Ariano,
Estudei por três dias no Marista e quando mudei de escola, sabia que algo bom estava reservado para mim. Tive uma infância marcada por apresentações, danças, cantos e qualquer outra arte que pudesse ser mostrada às pessoas da minha escola.
Quando me mudei para essa nova escola, fui tomada por uma timidez e me desesperei com apresentações de "Artes" e as peças do professor Marculino. Ele era professor de teatro, nos ensinava português e nos obrigava a interpretar personagens, mesmo que quiséssemos ficar nos bastidores. Sofri um bocado até que tentei entrar no grupo de teatro pra vê se a timidez saía de mim. Ledo engano.
Marculino nos deixou, Ariano, você deve encontrá-lo onde estás, mas, fomos presentados por aulas com Josete. Não nego, tinha medo dela, diziam que a prova era impassável, mas, ela me encantou quando me apresentou a você.
Josete era, é e acredito que sempre será sua fã. Primeiro, ela me ganhou quando nos permitiu nos encontrar dentro do planejamento da peça. Atores, figurinistas, adaptadores. Ao todo foram três textos seus: O Casamento Suspeitoso, O Auto da Compadecida, O Santo e a Porca. Se no primeiro, a novidade era o desafio. O segundo foi o ápice, afinal, adaptamos a partir do filme e tive que copiar cada frase dita nele para fazer essa tarefa (obrigada, papi). O terceiro foi cansativo pela loucura que é o vestibular e as poucas pessoas que se dispuseram a perder algum tempo de estudo para isso.
Bem, Ariano, gostaria de ti parabenizar. Nunca ti conheci pessoalmente, mas, ti convidamos uma vez para nos assistir. Assisti trechos de suas aulas-espetáculos pelo computador, não vou negar, que fui egoísta, eu gostaria que você ficasse bom para ter a oportunidade de ti ver.
Ariano, só li os livros que adaptei. Conheço o auto da compadecida de trás pra frente, não posso dizer que era sua seguidora, mas, ti admirava.
Tinha orgulho de saber que não era pernambucano, mas, paraibano (me sentia como se soubesse um segredo seu). Seus últimos dias foram de doença e dor, agora, todo o sofrimento passou e espero que você esteja bem.
Obrigada, Ariano, por ser tão você, por não ter medo de ser bairrista (os pernambucanos são e você era de coração), por não nos esconder sua literatura. Você se foi em matéria, mas, seu legado ficará para as gerações futuras.
Por último preciso revelar algo, Ariano, quando eu adaptava seus textos me sentia um pouco você, tentando tornar realidade aquilo que escrevestes. Então, obrigada por me deixar ser um pouco Ariana. Fica um vazio em mim.
Descanse em paz.
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