Gosto muito de você. Gosto de conversar contigo. Gosto da tua risada. Gosto da sua forma insistente para nos encontrar. Gosto do fato de você gostar de mim.
Não, não quero me relacionar com você. Não quero ti iludir. Não quero que crie expectativas. Não quero que você crie esperanças.
No momento que a gente ficar você vai se apaixonar.
Por acaso, você me vê como uma tola? Você acha que eu sou tão carente assim que sou capaz de me apaixonar no primeiro beijo? Você acha que é tão espetacular que me fará enlouquecer de amor?
Não ti iludi. Conversas subentendidas. Encontros a sós.
Não me iludi. Mas gosto das coisas diretas. Sim ou não. Talvez é cruel. Não subentendido é talvez. Omissão é talvez.
Vários dias planejando o que falar. Contar para a amiga como vontade de fazer e rir. Treinar com a amiga o que seria dito. Nao se concentrar tomando coragem. Sabia a resposta.
Conversamos. Na minha cabeça ia e voltava o que queria dizer. Espere. Uma pergunta. Estou com vergonha. Preciso forçar minha boca a expressar as palavras mil vezes repetidas na mente.
Vomitar cada palavra. De uma vez por todas eliminar o talvez.
Não, nunca houve talvez. Tudo já tinha sido conversado.
Enquanto foi subentendido, não valeu. Quero ouvir todas as palavras. Quero sentir o som do "sim, sabia" e o "não, não quis".
Engoli outras palavras. Ti neguei a continuar o assunto. Comecei o assunto. Não tive coragem para ouvir a continuação.
Nada mais precisava ser dito. No fim das contas, eu só queria ouvir aquele NÃO.
domingo, 28 de junho de 2015
quarta-feira, 24 de junho de 2015
Conselho...
Dois dedos apontados para a amiga.
Conselhos falados e repetidos.
Alguma coisa ficara guardada.
Em algum momento ela a escutaria.
Três dedos apontados para si.
Conselhos dados e repetidos.
Ignorava cada palavra.
Nada daquilo cabia para si.
Amiga, só você que liga.
A pessoa tem que se esforçar.
Só você que perde o sono.
A pessoa tem que ti procurar.
Não notava que só ela se esforçava.
Só ela colocava o celular vibrando quando o sono queria vencer.
Só ela se forçava a manter a conversa.
Só ela procurava.
Amiga, me escuta.
Você merece mais do que isso.
A pessoa tem que ti chamar pra sair.
A pessoa tem que querer estar com você.
Amiga, você está falando para mim.
O espelho reflete você.
Escute suas palavras.
Valorize você também.
Conselhos falados e repetidos.
Alguma coisa ficara guardada.
Em algum momento ela a escutaria.
Três dedos apontados para si.
Conselhos dados e repetidos.
Ignorava cada palavra.
Nada daquilo cabia para si.
Amiga, só você que liga.
A pessoa tem que se esforçar.
Só você que perde o sono.
A pessoa tem que ti procurar.
Não notava que só ela se esforçava.
Só ela colocava o celular vibrando quando o sono queria vencer.
Só ela se forçava a manter a conversa.
Só ela procurava.
Amiga, me escuta.
Você merece mais do que isso.
A pessoa tem que ti chamar pra sair.
A pessoa tem que querer estar com você.
Amiga, você está falando para mim.
O espelho reflete você.
Escute suas palavras.
Valorize você também.
domingo, 21 de junho de 2015
Merecimento...
Amiga,
Você é sensacional.
Você é uma garota incrível.
Você é inteligente e divertida.
Você é linda.
Você não merece migalhas de atenção.
Você não merece ser a única que se importa.
Você não merece ser a única que se esforça.
Você não merece se anular.
Você merece alguém que se doe por inteiro.
Você merece alguém que preze sua companhia.
Você merece alguém que não ti esconda.
Você merece alguém que goste de você.
Amiga,
Me escuta.
Se olha.
Você não merece menos.
Você merece ser feliz!
Você é sensacional.
Você é uma garota incrível.
Você é inteligente e divertida.
Você é linda.
Você não merece migalhas de atenção.
Você não merece ser a única que se importa.
Você não merece ser a única que se esforça.
Você não merece se anular.
Você merece alguém que se doe por inteiro.
Você merece alguém que preze sua companhia.
Você merece alguém que não ti esconda.
Você merece alguém que goste de você.
Amiga,
Me escuta.
Se olha.
Você não merece menos.
Você merece ser feliz!
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Reflexo...
Uma adolescente.
Um rapaz.
Mensagens instantâneas.
Conversas sobre a rotina.
Confiança.
Pequenas brigas.
Pedidos de desculpa dele.
Encontros.
Muita química.
Segurança.
Um coração partido.
Uma jovem.
Um rapaz.
Mensagens super instantâneas.
Vídeo.
Conversas sobre gostos, rotina, pessoas.
Confiança.
Encontros acompanhados.
Desencontros.
Promessa de compensação.
Desejo.
Sem vergonha.
Segurança.
Amizade.
Coração protegido.
Quatro pessoas.
Duas histórias.
Reflexos no espelho.
Faces da mesma moeda...
Um rapaz.
Mensagens instantâneas.
Conversas sobre a rotina.
Confiança.
Pequenas brigas.
Pedidos de desculpa dele.
Encontros.
Muita química.
Segurança.
Um coração partido.
Uma jovem.
Um rapaz.
Mensagens super instantâneas.
Vídeo.
Conversas sobre gostos, rotina, pessoas.
Confiança.
Encontros acompanhados.
Desencontros.
Promessa de compensação.
Desejo.
Sem vergonha.
Segurança.
Amizade.
Coração protegido.
Quatro pessoas.
Duas histórias.
Reflexos no espelho.
Faces da mesma moeda...
domingo, 14 de junho de 2015
Festa...
Música rolando.
Pessoas dançando.
Felicidade em cada rosto.
Alheia a tudo.
A cabeça girando em uma única palavra:
POR QUE?
Por que ele é tímido pessoalmente?
Por que na rede social é mais fácil?
Por que me esconder?
Casais dançando juntos.
Pessoas bebendo.
O cantor super animado.
Fingindo fazer algum passo de dança.
Forçando um sorriso nos lábios.
A mente buscando uma resposta.
A culpa é minha por ser inadequada.
A culpa é minha por ele ter vergonha de mim.
A culpa é minha por ser quem sou.
Um rapaz olha, se aproxima.
Se afasta antes que ele fale.
Ao redor de si tem um arame farpado.
Pessoas dançando.
Felicidade em cada rosto.
Alheia a tudo.
A cabeça girando em uma única palavra:
POR QUE?
Por que ele é tímido pessoalmente?
Por que na rede social é mais fácil?
Por que me esconder?
Casais dançando juntos.
Pessoas bebendo.
O cantor super animado.
Fingindo fazer algum passo de dança.
Forçando um sorriso nos lábios.
A mente buscando uma resposta.
A culpa é minha por ser inadequada.
A culpa é minha por ele ter vergonha de mim.
A culpa é minha por ser quem sou.
Um rapaz olha, se aproxima.
Se afasta antes que ele fale.
Ao redor de si tem um arame farpado.
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Sinto falta...
Sinto falta do seu jeito desligado.
Sinto falta de rir da sua conversa louca.
Sinto falta de fingir que não me importo.
Sinto falta de pensar cada detalhe da minha roupa para parecer que vesti a primeira que vi.
Sinto falta da sua voz.
Sinto falta de ti abraçar e tentar fugir dos teus braços.
Sinto falta de ficar com vergonha perto de você.
Sinto falta da sua lógica ilógica.
Sinto falta de dosar minhas palavras.
Sinto falta de nunca ti responder quando está online só pra poder pensar em cada vírgula.
Sinto falta de tentar parecer desinteressada.
Sinto falta de como nossa conversa flui pessoalmente.
Sinto falta de ti olhar e pensar "me beija".
Sinto falta de criar teorias e me perder no meio delas só pra não mostrar que estou falando de mim.
Sinto falta de como meu coração bate quando vejo sua ligação.
Sinto falta de não atender, só pra retornar e perguntar se ligou pra mim.
Sinto falta das caminhadas.
Sinto falta de como não me importa o tempo quando estou contigo.
Sinto falta de esquecer o celular, ignorar o resto do mundo.
Sinto falta de analisar se você sente o mesmo.
Sinto falta de ter ciúme.
Sinto falta de analisar suas fotos com suas amigas.
Sinto falta de descobrir tudo sobre essas amigas.
Sinto falta de fingir que não sei quem são suas amigas quando você comenta.
Sinto falta de negar o que sinto.
Sinto falta de imaginar o teu beijo.
Sinto falta de te vê se desculpar quando fala pornografia.
Sinto falta do você que imaginei pra mim.
Sinto falta de rir da sua conversa louca.
Sinto falta de fingir que não me importo.
Sinto falta de pensar cada detalhe da minha roupa para parecer que vesti a primeira que vi.
Sinto falta da sua voz.
Sinto falta de ti abraçar e tentar fugir dos teus braços.
Sinto falta de ficar com vergonha perto de você.
Sinto falta da sua lógica ilógica.
Sinto falta de dosar minhas palavras.
Sinto falta de nunca ti responder quando está online só pra poder pensar em cada vírgula.
Sinto falta de tentar parecer desinteressada.
Sinto falta de como nossa conversa flui pessoalmente.
Sinto falta de ti olhar e pensar "me beija".
Sinto falta de criar teorias e me perder no meio delas só pra não mostrar que estou falando de mim.
Sinto falta de como meu coração bate quando vejo sua ligação.
Sinto falta de não atender, só pra retornar e perguntar se ligou pra mim.
Sinto falta das caminhadas.
Sinto falta de como não me importa o tempo quando estou contigo.
Sinto falta de esquecer o celular, ignorar o resto do mundo.
Sinto falta de analisar se você sente o mesmo.
Sinto falta de ter ciúme.
Sinto falta de analisar suas fotos com suas amigas.
Sinto falta de descobrir tudo sobre essas amigas.
Sinto falta de fingir que não sei quem são suas amigas quando você comenta.
Sinto falta de negar o que sinto.
Sinto falta de imaginar o teu beijo.
Sinto falta de te vê se desculpar quando fala pornografia.
Sinto falta do você que imaginei pra mim.
domingo, 7 de junho de 2015
Biquini...
Bronzeador, protetor solar, roupa de banho,
Ir a praia é quase uma obrigação com esse Sol,
Quem disse que só as magrinhas podem torrar no calor?
Um domingo qualquer, lá foi Bel para a praia, mesmo estando
Insegura por saber que está mais para baleia que sereia.
Na cadeira sob os raios solares esqueceu todas as neuras, fotinha para o
Instagram e todo um choque social: Gorda usa biquini?
Ir a praia é quase uma obrigação com esse Sol,
Quem disse que só as magrinhas podem torrar no calor?
Um domingo qualquer, lá foi Bel para a praia, mesmo estando
Insegura por saber que está mais para baleia que sereia.
Na cadeira sob os raios solares esqueceu todas as neuras, fotinha para o
Instagram e todo um choque social: Gorda usa biquini?
domingo, 26 de abril de 2015
Ela...
Ela sofreu imensamente, foi pisada, humilhada, violada moralmente e
psicologicamente. Ela se sentiu um lixo e chegou a desejar morrer, se
Ela tivesse sido agredida fisicamente não teria doído tanto. Ela se
recuperou, colocou curativos, estancou o sangue na alma, mas, a cicatriz
estava lá e Ela não confiava em mais ninguém.
As pessoas não entendiam, mas, seu desejo era ser respeitada, Ela não queria que as pessoas a enxergassem como Ela se via "uma puta, uma rapariga". Ela esperava e implorava do fundo de sua alma que conhecesse uma nova pessoa e que pudesse contar sua história antes de qualquer envolvimento e que o sujeito não a recriminasse, não tivesse pena, não a julgasse e continuasse a vendo como a via antes, sendo Ela...
Alguns apareceram, outros foram apresentados por amigas, mas, todos pareciam ler o que tinha em sua mente, sendo resumido pelas palavras de um "você não é o tipo de garota que eu me relacionaria"...
Ela nunca se envolvia com ninguém porque sempre se sentia invadida e machucada, nisso os meses se passaram, os anos passaram...
Um dia, sem que ninguém esperasse e sem que Ela colocasse fé, surgiu uma pessoa, Ela desacreditada só queria vê até onde iria, mas, para sua surpresa, as conversas tomaram rumos que não imaginava, Ela contrariando a si mesma confiou nessa pessoa e diferente de outros, Ela contou sua história, mais detalhes do que qualquer um ouvira e Ela teve medo de ser rejeitada, mas, se surpreendeu novamente...
Contrariando as expectativas e a experiência, o sujeito se mostrou maduro e não expressou qualquer julgamento contra Ela, continuou tratando-a igual e Ela se sentiu respeitada, seu desejo foi realizado...
Agora Ela pode desejar novas coisas, Ela finalmente virou a página e mudou o livro, e, embora, Ele não faça ideia da relevância que sua pequena atitude teve, Ela agradece todos os dias por ter se permitido aproximar.
As pessoas não entendiam, mas, seu desejo era ser respeitada, Ela não queria que as pessoas a enxergassem como Ela se via "uma puta, uma rapariga". Ela esperava e implorava do fundo de sua alma que conhecesse uma nova pessoa e que pudesse contar sua história antes de qualquer envolvimento e que o sujeito não a recriminasse, não tivesse pena, não a julgasse e continuasse a vendo como a via antes, sendo Ela...
Alguns apareceram, outros foram apresentados por amigas, mas, todos pareciam ler o que tinha em sua mente, sendo resumido pelas palavras de um "você não é o tipo de garota que eu me relacionaria"...
Ela nunca se envolvia com ninguém porque sempre se sentia invadida e machucada, nisso os meses se passaram, os anos passaram...
Um dia, sem que ninguém esperasse e sem que Ela colocasse fé, surgiu uma pessoa, Ela desacreditada só queria vê até onde iria, mas, para sua surpresa, as conversas tomaram rumos que não imaginava, Ela contrariando a si mesma confiou nessa pessoa e diferente de outros, Ela contou sua história, mais detalhes do que qualquer um ouvira e Ela teve medo de ser rejeitada, mas, se surpreendeu novamente...
Contrariando as expectativas e a experiência, o sujeito se mostrou maduro e não expressou qualquer julgamento contra Ela, continuou tratando-a igual e Ela se sentiu respeitada, seu desejo foi realizado...
Agora Ela pode desejar novas coisas, Ela finalmente virou a página e mudou o livro, e, embora, Ele não faça ideia da relevância que sua pequena atitude teve, Ela agradece todos os dias por ter se permitido aproximar.
domingo, 1 de março de 2015
Grilhão...
Gabi tinha um único desejo, ela queria
Respeito, se sentir respeitada, não ser
Iludida, ser
Livre e viver em
Harmonia com seus sentimentos.
Andar por aí, sem se sentir
Observada e julgada.
Respeito, se sentir respeitada, não ser
Iludida, ser
Livre e viver em
Harmonia com seus sentimentos.
Andar por aí, sem se sentir
Observada e julgada.
domingo, 22 de fevereiro de 2015
A saia...
Comprara a saia para um evento.
Tantas momentos vividos e ela
ficara marcada por um único.
Deixara de ser pano costurado,
fazia parte da história,
da minha história.
Aquela saia,
aquela blusa,
aquela lingerie,
aquela sandália.
Um a um foi sendo desfeito.
Sobrevivera em fotos
e lembranças.
O sutiã não mais usado.
A blusa visível no quadro.
A calcinha para certos momentos.
A sandália doada.
A saia sempre usada.
Tudo ficara velho como o evento.
A saia permanecera.
Rasgada e costurada.
Se sentia confortável,
vestindo-a.
Não se desfazia da saia,
como não se desfazia das lembranças.
Era uma cicatriz que levava para passear.
A deixava participar de outros eventos,
para regravar nela novas lembranças.
Todo mundo, já vira a saia.
A saia fazia parte dela.
Até que a saia sumiu.
Tantas momentos vividos e ela
ficara marcada por um único.
Deixara de ser pano costurado,
fazia parte da história,
da minha história.
Aquela saia,
aquela blusa,
aquela lingerie,
aquela sandália.
Um a um foi sendo desfeito.
Sobrevivera em fotos
e lembranças.
O sutiã não mais usado.
A blusa visível no quadro.
A calcinha para certos momentos.
A sandália doada.
A saia sempre usada.
Tudo ficara velho como o evento.
A saia permanecera.
Rasgada e costurada.
Se sentia confortável,
vestindo-a.
Não se desfazia da saia,
como não se desfazia das lembranças.
Era uma cicatriz que levava para passear.
A deixava participar de outros eventos,
para regravar nela novas lembranças.
Todo mundo, já vira a saia.
A saia fazia parte dela.
Até que a saia sumiu.
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Xepa...
Em pé naquele sinal, a mulher via os carros parando e escolhendo as outras mulheres. Uma a uma era escolhida e ela ia ficando.
Olhava para trás e via o olhar de reprovação de sua chefa. Sabia que pagaria caro se não fosse escolhida ou não conseguisse o lucro do dia.
Toda noite era assim, toda noite ela lembrava da época do colégio quando era a última a ser chamada para o time na Educação Física.
Toda noite, ela era chamada de Xepa... Já nem lembrava mais seu nome, se estivesse numa feira, ela era a fruta podre e descartada.
A cada noite se produzia mais, a cada noite ficava mais afoita para chamar atenção, era a primeira a abordar os carros, mas, a última a ser chamada.
Muitas vezes, rezava baixinho para que as outras demorassem no serviço e ela pudesse ficar sozinha no sinal, se não tivesse ninguém para disputar, ela seria escolhida.
Muitas vezes, dizia um preço menor e diminuía sua comissão para garantir que fosse escolhida rapidamente.
Odiava ser a Xepa, mas, não sabia como não ser.
Não sabia como deixar de ser Xepa, porque sempre fora a preterida.
Mesmo quando era nova no serviço, era considerada a última opção.
Não importava tudo a que se sujeitasse, não importava todas as habilidades, era e sempre seria a Xepa...
Finalmente, ficara sozinha no sinal. O carro que parasse a escolheria, não tinha concorrência.
O carro parou, viu a Xepa e deu partida.
Até quando era a única opção, a mulher não era escolhida.
Olhou para a chefa e viu desgosto em seu olhar.
Não aguentava mais ser Xepa, chorou em silêncio.
Viu um carro vindo em alta velocidade e se atirou contra ele.
Olhava para trás e via o olhar de reprovação de sua chefa. Sabia que pagaria caro se não fosse escolhida ou não conseguisse o lucro do dia.
Toda noite era assim, toda noite ela lembrava da época do colégio quando era a última a ser chamada para o time na Educação Física.
Toda noite, ela era chamada de Xepa... Já nem lembrava mais seu nome, se estivesse numa feira, ela era a fruta podre e descartada.
A cada noite se produzia mais, a cada noite ficava mais afoita para chamar atenção, era a primeira a abordar os carros, mas, a última a ser chamada.
Muitas vezes, rezava baixinho para que as outras demorassem no serviço e ela pudesse ficar sozinha no sinal, se não tivesse ninguém para disputar, ela seria escolhida.
Muitas vezes, dizia um preço menor e diminuía sua comissão para garantir que fosse escolhida rapidamente.
Odiava ser a Xepa, mas, não sabia como não ser.
Não sabia como deixar de ser Xepa, porque sempre fora a preterida.
Mesmo quando era nova no serviço, era considerada a última opção.
Não importava tudo a que se sujeitasse, não importava todas as habilidades, era e sempre seria a Xepa...
Finalmente, ficara sozinha no sinal. O carro que parasse a escolheria, não tinha concorrência.
O carro parou, viu a Xepa e deu partida.
Até quando era a única opção, a mulher não era escolhida.
Olhou para a chefa e viu desgosto em seu olhar.
Não aguentava mais ser Xepa, chorou em silêncio.
Viu um carro vindo em alta velocidade e se atirou contra ele.
domingo, 25 de janeiro de 2015
A loja de espelhos...
Uma loja de espelhos com fila para entrar. Muitos curiosos entravam na fila para descobrir o motivo do sucesso da loja. O que poderia ter de tão interessante lá? Espelhos são todos iguais e refletem nossa aparência. Nada mais coerente com uma sociedade superficial.
A loja não era como aquelas salas com espelhos diferentes que mostram várias facetas, a pessoa magra, baixa, gorda, magra.
Na loja nem se vendiam espelhos, na verdade. Ninguém saia carregando um espelho para casa.
As pessoas entravam, viam o que tinham que vê e saiam emocionadas, chocadas, ninguém saia igual como entrou ou indiferente ao que foi visto.
Eu sou uma das curiosas que estou na fila. Verdade que estou cansada após quase uma hora de espera, mas, faltam, apenas, dez pessoas.
Estou ansiosa para o que verei, não faço ideia do que me espera.
O dono dessa loja deve ser muito rico, pois, a fila é gigante e ele não cobra para as pessoas entrarem e como ninguém sai com embrulhos, ninguém compra nada lá dentro.
Uma loja em que não se gasta dinheiro. Uma loja de espelhos.
Agora, só falta uma pessoa.
Nem sei se quero entrar mesmo. Estou apreensiva e nervosa, mas, minha curiosidade é maior. Não esperei uma hora para desistir na porta.
Outra coisa estranha é que entra uma pessoa por vez, só acredito que é algo sério, pois, vejo até policiais na fila e a loja não foi interditada.
Minha vez de entrar na loja.
A porta se fecha.
Tudo escuro, apenas, um espelho.
Me vejo como me imaginei durante todos os meus anos de vida.
Me vejo como eu gostaria que eu fosse.
Em cima do espelho, aparece a pergunta: O que falta? O que me prende?
Olho para o dono da loja.
Ele entende minha súplica.
Me abraça. Abre a porta.
Saio da loja aos prantos.
A loja não era como aquelas salas com espelhos diferentes que mostram várias facetas, a pessoa magra, baixa, gorda, magra.
Na loja nem se vendiam espelhos, na verdade. Ninguém saia carregando um espelho para casa.
As pessoas entravam, viam o que tinham que vê e saiam emocionadas, chocadas, ninguém saia igual como entrou ou indiferente ao que foi visto.
Eu sou uma das curiosas que estou na fila. Verdade que estou cansada após quase uma hora de espera, mas, faltam, apenas, dez pessoas.
Estou ansiosa para o que verei, não faço ideia do que me espera.
O dono dessa loja deve ser muito rico, pois, a fila é gigante e ele não cobra para as pessoas entrarem e como ninguém sai com embrulhos, ninguém compra nada lá dentro.
Uma loja em que não se gasta dinheiro. Uma loja de espelhos.
Agora, só falta uma pessoa.
Nem sei se quero entrar mesmo. Estou apreensiva e nervosa, mas, minha curiosidade é maior. Não esperei uma hora para desistir na porta.
Outra coisa estranha é que entra uma pessoa por vez, só acredito que é algo sério, pois, vejo até policiais na fila e a loja não foi interditada.
Minha vez de entrar na loja.
A porta se fecha.
Tudo escuro, apenas, um espelho.
Me vejo como me imaginei durante todos os meus anos de vida.
Me vejo como eu gostaria que eu fosse.
Em cima do espelho, aparece a pergunta: O que falta? O que me prende?
Olho para o dono da loja.
Ele entende minha súplica.
Me abraça. Abre a porta.
Saio da loja aos prantos.
domingo, 18 de janeiro de 2015
Cristiane
Cristiane era cristã e como tal sempre orava pedindo ao seu Deus algo ou agradecendo por algo.
Como era ensinado na Igreja, Cristiane orava baixinho e as pessoas não sabiam como eram os seus pedidos.
Antes de ser cristã, a moça era fã de Cássia Eller e sempre se identificou com a música "Partido Alto".
Se as pessoas acreditam que Deus é brasileiro, Deus é pai, Deus é irmão, o Deus de Cristiane "é um cara gozador, adora brincadeira".
Então, suas orações sempre pediam o inverso.
Se queria saúde, pedia para ficar doente.
Se queria sossego, pedia agitação.
Existiam coisas que ela não inventava de pedir ao seu Deus, vai que ele mandava o inverso só pra brincar e ela também não tinha coragem de pedir o inverso pra não correr o risco de receber exatamente o que pediu.
Assim, em matéria de amor, Cristiane não fazia oração.
Um dia, pediram que Cristiane fizesse uma oração em voz alta.
A moça pediu saúde.
Caiu morta no chão.
Como era ensinado na Igreja, Cristiane orava baixinho e as pessoas não sabiam como eram os seus pedidos.
Antes de ser cristã, a moça era fã de Cássia Eller e sempre se identificou com a música "Partido Alto".
Se as pessoas acreditam que Deus é brasileiro, Deus é pai, Deus é irmão, o Deus de Cristiane "é um cara gozador, adora brincadeira".
Então, suas orações sempre pediam o inverso.
Se queria saúde, pedia para ficar doente.
Se queria sossego, pedia agitação.
Existiam coisas que ela não inventava de pedir ao seu Deus, vai que ele mandava o inverso só pra brincar e ela também não tinha coragem de pedir o inverso pra não correr o risco de receber exatamente o que pediu.
Assim, em matéria de amor, Cristiane não fazia oração.
Um dia, pediram que Cristiane fizesse uma oração em voz alta.
A moça pediu saúde.
Caiu morta no chão.
domingo, 4 de janeiro de 2015
Biblioteca...
Estou preso.
A porta está fechada
a muito tempo.
Para o bem do planeta
Fomos abandonados aqui.
Já fomos considerados importantes.
Símbolos da liberdade.
Mas somos compostos
de seres mortos.
A tecnologia chegou
e fomos deixados de lado.
Fomos substituídos
para garantir a sustentbilidade.
Ninguém se lembra de nós.
As crianças nos consideram
peças de museu.
Para manter as árvores de pé.
Os livros foram trocados
por e-books.
A porta está fechada
a muito tempo.
Para o bem do planeta
Fomos abandonados aqui.
Já fomos considerados importantes.
Símbolos da liberdade.
Mas somos compostos
de seres mortos.
A tecnologia chegou
e fomos deixados de lado.
Fomos substituídos
para garantir a sustentbilidade.
Ninguém se lembra de nós.
As crianças nos consideram
peças de museu.
Para manter as árvores de pé.
Os livros foram trocados
por e-books.
Assinar:
Postagens (Atom)