Alta madrugada. Pessoas dentro de suas casas. Mendigos dormindo na rua. Até os animais se recolheram. Nesse horário ermo. Sem vida na rua.
O poste olhava o banco. O banco olhava a fonte. O poste tentava conversar. Perguntava sobre quem tinha passado por lá.
O banco olhando a fonte quieta, respondia no automático.
O poste insistia. O banco falava suas histórias. O poste analisava cada história.
O banco sem enxergar o poste só olhava para a fonte. O poste buscava chamar sua atenção timidamente.
O banco contava das reformas da fonte. De cada praça que tinha passado e como fora ignorado por cada fonte.
O poste mandava ele parar de olhar só para frente, deveria parar de buscar só as fontes.
O banco não ouvia, só olhava a fonte quieta. O poste mandou o banco abrir os horizontes, olhar para cima.
O banco parou para ouvir. O poste se complicava ao explicar. A fonte quieta, o banco a olhar e ouvir o poste.
O banco começava a entender. O poste se enrolava mais e mais.
O banco num súbito de perspicácia, parecia que resolve enxergar o que o poste tava a horas tentando falar.
Como na mediação, o poste falava nas entrelinhas e o banco parecia estar lendo as letras miúdas.
O poste envergonhado que estava clareando demais, se apagou e acabou o assunto.
O banco confuso, voltou a olhar a fonte.
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