Uma loja de espelhos com fila para entrar. Muitos curiosos entravam na fila para descobrir o motivo do sucesso da loja. O que poderia ter de tão interessante lá? Espelhos são todos iguais e refletem nossa aparência. Nada mais coerente com uma sociedade superficial.
A loja não era como aquelas salas com espelhos diferentes que mostram várias facetas, a pessoa magra, baixa, gorda, magra.
Na loja nem se vendiam espelhos, na verdade. Ninguém saia carregando um espelho para casa.
As pessoas entravam, viam o que tinham que vê e saiam emocionadas, chocadas, ninguém saia igual como entrou ou indiferente ao que foi visto.
Eu sou uma das curiosas que estou na fila. Verdade que estou cansada após quase uma hora de espera, mas, faltam, apenas, dez pessoas.
Estou ansiosa para o que verei, não faço ideia do que me espera.
O dono dessa loja deve ser muito rico, pois, a fila é gigante e ele não cobra para as pessoas entrarem e como ninguém sai com embrulhos, ninguém compra nada lá dentro.
Uma loja em que não se gasta dinheiro. Uma loja de espelhos.
Agora, só falta uma pessoa.
Nem sei se quero entrar mesmo. Estou apreensiva e nervosa, mas, minha curiosidade é maior. Não esperei uma hora para desistir na porta.
Outra coisa estranha é que entra uma pessoa por vez, só acredito que é algo sério, pois, vejo até policiais na fila e a loja não foi interditada.
Minha vez de entrar na loja.
A porta se fecha.
Tudo escuro, apenas, um espelho.
Me vejo como me imaginei durante todos os meus anos de vida.
Me vejo como eu gostaria que eu fosse.
Em cima do espelho, aparece a pergunta: O que falta? O que me prende?
Olho para o dono da loja.
Ele entende minha súplica.
Me abraça. Abre a porta.
Saio da loja aos prantos.
domingo, 25 de janeiro de 2015
domingo, 18 de janeiro de 2015
Cristiane
Cristiane era cristã e como tal sempre orava pedindo ao seu Deus algo ou agradecendo por algo.
Como era ensinado na Igreja, Cristiane orava baixinho e as pessoas não sabiam como eram os seus pedidos.
Antes de ser cristã, a moça era fã de Cássia Eller e sempre se identificou com a música "Partido Alto".
Se as pessoas acreditam que Deus é brasileiro, Deus é pai, Deus é irmão, o Deus de Cristiane "é um cara gozador, adora brincadeira".
Então, suas orações sempre pediam o inverso.
Se queria saúde, pedia para ficar doente.
Se queria sossego, pedia agitação.
Existiam coisas que ela não inventava de pedir ao seu Deus, vai que ele mandava o inverso só pra brincar e ela também não tinha coragem de pedir o inverso pra não correr o risco de receber exatamente o que pediu.
Assim, em matéria de amor, Cristiane não fazia oração.
Um dia, pediram que Cristiane fizesse uma oração em voz alta.
A moça pediu saúde.
Caiu morta no chão.
Como era ensinado na Igreja, Cristiane orava baixinho e as pessoas não sabiam como eram os seus pedidos.
Antes de ser cristã, a moça era fã de Cássia Eller e sempre se identificou com a música "Partido Alto".
Se as pessoas acreditam que Deus é brasileiro, Deus é pai, Deus é irmão, o Deus de Cristiane "é um cara gozador, adora brincadeira".
Então, suas orações sempre pediam o inverso.
Se queria saúde, pedia para ficar doente.
Se queria sossego, pedia agitação.
Existiam coisas que ela não inventava de pedir ao seu Deus, vai que ele mandava o inverso só pra brincar e ela também não tinha coragem de pedir o inverso pra não correr o risco de receber exatamente o que pediu.
Assim, em matéria de amor, Cristiane não fazia oração.
Um dia, pediram que Cristiane fizesse uma oração em voz alta.
A moça pediu saúde.
Caiu morta no chão.
domingo, 4 de janeiro de 2015
Biblioteca...
Estou preso.
A porta está fechada
a muito tempo.
Para o bem do planeta
Fomos abandonados aqui.
Já fomos considerados importantes.
Símbolos da liberdade.
Mas somos compostos
de seres mortos.
A tecnologia chegou
e fomos deixados de lado.
Fomos substituídos
para garantir a sustentbilidade.
Ninguém se lembra de nós.
As crianças nos consideram
peças de museu.
Para manter as árvores de pé.
Os livros foram trocados
por e-books.
A porta está fechada
a muito tempo.
Para o bem do planeta
Fomos abandonados aqui.
Já fomos considerados importantes.
Símbolos da liberdade.
Mas somos compostos
de seres mortos.
A tecnologia chegou
e fomos deixados de lado.
Fomos substituídos
para garantir a sustentbilidade.
Ninguém se lembra de nós.
As crianças nos consideram
peças de museu.
Para manter as árvores de pé.
Os livros foram trocados
por e-books.
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