Vinte minutos depois que para Margarida pareceram dez horas, o escrivão entrou na delegacia e ouviu barulhos vindo da sala do delegado. A autoridade policial também ouviu o barulho do escrivão e largou a jovem, mandando-a se arrumar e ir embora sem contar do que ocorrera.
Margarida saiu sem olhar pra trás, andou até a esquina, sentou na calçada e chorou, chorou, chorou, chorou, chorou até não ter mais lágrimas. Chorou como forma de tirar a vergonha, a humilhação, o desespero. Chorou porque não poderia gritar, então, viu a viatura com os policiais voltando e se levantou, afinal, não queria ser vista por aqueles homens. Acabara de criar um pânico por policiais.
Margarida andou pela rua, o rosto vermelho, os olhos inchados, até retornar à beira mar. Quando chegou lá, correu até a água e se jogou de maneira desesperada, ela esperava que a água salgada limpasse seu rosto, seu corpo, sua alma.
Enquanto se molhava, Margarida chorava, estava desesperada, desamparada e incomunicável. Sabia que sua família e seus amigos estavam preocupados, mas, não tinha coragem de encontrá-los depois de tudo.
Sua forças iam embora junto com as lágrimas, as ondas a puxavam para o fundo e Margarida começava a se afogar, mas, naquele momento, ela não lutava e pensava que a morte era a única forma de livrar-se de tudo aquilo.
Um banhista notou o que estava acontecendo e foi salvá-la, a jovem engolira muita água e estava desmaiando quando voltou para a areia nos braços do rapaz. Ele fez respiração boca a boca, mas, ao sentir mãos masculinas em seu corpo, em seu rosto, Margarida se desesperou e assim que recuperou seus sentidos completamente, saiu correndo com medo que o rapaz a violentasse como fizera o delegado.
A moça correu pela praia até distanciar-se do jovem, até encontrar um lugar completamente solitário.
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