quinta-feira, 10 de julho de 2014
Pane..
Coração acelerado. A cabeça não raciocina. Trava a mente. Trava o pensamento. Branco total. Respiração acelerada. Não adianta água ou respirar fundo. Uma vontade incontrolável de sair dali. Um desejo interrupto de passar mal como um escape. Falta concentração. Falta paciência. Uma frase é lida mil vezes e mesmo assim não entendida. Português vira grego, aramaico, chinês, russo, alemão. Olhar par ao lado. Tentar se distrair. Tentar se concentrar. Pensar "eu posso fazer". O coração acelera ainda mais. Quanto mais se esforça, mais o pensamento trava. Parar. Pedir para sair. Tentar retornar de onde parou. O tempo passa. A boca seca. Vontade de sair correndo. Vontade de se esconder. Vontade de chorar. Vontade de morrer. Se obrigar a terminar. Minha definição para a frase de Pitty "pane no sistema, alguém me desconfigurou". Pane, desatenção, despreparo, desespero, pânico, foi exatamente o que senti na primeira fase da OAB quando eu fazia pela segunda vez. Terminei a prova, mas, só Deus sabe como. Um pânico geral tomou conta de mim antes da décima questão e são oitenta. As cinco horas de prova que todo mundo tem foram reduzidas pra quatro. Durante quase uma hora, eu tive que tentar me acalmar, relaxar, conseguir me concentrar. Olhar para as pessoas ao redor, todas lendo a prova, não ajudou. O desespero tomou conta, eu queria sair deali. Desejei, sim, passar mal, ser levada para a "enfermaria" e perder a prova porque fui socorrida. Saber que as pessoas do lado de fora, torciam por mim não adiantou. Me desesperou ainda mais. Saber que eu estava preparada e que tinha estudado bastante, também, não fez qualquer sentido, no momento que eu não conseguia nem entender a pergunta. O enunciado e as alternativas eram alemão. Pensar em ir para a segunda fase era algo que eu realmente queria, mas, meu objetivo principal se tornou sair dali o mais rápido possível, marcar qualquer coisa e esperar o tempo mínimo para sair da prova. Se eu fosse cirurgiã, meu paciente teria morrido. Se eu fosse paraquedista, não abriria o paraquedas. O sentimento de perigo iminente, o terror, o instinto de fugir, me paralizavam. Se eu fosse jogadora de futebol, teria levado que sete gols. O problema é que na OAB, era eu e eu, não tinham mais dez pessoas para tentar me tirar daquela inércia e me fazer reagir. O grupo é feito para quando um dar tilte, o outro conseguir suprir a perda. Felipão só poderia fazer três substituições e não onze, em umgrupo onde todos pareciam sofrer o mesmo que eu sofri. O primeiro gol deu tristeza, o segundo um sentimento de derrota, mas, o terceiro-quarto-quinto mostraram o destempero. O técnico disse que depois do quinto, não tinha mais o que fazer. Na OAB, era bem óbvio que eu não acertaria quarenta questões (como não acertei), porque eu só fui voltar a raciocinar quando faltavam dez questões para terminar e o tempo de prova não me deixava revisar detalhadamente tudo. Quando os jogadores perceberam a gravidade da situação, pensaram que não tinham mais o que fazer. Oscar chutou tanto a gol que daria para fazer um 7x5. Júlio César deitado do lado de fora do gol, me fez reviver o desespero daquela tarde. Em seis minutos de pane, levamos quatro gols. Em cinco horas de prova, acertei 35 questões. Se eu não tivesse entrado em pânico, poderia ter acertado mais cinco pelo menos. Se os jogadores não tivessem surtado com o segundo, não teriam levado mais cinco gols. A diferença entre a OAB e o futebol é que na primeira, não tem vagas, eu sou meu próprio concorrente e basta alcançar a nota mínima; no segundo, o melor vai vencer. Tanto eu, quanto os jogadores estávamos preparados. Eu estudei, eles treinaram. Claro, os alemães se deram melhor. Sambaram na nossa cara, durante um surto coletivo. Não vamos crucificá-los. No quinto gol já havia virado graça e meus vizinhos torciam pela Alemanha. Eu só queria ver uma reação do Brasil e vibrei pelo único gol brazuca. Eu lembrava daquela tarde e de como sofri. Naprova seguinte, quando o pânico começou a rondar, eu criei minha fórmula mágica. Pensar "continue a nadar, continue a nadar, continue a nadar, nadar, nadar" de algo sem sentido, se tornou minha arma secreta. Que os meninos do Brasil tenham encontrado a sua pro sábado.
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