho.
O que eu tenho visto Margueritte, são relacionamentos mecanizados. Hoje em dia, as conversas fluem em sites de relacionamento e aplicativos de celular. Admito que já fiquei em uma sala acompanhada de amigas e todas olhavam o aparelho, atitude que não acontecia a pouco tempo atrás quando conversava, ria e brincava falando pessoalmente com todas elas.
Tenho a impressão que estamos desaprendendo a falar, Margueritte? Expressamos nossos sentimentos e emoções através de emoticons :/ Será que os filmes como Eu, Robô adivinharam que as máquinas assumiriam o comando, mas, não imaginaram fim tão terrível para a raça humana? Qual, você deve estar se perguntando? Acredito, querida, que os homens se transformarão em robôs, já que aparelhos eletrônicos têm se tornado extensão do nosso corpo.
Além disso, tenho presenciado e já aconteceu comigo, pessoas que conversamos loucamente em aplicativos e redes sociais, porém, quando nos encontramos na vida real, fica um clima de constrangimento, parece que os relacionamentos só conseguem evoluir quando nos escondemos atrás de telas. Onde isso vai parar?
E pior, não podemos pensar que isso é culpa dos smartphones, na verdade, conheço pessoas que sempre interagiram com o mundo real com um pé no virtual, são pessoas que até participavam de conversas pessoalmente, mas, sempre mandando mensagem, sempre olhando a tela do celular. A impressão é que aquelas pessoas ao redor não bastam, o tempo urge e necessitamos nos comunicar com todo mundo ao mesmo tempo.
Sabe qual a consequência disso, Margueritte? Relações superficiais. Conhecemos e conversamos, mas, não criamos laços, não permitimos a intimidade. Posso falar todas as tardes com uma pessoa e não conhecê-la ou ela não me conhecer, mesmo que eu conte episódios esporádicos de uma vida, estarei me escondendo em um muro de relatos vazios e muitas vezes engraçados. A risada é a melhor capa da invisibilidade, além disso posso muito bem narra algo de minha vida atribuindo a novos personagens. Os textos também tem esse efeito, quando eu assino com pseudônimos ou pego uma história minha, adiciono alguns fatos e mudo os nomes. Nesse momento, só quem realmente nos conhece, vai nos descobrir nas linhas, vai nos encontrar no que não foi dito.
Por outro lado, acredito que esses relacionamentos vazios são resultado de um não relacionamento conosco, nós não somos boas companhias para nós, preferimos ficar com pessoas que não nos acrescentam em nada que acompanhados de nós, contradizemos o ditado de que é melhor ficar sozinho do que mal acompanhado, não nos suportamos, não refletimos nossos atos, pensamentos e desejos, mecanizamos a rotina e não conseguimos nos entregar para o outro porque não estamos entregue a nós. Como podemos nos deixar compreender se não nos compreendemos? Como podemos nos deixar conhecer se não nos conhecemos?
É, Margueritte, está faltando humanização no ser humano, pois, se antes o Naturalismo animalizava o homem, agora, na contemporaneidade, nós nos automecanizamos. Por isso, admiro tanto sua amizade com Germain, nela transborda humanidade.

Querida, acho que terminei repetindo o assunto da carta anterior, né? Se é o caso, desculpe-me.

Com afeto,

Ana.

domingo, 29 de junho de 2014

Arraial...

Enquanto comia espetinho de frango e ouvia Geraldinho Lins, viu um matuto passar. Acompanhou-o com o olhar até o pátio das quadrilhas, mas, quando resolveu ir até lá foi interceptada por um turista charmosinho que pediu para lhe ensinar forró.
Dançou com o loirinho e resistia aos seus encantos, quando viu o matuto passar novamente. A dança estava tão boa que se deixou ficar. Quando o cantor deu uma parada. Largou o par e andou pelo local. Viu o matuto entrando na sala de reboco. Quando entrou, encontrou uma amiga que estava sumida. Na fofoca das novidades, perdeu o matuto de vista. Deixou a amiga e dançou aquele arrasta-pé maravilhoso com um amigo antigo.
Saiu da sala de reboco e foi comprar um milho assado. Comia o milho quando o viu o matuto indo para a parte de forró estilizado. Andou por entre as pessoas, seguindo-o ao longe.
O matuto sumiu novamente. Foi ver as quadrilhas e ficou admirando as roupas dos componentes. Prestou atenção no contexto e na história contada. O matuto passou em direção à saída. Deixou a quadrilha acabar e foi à procura de seu gato matuto. Viu ele dançar com uma matutinha. Então se deixou levar pelo Lampião da quadrilha que a chamou para dançar. No dois para lá e dois para cá, viu o matuto aproximar-se e afastar-se. Quando a matutinha saiu com o matuto, entregou-se aos beijos do Lampião. Dançou um pouco mais e quando começou a tocar xote, saiu para beber um suco. Viu o matuto sozinho andando perto das barracas.
Falou para a menina de uma barraca que ficaria em seu lugar para que ela descansasse. Quando o matuto passou em sua frente, falou "Matuto, essa barraca do beijo é só para você!".
O matuto olhou com desdém, respondeu que não gostava de mulheres assanhadas.
Ela ligou o foda-se, não era assanhada, tinha atitude e era dona de si.

sábado, 28 de junho de 2014

SMS...

Biiii.
Procura o celular na bolsa.
Pega o celular.
Desbloqueia a tela.
Mensagem.
Lê.
"Seus créditos estão acabando. Não fique sem falar."
Apaga a mensagem inútil.
Volta a pensar na vida.

Biiii.
Procura o celular na bolsa.
Pega o celular.
Desbloqueia a tela.
Mensagem.
Lê.
"Promoção imperdível. Ligue agora."
Apaga a mensagem inútil.
Volta a pensar na vida.

Biiii.
Procura o celular na bolsa.
Pega o celular.
Desbloqueia a tela.
Mensagem.
Lê.
"Parabéns! Você ganhou uma ilha."
Apaga a mensagem inútil.
Volta a pensar na vida.

Biiii.
Procura o celular na bolsa.
Pega o celular.
Desbloqueia a tela.
Mensagem.
Lê.
"Aprenda inglês. Mande sms para 0000."
Apaga a mensagem inútil.
Volta a pensar na vida.

Biiii.
Procura o celular na bolsa.
Pega o celular.
Desbloqueia a tela.
Mensagem.
Lê.
"Oi."
Sorri.
Relê.
Sorriso aberto.
Trilê.
Sorriso de orelha a orelha.
Lê mais uma vez.
Felicidade estampada.

Seu dia será mil vezes mais animado.
A mensagem mais útil da semana.
A mais esperada.
Quando vem daquela pessoa.
O conteúdo não importa.
Importa a lembrança.
"Oi" = "Pensei em você"
Lê mais uma vez.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Sintomas...

Boca seca.
Coração acelerado.
Respiração descompassada.



Frio na barriga.
Dor no peito.
Corpo mole.



Cabeça confusa.
Tudo mais cinza.
Insônia.



Coração partido?
Não.
Gripe!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Anúncio...

Desce do ônibus. Atravessa a rua. Anda por 100 metros. Pára. Olha para o letreiro do local. JORNAL. Abre a porta. Anda até a recepcionista. Pergunta. Ouve a resposta. Anda até o elevador. 10º andar. Sai do elevador. Anda pelo corredor contando as portas. Sala 1010. Abre a porta. Fala com o atendente. Pega o papel que lhe é entregue. Pega a caneta na bolsa. Escreve. Entrega ao atendente. Paga o valor cobrado. Sai da sala, do elevador, do prédio sem olhar para trás. Está esperançosa. Vai dar tudo certo. No outro dia receberá A ligação. Será feliz. Dentro da sala 1010, o rapaz lê o papel. Estranha o escrito. Mostra ao supervisor. Ele também estranha. Mostra ao editor. Ele manda ligar para  ela. O telefone toca. Atende animada. Perguntam se tem certeza do que escreveu. Confirma tudo. O atendente avisa sobre a conversa ao editor. Ele aceita que seja publicado. No outro dia, sai o anúncio.
"PROCURA-SE um rapaz. Ele é moreno. Alto, mas não muito, é maior do que eu. Ele tem olhos escuros que brilham. Suas maçãs do rosto são salientes e moldam seu sorriso sincero.
PROCURA-SE o rapaz. Ele usa boné. Ele tem um andar firme. Ele tem uma conversa interessante. Ele é mais velho que eu. Ele roubou meu coração.
Quem encontrar ou souber desse rapaz, me telefone, preciso pegar meu coração de volta."
Na manhã seguinte. Acordou. Saiu de casa. Caminhou até a padaria. Comprou o jornal. Pegou o ônibus. Desceu. Foi para o trabalho. Cumpriu seus prazos. Saiu para o almoço. O telefone tocou. Abaixou a cabeça. Procurou o telefone na bolsa. Pegou o aparelho. Atendeu. Ouviu a voz do dito rapaz. Ficou branca. Lívida. Caiu no chão. As pessoas se amontoaram. Estava morta. Fora morta por um tiro certeiro em seu coração. O assassino aproximou-se. Olhou-a pela última vez. Andou calmamente entre os transeuntes. Seguiu sua vida. O autor: O RAPAZ DO JORNAL!