Maria acordou, se arrumou, foi para aula. Aquele era um dia como outro qualquer, com a diferença que Maria teria um compromisso a noite.
Maria fingia indiferença, afastava de sua mente cada pensamento do tal compromisso que pudessem deixá-la ansiosa ou criar expectativas.
Mas, o coração de Maria sentia que algo estava diferente e como se quisesse avisá-la, ele dói leve, batia fraquinho.
Chegou a tarde e começou a anoitecer. Maria teve um imprevisto e seu dia que tinha passado no ritmo lento de seu coração, ficou frenético.
Parecia que Maria estava correndo uma maratona. O rapaz a esperava no local combinado. Maria corria. Os outros amigos chegaram e se juntaram ao rapaz.
A peça de teatro começaria. O grupo de amigos foi para a fila. Maria corria.
De repente, Maria se sentiu mais leve. Toda a correria havia diminuído e Maria flutuava. Ela não entendia. O espetáculo começou. O grupo de amigos entrou e o rapaz mandou um sms perguntando onde Maria estava.
Não sabia ele que Maria estava ao seu lado. Ela era uma mosca quietinha que estava no braço de sua cadeira e com o escuro do local, ele não viu.
Maria havia se transformado em Mosca, bem que seu coração estava doendo, ele estava diminuindo para a transformação.
Curiosa como era, Maria sempre quis virar mosca para ouvir as conversas dos seus amigos quando estivesse longe. Mas não naquele dia específico. Os celulares dos amigos e do rapaz reiniciaram e quando religaram todos os sms de Maria e o número dela tinham sumido. Eles não notaram.
Os amigos comentavam de uma outra peça de teatro que haviam visto e tentavam lembrar a história.
Um deles lembrou vagamente o enredo. Maria no braço da cadeira, lembrava exatamente toda a história.
O rapaz elencou todas as pessoas que foram. Não citou Maria. Maria se sentia como se nunca tivesse existido. Todas as histórias que ela esteve presente foram relembradas sem que falassem dela.
A peça recomeçou. A peça terminou. As luzes se acenderam. O grupo se levantou. O rapaz não viu a Mosca no braço de sua cadeira. Todos foram embora. Maria Mosca saiu, voou até sua casa e se deitou em sua cama.
domingo, 30 de novembro de 2014
domingo, 23 de novembro de 2014
A casa e o muro...
A casa foi cercada. Um tempo depois, fizeram um muro e então a casa estava segura. Os moradores iniciais morreram e seus filhos foram embora.
Naquele lugar ermo, a casa foi abandonada. O muro a escondia dos poucos transeuntes e a grama crescia cada vez mais.
Com o tempo, as plantas começaram a invadir a casa, subiram no muro.
A falta de manutenção e alguns animais criaram buracos no muro.
O mar se aproximava cada vez mais e batia violentamente no muro, queria derrubá-lo e invadir a casa.
O mar não entendia que era mais fácil entrar pelos pequenos buracos que vencer o muro rachado.
O muro vencia, a casa continuava escondida.
Dia após dia, ano após ano, a casa resistia e o muro a defendia.
Verdade, que com o tempo, a construção foi enfraquecendo. Os buracos e rachaduras do muro aumentavam mais e mais.
A plantação invadia cada vez mais os cômodos, do lado externo já chegara no telhado.
As pessoas passavam por lá e não viam o que estava acontecendo. Por conta do muro, nunca tinham visto como a casa fora bonita.
Quando a cerca existia, ela defendia, mas, mostrava.
O muro protegia e escondia.
Para as pessoas, aquele era um mundo inexistente.
Os filhos morreram e os filhos dos filhos não tinham intenção em resgatar aquele passado.
Alguns acreditavam que ela fosse mal assombrada. Algumas crianças diziam que morava uma bruxa.
O mar continuava insistindo. Suas águas invadiram muitas vezes pelos buracos, criavam rachaduras. Os animais entravam, o muro estava cada vez mais fragilizado. A casa a cada dia mais vulnerável.
Era preciso que alguém retornasse e restaurasse tudo.
Naquele lugar ermo, a casa foi abandonada. O muro a escondia dos poucos transeuntes e a grama crescia cada vez mais.
Com o tempo, as plantas começaram a invadir a casa, subiram no muro.
A falta de manutenção e alguns animais criaram buracos no muro.
O mar se aproximava cada vez mais e batia violentamente no muro, queria derrubá-lo e invadir a casa.
O mar não entendia que era mais fácil entrar pelos pequenos buracos que vencer o muro rachado.
O muro vencia, a casa continuava escondida.
Dia após dia, ano após ano, a casa resistia e o muro a defendia.
Verdade, que com o tempo, a construção foi enfraquecendo. Os buracos e rachaduras do muro aumentavam mais e mais.
A plantação invadia cada vez mais os cômodos, do lado externo já chegara no telhado.
As pessoas passavam por lá e não viam o que estava acontecendo. Por conta do muro, nunca tinham visto como a casa fora bonita.
Quando a cerca existia, ela defendia, mas, mostrava.
O muro protegia e escondia.
Para as pessoas, aquele era um mundo inexistente.
Os filhos morreram e os filhos dos filhos não tinham intenção em resgatar aquele passado.
Alguns acreditavam que ela fosse mal assombrada. Algumas crianças diziam que morava uma bruxa.
O mar continuava insistindo. Suas águas invadiram muitas vezes pelos buracos, criavam rachaduras. Os animais entravam, o muro estava cada vez mais fragilizado. A casa a cada dia mais vulnerável.
Era preciso que alguém retornasse e restaurasse tudo.
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Ceci...
Ceci, eu já lhe disse que não faça isso. Pare de olhar para o moço de barba. Pare de olhar para a boca, olho dele. Você não é esse tipo de mulher.
Pare, Ceci, me obedeça agora. Ceci, você está parecendo a rapariga que lhe chamaram outrora. Ceci, eu estou vendo, você está toda se querendo. Comporte-se, dona Ceci.
Olhe pra você e diga que é impossível uma aproximação carnal, sentimental ou o escambau. Não, Ceci, finja que seu coração não existe.
Eu sou muito mais racional que aquele idiota do coração, então, trate de mantê-lo muito bem preso e sem qualquer influência nos seus atos.
Não, Ceci, eu já disse, fique quieta. Seja sarcástica, sarcasmo é uma ótima forma de fingir indeferença.
Vamos Ceci, lembre-se que daí só sai amizade ou nem isso, o moço de barba não está olhando para você.
Ceci, não fale, não olhe, não permita uma aproximação além do limite de segurança.
Ok, Ceci, vou deixar você falar. E não estou amolecendo, é só pra ti deixar um pouco mais feliz, tou precisando daqueles hormônios da felicidade e assim, nem a insegurança do mundo vai ti entristecer.
Ceci, um minutinho que eu ti deixo livre, você já apronta. Não acredito que você falou isso, que deu tamanha bandeira. Ceci, você é uma idiota. Agora, reverta essa confusão. O que o moço vai pensar? Ele vai ser mais um no coro de que não quer seu tipo de mulher. Certo, Ceci, você pode me rebater mil vezes e dizer que é feminista, mas, eu ti lembro das amarras sociais e cutuco naquelas suas lembranças. Se você continuar rebelde assim, Ceci, ele vai fazer parte daquele coro de "eu só quero ti comer".
Hmmmmm, muito bem, Ceci, vejo que você me deixou no controle de novo. Boa menina, Ceci. Coração é um idiota mesmo, não vale a pena escutar ele.
Ouviu, essa pergunta, Ceci? Olho pro moço e diga "não". Sem pensar, Ceci, "não". Eu sei que é "sim", Ceci, mas, eu sou muito mais racional que você.
Nem adianta tentar retomar sua autonomia agora, já me obedeceu, já disse "não", vou ser bonzinho e ti ajudar a se achar na história.
Não fique desconcertada, Ceci. Qual o problema? Você não fez nada de errado, legítima defesa não é nem crime, criatura.
Não adianta querer voltar atrás, Ceci. Conforme-se. Seu lugar, Ceci, é por trás desse muro e enquanto você insistir em tentar se rebelar ou em soltar seu coração, Ceci, eu vou ter que ser autoritário assim.
Não fique chateada, Ceci, tudo que faço é pro seu bem. Você queria ter dito "sim" e ouvido risadas? Olhe pra você, como o moço de barba poderia querer concretizar sua expectativa?
Lembra de tudo o que foi falado por todos os outros? Pois é, Ceci, eu sei que machuca, mas, é bom que você deixa de frescura e relembra que esse tipo de coisa não é pra você.
Ceci, entenda, pra você só resta a amizade ou aquele seu lado negro, devasso, será revelado e a gente já combinou que isso não ocorreria, né?
Então, Ceci, deixe de birra. Amigos de novo?
Muito bem e pra você não dizer que sou chato, vou ti deixar lembrar detalhadamente cada fato.
Tá bom, Ceci, estou cansado. Vamos dormir? Boa noite. Sim, um aviso, eu vou descansar, viu, nada de pensar que ti deixarei sonhar. Será um sono sem imagens, porque hoje foi puxado, você é muito teimosa e impulsiva, Ceci, quase colocou tudo a perder e esse seu cérebro amigo precisa relaxar.
Pare, Ceci, me obedeça agora. Ceci, você está parecendo a rapariga que lhe chamaram outrora. Ceci, eu estou vendo, você está toda se querendo. Comporte-se, dona Ceci.
Olhe pra você e diga que é impossível uma aproximação carnal, sentimental ou o escambau. Não, Ceci, finja que seu coração não existe.
Eu sou muito mais racional que aquele idiota do coração, então, trate de mantê-lo muito bem preso e sem qualquer influência nos seus atos.
Não, Ceci, eu já disse, fique quieta. Seja sarcástica, sarcasmo é uma ótima forma de fingir indeferença.
Vamos Ceci, lembre-se que daí só sai amizade ou nem isso, o moço de barba não está olhando para você.
Ceci, não fale, não olhe, não permita uma aproximação além do limite de segurança.
Ok, Ceci, vou deixar você falar. E não estou amolecendo, é só pra ti deixar um pouco mais feliz, tou precisando daqueles hormônios da felicidade e assim, nem a insegurança do mundo vai ti entristecer.
Ceci, um minutinho que eu ti deixo livre, você já apronta. Não acredito que você falou isso, que deu tamanha bandeira. Ceci, você é uma idiota. Agora, reverta essa confusão. O que o moço vai pensar? Ele vai ser mais um no coro de que não quer seu tipo de mulher. Certo, Ceci, você pode me rebater mil vezes e dizer que é feminista, mas, eu ti lembro das amarras sociais e cutuco naquelas suas lembranças. Se você continuar rebelde assim, Ceci, ele vai fazer parte daquele coro de "eu só quero ti comer".
Hmmmmm, muito bem, Ceci, vejo que você me deixou no controle de novo. Boa menina, Ceci. Coração é um idiota mesmo, não vale a pena escutar ele.
Ouviu, essa pergunta, Ceci? Olho pro moço e diga "não". Sem pensar, Ceci, "não". Eu sei que é "sim", Ceci, mas, eu sou muito mais racional que você.
Nem adianta tentar retomar sua autonomia agora, já me obedeceu, já disse "não", vou ser bonzinho e ti ajudar a se achar na história.
Não fique desconcertada, Ceci. Qual o problema? Você não fez nada de errado, legítima defesa não é nem crime, criatura.
Não adianta querer voltar atrás, Ceci. Conforme-se. Seu lugar, Ceci, é por trás desse muro e enquanto você insistir em tentar se rebelar ou em soltar seu coração, Ceci, eu vou ter que ser autoritário assim.
Não fique chateada, Ceci, tudo que faço é pro seu bem. Você queria ter dito "sim" e ouvido risadas? Olhe pra você, como o moço de barba poderia querer concretizar sua expectativa?
Lembra de tudo o que foi falado por todos os outros? Pois é, Ceci, eu sei que machuca, mas, é bom que você deixa de frescura e relembra que esse tipo de coisa não é pra você.
Ceci, entenda, pra você só resta a amizade ou aquele seu lado negro, devasso, será revelado e a gente já combinou que isso não ocorreria, né?
Então, Ceci, deixe de birra. Amigos de novo?
Muito bem e pra você não dizer que sou chato, vou ti deixar lembrar detalhadamente cada fato.
Tá bom, Ceci, estou cansado. Vamos dormir? Boa noite. Sim, um aviso, eu vou descansar, viu, nada de pensar que ti deixarei sonhar. Será um sono sem imagens, porque hoje foi puxado, você é muito teimosa e impulsiva, Ceci, quase colocou tudo a perder e esse seu cérebro amigo precisa relaxar.
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