quinta-feira, 26 de junho de 2014

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Desce do ônibus. Atravessa a rua. Anda por 100 metros. Pára. Olha para o letreiro do local. JORNAL. Abre a porta. Anda até a recepcionista. Pergunta. Ouve a resposta. Anda até o elevador. 10º andar. Sai do elevador. Anda pelo corredor contando as portas. Sala 1010. Abre a porta. Fala com o atendente. Pega o papel que lhe é entregue. Pega a caneta na bolsa. Escreve. Entrega ao atendente. Paga o valor cobrado. Sai da sala, do elevador, do prédio sem olhar para trás. Está esperançosa. Vai dar tudo certo. No outro dia receberá A ligação. Será feliz. Dentro da sala 1010, o rapaz lê o papel. Estranha o escrito. Mostra ao supervisor. Ele também estranha. Mostra ao editor. Ele manda ligar para  ela. O telefone toca. Atende animada. Perguntam se tem certeza do que escreveu. Confirma tudo. O atendente avisa sobre a conversa ao editor. Ele aceita que seja publicado. No outro dia, sai o anúncio.
"PROCURA-SE um rapaz. Ele é moreno. Alto, mas não muito, é maior do que eu. Ele tem olhos escuros que brilham. Suas maçãs do rosto são salientes e moldam seu sorriso sincero.
PROCURA-SE o rapaz. Ele usa boné. Ele tem um andar firme. Ele tem uma conversa interessante. Ele é mais velho que eu. Ele roubou meu coração.
Quem encontrar ou souber desse rapaz, me telefone, preciso pegar meu coração de volta."
Na manhã seguinte. Acordou. Saiu de casa. Caminhou até a padaria. Comprou o jornal. Pegou o ônibus. Desceu. Foi para o trabalho. Cumpriu seus prazos. Saiu para o almoço. O telefone tocou. Abaixou a cabeça. Procurou o telefone na bolsa. Pegou o aparelho. Atendeu. Ouviu a voz do dito rapaz. Ficou branca. Lívida. Caiu no chão. As pessoas se amontoaram. Estava morta. Fora morta por um tiro certeiro em seu coração. O assassino aproximou-se. Olhou-a pela última vez. Andou calmamente entre os transeuntes. Seguiu sua vida. O autor: O RAPAZ DO JORNAL!

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