quarta-feira, 11 de junho de 2014

Psicanálise II...



- Então... O que a trouxe aqui?
- Você está me deixando confusa.
- Não, estou tentando clarear a sua mente.
- Pois, a Senhora é um fracasso.
- Qual seu problema com o fracasso? Seus pais a obrigavam a se destacar?
- Qual a razão de falar nos meus pais?
- Isso pode ser um trauma de infância.
- Não, meus pais não me obrigavam a nada. Eles não tinham tempo...
-  Trabalhavam muito?
- Meu pai era muito ocupado, mas, minha mãe se ocupava mais que ele.
- Ela trabalhava fora?
- Não, precisava cuidar de quatro filhas.
- Interessante. Você está comigo a seis meses  e nunca mencionou suas irmãs...
- Porque não foi necessário! Nós somos quadrigêmeas e sempre fizemos o máximo para sermos diferente.
- Conseguiram?
- Eu não sei. Pelo menos, tomamos rumos diferentes.
- Possuem um bom relacionamento?
- Não, nos vemos nas poucas festas de família.
- O que houve?
- Lá vem a Senhora se intrometendo onde não devia.
- Algo relacionado a nosso assunto anterior?
- Que assunto?
- Não vamos reiniciar de novo, certo? Continue.
- Minha mãe adorava nos vestir iguais, só mudava a cor da roupa para ela não se confundir.
- Não há diferença física entre vocês?
- Claro que há! Eu sou loira, uma é ruiva, tem uma morena e uma de cabelo castanho. Nos diferenciamos pela cor do cabelo. A magia da química, já ouviu falar nisso?
- Então, cada uma procurava se destacar para chamar a atenção da sua mãe.
- Não é bem assim. Meu pai é militar, extremamente rígido.
- Mudaram muito de cidade durante a infância?
- Passei a infância e a adolescência sem construir amizades duradouras, só me restava as minhas irmãs.
- E no colégio?
- Nunca tive problema, os colégios militares são bem parecidos.
- Com quantos anos saiu de casa?
- Quando fui a Universidade. Meu pai foi transferido para São Paulo e eu fiquei aqui.
- Mas, São Paulo tem mais oportunidades...
- Mas, aqui tinha o Carlos Roberto...
- Seu marido?
- Não, um antigo namorado.
- Fale mais sobre ele.
- Não falo sobre o passado!
- E o que você acha que estamos fazendo aqui?
- É diferente, Doutora.

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