quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Ana Cora 2024...

Pasárgada, 31 de Dezembro de 2024...

Querido Diário (OMG, que coisa brega),

Sei que deixei de escrever em diários desde que existia o diário virtual do igirl, que feliz ou infelizmente foi desativado e com ele todas as conversas e mensagens que serviam de provas de um passado que eu gostaria que nunca tivesse existido, mas, não vim falar sobre meus diários...

Então, o que estou fazendo aqui? Hoje é 31 de dezembro, ou seja, dia de retrospectiva...

Como foi esse ano para mim? Ah, foi um ano diferente, uma nova fase da minha vida começou e espero que ela seja breve para que novas fases comecem e que sejam tão divertidas quanto essa, porém, mais agitadas... Contudo, também não foi das fases da minha vida que vim falar...

É, diário, vim falar desse ano 2024...

Um ano interessante... Lembra de quando eu escrevia quase sempre e parei? Se na História tem a Idade das Trevas, eu passei pela minha fase de trevas, foram praticamente 08 anos de silêncio e quando paro para pensar nem parece que faz tanto tempo...

Bem, não sei dizer direito o que aconteceu, mas, a Idade das Trevas acabou e espero que seja definitivo...

Não me sinto mais oca por dentro, voltei a ter sentimentos sabe e tenho me sentido viva...

Se nada tivesse acontecido de bom esse ano, diário querido, isso já teria feito o ano valer a pena...

Lembro que cheguei a escrever que me sentia um robô, sem coração, sem sentimentos e que a época que eu escrevia parecia um tempo distante, faltava inspiração, faltavam histórias, faltava vontade...

O que mudou?
Não mudei hábitos e as mudanças que tem acontecido na minha vida nem são fruto de uma vontade consciente, mas, unicamente, a vida que segue...

Sei lá, não surgiram pessoas extremamente impactantes, revi alguns relacionamentos, estreitei alguns, relaxei outros, poucos surgiram, abandonei alguns, nada de espetacular, na verdade, nada que não fosse a vida seguindo seu ritmo natural...

Se de uns tempo para cá, eu tava ensaiando descongelar meu coração e me permitindo olhar outras pessoas com desejo... Esse ano, me permiti ser um pouco mais enfática nesse processo... Não, não voltei a ser aquela garota que chegava e dizia "gosto de você", mas, ela não morreu completamente, as metáforas substituiram o explícito...

Eu realmente não sei o que mudou, quer dizer, sei... Eu amadureci, existem pessoas que me apoiam, existem pessoas que se interessam...

Criei um blog como forma de uma nova retomada... Coloquei muitos textos antigos nele, mas, os textos são finitos, alguns que eu gostaria de ter colocado perdi, outros não fazem mais sentido, escrevi algumas coisas novas, passei um tempo de silêncio por problemas com o blog, mas, senti falta de escrever e essa falta me fez feliz...

Tenho escrito com mais frequencia... Tenho gostado cada vez mais dos meus textos... Tou buscando me distanciar cada vez mais deles, mesmo que o plano de fundo ou a ideia inicial ainda tenha muito de mim...

Se o fato de não ser mais oca, doeu? Doeu e muito. Na época das trevas, meu sofrimento era por ser um robô, mas, eu não sentia meu coração ser esmagado em milhões de pedaços e isso era bem confortável... Passei por isso mais rápido do que imaginei, uma amiga antiga para dar o choque de realidade e me mostrar porque me prometi não cair nessa roubada de novo"não querer ver meus amigos decepcionados comigo" e algumas amigas para através do choque e wtf me mostrar o quanto sou louca...

Sabe, diário, estamos em 2024 e parece que depois de quase 08 anos minha vida tem saído do piloto automático e tou tomando as rédeas dela... Muito obrigado por me permitir ti revisitar e fazer essa retrospectiva...

Que em 2025, eu não me cale, eu me surpreenda cada vez mais... Que seja um ano excelente, com todos os sentimentos: raiva, tristeza, amizade, carinho, amor, ciúme... E que tudo vivido permita muitos e muitos e muitos e muitos textos, seja crônica, poesia, desabafo, pensamento, carta...

Que as palavras não me abandonem de novo e que a idade das trevas não retornem...

Um 2025 de muitos textos pra mim e pra vocês...

Com afeto,

Ana Cora.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Gabriel e Bruno...

Gabriel e Bruno eram um casal. No dia do casamento, o celebrante os tornou "um só corpo e uma só carne", mas, que ser humano contraditório foi criado.

Gabriel gostava de livros.
Bruno gostava dos números.

Gabriel gostava de mpb.
Bruno gostava de brega.

Gabriel gostava de literatura.
Bruno odiava português.

Gabriel vivia offline.
Bruno era 100% online.

Gabriel era desligado.
Bruno era curioso.

Gabriel não rendia as histórias.
Bruno se envolvia, comentava, se preocupava.

Gabriel debatia generalidades.
Bruno dava conselhos.

Um dia, o casal se mudou. Eles que viviam felizes, apesar das diferenças, chegaram na Preconceilândia. As pessoas não entendiam como eles se amam, mesmo sendo opostos.

Uma fada resolveu intervir e acabar com o casal tão improvável, aquele ser formado pelos dois, era confuso demais para aquela população.

Gabriel virou um girino.
Bruno virou uma bola.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Ímpar ou Par...

Gosto de questionários.
Quem é você?
Chá ou leite?
Qual seu número preferido?

Eu sou eu.
Leite.
Número par.

Gosto de contagem regressiva.
Dez,
Oito,
Seis,
Quatro,
Dois.

Ser ímpar é um elogio.
Nove,
Sete,
Cinco,
Três,
Um.

Ser ímpar é ser independente.
Ser único.

Eu até gosto de ser ímpar,
Mas se for pra escolher,
Também quero ser seu par!

domingo, 21 de dezembro de 2014

Balões...

Lá vai a menina e seus balões.
Em cada uma deles, tem uma letra.
A menina ganhou os balões de um senhorzinho fofo.
Os balões eram uma caixa de Pandora ao contrário.
As letras formariam o sentimento que a menina deveria compartilhar com o mundo.
A cada passo, seu coração batia.
Ela estava super curiosa.
Mas, o senhorzinho disse que ela não poderia forçá-los.
Os balões se estourariam no tempo certo.
Ela imaginava uma lista de palavras.
Amizade.
Amor.
Felicidade.
A quantidade de balões não dependia da quantidade de letras.
BUM!
Ela olhou e viu "O".
Como os mistérios que rondam o mundo e são inexplicáveis para a inteligência humana.
A cada passo da garota.
BUM!
Ela olhou e viu "H".
O contato com as cordinhas passariam para os balões a missão da garota.
Se outra pessoa segurasse, a palavra seria diferente, o tempo de espera para descobrir seria diferente.
BUM!
Ela olhou e viu "N".
A garota estava cada vez mais curiosa.
Ela estava indo para a casa, mas, pegou o maior caminho.
BUM!
Ela olhou e viu "I".
A garota pensava e pensava.
Por ela, todos os balões se estourariam ao mesmo tempo.
BUM!
Ela olhou e viu "R".
A garota andava.
Tinham vários balões.
As possibilidades eram grandes.
BUM!
Ela olhou e viu "A".
A garota estava chegando em casa. Estava cansada. Havia rodado por várias ruas para dar tempo dos balões estourarem.
A garota precisava descansar.
Chegou na porta de sua casa.
BUM!
Ela olhou e viu "C".
BUM!
BUM!
BUM!
BUM!
Os outros balões estouraram sem sair qualquer letra.
Estava terminado.
Ela finalmente descobriria.
A garota entrou em casa.
Sentou na mesa.
Pegou as letras que estavam na sua bolsa.
Formou a palavra e descobriu qual sentimento deveria espalhar.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O caracol e a formiga...

A formiga
O caracol.

A formiga serelepe.
O caracol paciente.

O tempo passava
Tic-tac.

Devagar para
a formiga.

Rápido para
o caracol.

A rápida formiga
pisava em ovos.

O lento caracol
corria.

As cartas jogadas na mesa
Espécies não se misturam.

Caracol de um lado.
Formiga do outro.

Raias paralelas.
Não se cruzam.

domingo, 14 de dezembro de 2014

O poste, o banco, a fonte...

Alta madrugada. Pessoas dentro de suas casas. Mendigos dormindo na rua. Até os animais se recolheram. Nesse horário ermo. Sem vida na rua.
O poste olhava o banco. O banco olhava a fonte. O poste tentava conversar. Perguntava sobre quem tinha passado por lá.
O banco olhando a fonte quieta, respondia no automático.
O poste insistia. O banco falava suas histórias. O poste analisava cada história.
O banco sem enxergar o poste só olhava para a fonte. O poste buscava chamar sua atenção timidamente.
O banco contava das reformas da fonte. De cada praça que tinha passado e como fora ignorado por cada fonte.
O poste mandava ele parar de olhar só para frente, deveria parar de buscar só as fontes.
O banco não ouvia, só olhava a fonte quieta. O poste mandou o banco abrir os horizontes, olhar para cima.
O banco parou para ouvir. O poste se complicava ao explicar. A fonte quieta, o banco a olhar e ouvir o poste.
O banco começava a entender. O poste se enrolava mais e mais.
O banco num súbito de perspicácia, parecia que resolve enxergar o que o poste tava a horas tentando falar.
Como na mediação, o poste falava nas entrelinhas e o banco parecia estar lendo as letras miúdas.
O poste envergonhado que estava clareando demais, se apagou e acabou o assunto.
O banco confuso, voltou a olhar a fonte.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Almoço ...

Domingo.
Almoço em família.
Todos na mesa.
Não.
Sim.
Talvez sim.
Talvez não.

Pai e mãe conversavam.
Os gêmeos se metem.

NÃO precisamos explicitar tudo.
SIM precisamos.

TALVEZ NÃO seja tão ruim
a dúvida.
TALVEZ SIM seja ruim.

A dúvida NÃO é boa,
que besteira, crianças.

A dúvida é construtiva SIM.
O mistério instiga.

TALVEZ NÃO seja sensato
ser completamente explícito.

TALVEZ SIM essa seja a resposta
ser explícito é a voz do seu eu.

Não.
Sim.
Talvez não.
Talvez sim.

A conversa
acalorou o domingo.

Sem conclusão.

domingo, 7 de dezembro de 2014

ARSC...

Em um ônibus qualquer:
- Prima, você não sabe o que aconteceu?
- Conta.
- Aquele menino fez uma loucura.
- Qual?
- Acho que ele gosta  mesmo de mim, viu.
- Fala logo.
- Tá vendo ali, bem grande, ARSC. Pronto, foi ele que fez.
- Hã?
- Minhas iniciais, prima. Ele pichou nos lugares mais visíveis da cidade, minhas iniciais em minha homenagem.
- Não acredito.
- Sério, achei tão lindinho. Acho que somos almas gêmeas.
- Ooooown. Que fofo.

Na janela de uma edifício:
- Eu acho um absurdo pichação.
- Também acho, é uma falta de educação.
- Pois é, sujam os muros, sujam a rua. E tem uns que fazem umas gigantes, como aquela.
- O que será que significa aquele ARSC?
- Sei lá, deve ser a inicial do idiota ou algum sigla de gangue.
- Verdade, são todos marginais.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Capitu...

Capitu era amiga de Bentinho. Ela gostava dele desde que o viu a primeira vez. Quando seus olhos cruzaram e eles trocaram as primeiras palavras, Capitu se encantou. Bentinho era inteligente, educado, um fofo.
Mas, Capitu sabia que Bentinho era celibatário.
Então, Capitu gostava calada.
Cada vez que Bentinho ia para a casa dela brincar ou ela ia na casa dele conversar. O coração de Capitu saltitava de alegria.
Quando Capitu via Bentinho passando na rua, ela pulava e corria para a janela.
O ruim de gostar em silêncio, era que tudo era talvez.
Quando Bentinho era legal, Capitu achava que ele gostava. Quando Bentinho passava alguns dias sem aparecer, Capitu achava que ele não gostava. Quando Bentinho comprava doce para eles brincarem, Capitu tinha quase certeza que ele gostava. Quando Bentinho ficava jogando com seu Tio Cosme e a deixava conversando com D. Glória, Capitu tinha certeza que não era correspondida.
Outro problema era que Capitu precisava calar seus ciúmes.
Capitu era tão ciumenta quanto Bentinho, mas, ela fingia melhor.
Capitu detestava ir a missa e observar as meninas olhando para Bentinho. Ele era simpático e falava com todas. Capitu não podia cobrar ciúmes ou pareceria uma doida psicótica.
Capitu não gostava de ouvir Tia Justina dizendo o quanto Bentinho era bonito e que se não fosse padre, daria trabalho a D. Glória. Capitu não era nada dele e não podia reclamar.
Cada dia mais, Capitu percebia o martírio que tinha criado para si ao gostar em silêncio daquele garoto educado, que a via como amiga e era celibatário.
Até que um dia, Bentinho chegou em casa contando sobre José Dias que desconfiava da amizade deles.
O coração de Capitu quase chegou na boca e ela pensou que Bentinho finalmente tomaria uma atitude e se declararia.
Bentinho não falou nada. Capitu pensou em um plano de evitar o seminário.
Bentinho finalmente se livrou do seminário. Capitu pensou que finalmente teria sua chance e foi na casa dele dar os parabéns.
Ao chegar na sala, viu uma mulher diferente conversando com a família. Era a irmã de Escobar e noiva de Bentinho.
Capitu quase morreu de tristeza, mas, aceitou o casamento que seu pai lhe arranjou.