Comprara a saia para um evento.
Tantas momentos vividos e ela
ficara marcada por um único.
Deixara de ser pano costurado,
fazia parte da história,
da minha história.
Aquela saia,
aquela blusa,
aquela lingerie,
aquela sandália.
Um a um foi sendo desfeito.
Sobrevivera em fotos
e lembranças.
O sutiã não mais usado.
A blusa visível no quadro.
A calcinha para certos momentos.
A sandália doada.
A saia sempre usada.
Tudo ficara velho como o evento.
A saia permanecera.
Rasgada e costurada.
Se sentia confortável,
vestindo-a.
Não se desfazia da saia,
como não se desfazia das lembranças.
Era uma cicatriz que levava para passear.
A deixava participar de outros eventos,
para regravar nela novas lembranças.
Todo mundo, já vira a saia.
A saia fazia parte dela.
Até que a saia sumiu.
domingo, 22 de fevereiro de 2015
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Xepa...
Em pé naquele sinal, a mulher via os carros parando e escolhendo as outras mulheres. Uma a uma era escolhida e ela ia ficando.
Olhava para trás e via o olhar de reprovação de sua chefa. Sabia que pagaria caro se não fosse escolhida ou não conseguisse o lucro do dia.
Toda noite era assim, toda noite ela lembrava da época do colégio quando era a última a ser chamada para o time na Educação Física.
Toda noite, ela era chamada de Xepa... Já nem lembrava mais seu nome, se estivesse numa feira, ela era a fruta podre e descartada.
A cada noite se produzia mais, a cada noite ficava mais afoita para chamar atenção, era a primeira a abordar os carros, mas, a última a ser chamada.
Muitas vezes, rezava baixinho para que as outras demorassem no serviço e ela pudesse ficar sozinha no sinal, se não tivesse ninguém para disputar, ela seria escolhida.
Muitas vezes, dizia um preço menor e diminuía sua comissão para garantir que fosse escolhida rapidamente.
Odiava ser a Xepa, mas, não sabia como não ser.
Não sabia como deixar de ser Xepa, porque sempre fora a preterida.
Mesmo quando era nova no serviço, era considerada a última opção.
Não importava tudo a que se sujeitasse, não importava todas as habilidades, era e sempre seria a Xepa...
Finalmente, ficara sozinha no sinal. O carro que parasse a escolheria, não tinha concorrência.
O carro parou, viu a Xepa e deu partida.
Até quando era a única opção, a mulher não era escolhida.
Olhou para a chefa e viu desgosto em seu olhar.
Não aguentava mais ser Xepa, chorou em silêncio.
Viu um carro vindo em alta velocidade e se atirou contra ele.
Olhava para trás e via o olhar de reprovação de sua chefa. Sabia que pagaria caro se não fosse escolhida ou não conseguisse o lucro do dia.
Toda noite era assim, toda noite ela lembrava da época do colégio quando era a última a ser chamada para o time na Educação Física.
Toda noite, ela era chamada de Xepa... Já nem lembrava mais seu nome, se estivesse numa feira, ela era a fruta podre e descartada.
A cada noite se produzia mais, a cada noite ficava mais afoita para chamar atenção, era a primeira a abordar os carros, mas, a última a ser chamada.
Muitas vezes, rezava baixinho para que as outras demorassem no serviço e ela pudesse ficar sozinha no sinal, se não tivesse ninguém para disputar, ela seria escolhida.
Muitas vezes, dizia um preço menor e diminuía sua comissão para garantir que fosse escolhida rapidamente.
Odiava ser a Xepa, mas, não sabia como não ser.
Não sabia como deixar de ser Xepa, porque sempre fora a preterida.
Mesmo quando era nova no serviço, era considerada a última opção.
Não importava tudo a que se sujeitasse, não importava todas as habilidades, era e sempre seria a Xepa...
Finalmente, ficara sozinha no sinal. O carro que parasse a escolheria, não tinha concorrência.
O carro parou, viu a Xepa e deu partida.
Até quando era a única opção, a mulher não era escolhida.
Olhou para a chefa e viu desgosto em seu olhar.
Não aguentava mais ser Xepa, chorou em silêncio.
Viu um carro vindo em alta velocidade e se atirou contra ele.
Assinar:
Postagens (Atom)