Maria acordou, se arrumou, foi para aula. Aquele era um dia como outro qualquer, com a diferença que Maria teria um compromisso a noite.
Maria fingia indiferença, afastava de sua mente cada pensamento do tal compromisso que pudessem deixá-la ansiosa ou criar expectativas.
Mas, o coração de Maria sentia que algo estava diferente e como se quisesse avisá-la, ele dói leve, batia fraquinho.
Chegou a tarde e começou a anoitecer. Maria teve um imprevisto e seu dia que tinha passado no ritmo lento de seu coração, ficou frenético.
Parecia que Maria estava correndo uma maratona. O rapaz a esperava no local combinado. Maria corria. Os outros amigos chegaram e se juntaram ao rapaz.
A peça de teatro começaria. O grupo de amigos foi para a fila. Maria corria.
De repente, Maria se sentiu mais leve. Toda a correria havia diminuído e Maria flutuava. Ela não entendia. O espetáculo começou. O grupo de amigos entrou e o rapaz mandou um sms perguntando onde Maria estava.
Não sabia ele que Maria estava ao seu lado. Ela era uma mosca quietinha que estava no braço de sua cadeira e com o escuro do local, ele não viu.
Maria havia se transformado em Mosca, bem que seu coração estava doendo, ele estava diminuindo para a transformação.
Curiosa como era, Maria sempre quis virar mosca para ouvir as conversas dos seus amigos quando estivesse longe. Mas não naquele dia específico. Os celulares dos amigos e do rapaz reiniciaram e quando religaram todos os sms de Maria e o número dela tinham sumido. Eles não notaram.
Os amigos comentavam de uma outra peça de teatro que haviam visto e tentavam lembrar a história.
Um deles lembrou vagamente o enredo. Maria no braço da cadeira, lembrava exatamente toda a história.
O rapaz elencou todas as pessoas que foram. Não citou Maria. Maria se sentia como se nunca tivesse existido. Todas as histórias que ela esteve presente foram relembradas sem que falassem dela.
A peça recomeçou. A peça terminou. As luzes se acenderam. O grupo se levantou. O rapaz não viu a Mosca no braço de sua cadeira. Todos foram embora. Maria Mosca saiu, voou até sua casa e se deitou em sua cama.
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