sábado, 12 de julho de 2014
A Cidade...
Naquele dia, eu levantei e sai do hotel. Fui ao shopping e depois resolvi conhecer a cida. Perguntei as pessoas que ônibus deveria pegar para ir ao Mercado Central. Não sabia o que deveria esperar do tal mercado, mas, ouvi tantas pessoas falando dele que me deu curiosidade. Subi no ônibus indicado e começou a via crucis. Engarrafamento. O Circular parecia que circularia por todas as entranhas da cidade. Lugares simples e locais suntuosos. Fui de luxo ao lixo em apenas algumas ruas. Em todos os cantos, procurei por algo que representasse aquele local. Como turista e inocente, não tinha medo da segurança; Como classe média e preconceituosa, tive medo de quando pessoas pobres, que falavam e ouviam música alta subiram no transporte público. Já vinha procurando, lixo nas ruas. Aquela cidade me parecia super limpa. O ônibus continuava o seu tour. Crianças tentaram pegar carona na parte de fora do busão. O motorista mandou descer. Pensei: "se fosse na minha cidade, eles jogariam uma pedra". Na parada seguinte, uma pedra alcançou a porta de descer que fica em frente ao motorista. Um rapaz que conversava com ele, foi atingido. No instinto, eu dei um passo para trás e não bateu em mim também. Quando desci, uma surpresa. Se no ônibus, tinha passado por locais pobres. No centro da cidade, eu vi a miséria. Pessoas notadamente drogadas e se drogando em uma rua bem próximo do Quartel. A rua estava tomada pelo lixo. Coloquei minha melhor cara de "não estou com medo" e tentei não olhar para o resto de nenhum deles. O medo me tomava. Não sou nenhuma passista, nenhuma mulher que seja em todo o momento cobiçada e leve cantadas a cada passo dado, justamente por isso, nunca me senti vulnerável por ser mulher. Naquela tarde, com o Sol quente sobre minha cabeça me senti vulnerável por ser mulher. Tive medo de ser roubada, estuprada, violentada. Não olhava nos olhos deles por medo e vergonha. Não queria mais me sentir parte daquele lugar. Queria sair dali urgente. Queria voltar para minha terra, onde, eu saberia quais locais eu estava segura. Tive raiva do Poder Público que deixou aquele lugar entregue às moscas, afinal, era o centro da cidade, mas, preferiram dar espaço aos shoppings. O espaço público me metia medo, me fazia sentir vergonha daquela cidade. Tive raiva do motorista e do cobrador que não me alertaram. O Mercado Central fechado e mesmo se estivesse aberto, já teria perdido a graça. A cidade é linda, tem hotel por todo lado, uma cidade turística, organizada para os turistas e que negligenciou seus cidadãos. Uma cidade preparada para que as pessoas priorizassem praias e shoppings. O Mercado Central e o Teatro largados ao léu. A história deixada de lado, a cultura pulverizada. Uma cidade para se visitar, não uma cidade para viver e morar.
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