domingo, 13 de julho de 2014

Margar(v)ida VII...

Nos primeiros meses após o acidente, Margarida foi presença constante no hospital. Fez muitos exames e foi acompanhada por um psicólogo.
Ela, ainda, não sabia do seu parentesco com o vizinho e todos haviam concordado em esperar a sua recuperação total.
Então, um dia, quando Margarida tinha acabado de estacionar na frente de casa e ouviu os gritos de seus pais. Ela ficou um tempo dentro do carro e ouviu seu pai chamando a esposa de "vagabunda" e dizendo que "não conseguia esquecer a maior traição de sua vida e mesmo amando a filha não conseguia olhar mais para ela sem lembrar quem era seu verdadeiro pai", a mãe pedia perdão, chorava e dizia que "eles precisavam superar aquilo pela filha".
Margarida em choque, voltou a ligar a carro e saiu da rua em alta velocidade. Os pais ouviram o barulho do automóvel e olharam pela janela, então, a mãe começou a ligar incessantemente para a filha. As diferenças foram deixadas de lado e o medo de um novo acidente tomou conta de ambos.
Margarida dirigia enlouquecida, ignorava todas as ligações dos pais, até que em um sinal vermelho, resolveu desligá-lo.
Os pais de Margarida ligaram para Fernando quando o celular começou a dar fora de área e perguntaram se ela tinha falado com ele. Fernando ficou preocupado com o desaparecimento de Margarida.
A jovem dirigiu até uma praia e sentou no calcação. Repassava toda a briga na conversa na cabeça e conversava com as ondas. A rua estava deserta e a jovem confusa em pensamentos, não notou quando roubaram o carro. O celular e a carteira estavam lá dentro.
Naquela noite escura, estranha e confusa, quando descobriu ser filha do vizinho, terminou com Margarida dormindo no calçadão quando notou que tinham levado seu automóvel e estava sem dinheiro, celular e documento. Então, dentou na areia e resolveu que iria à delegacia no dia seguinte, afinal, acreditava que nada poderia piorar e seu desejo era ficar sozinha e incomunicável mesmo.

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