segunda-feira, 2 de junho de 2014

Carla...

Carla estava ouvindo música quando o telefone tocou. Ela atendeu, do outro lado era Marcos, seu namorado.
- Oi, amor.
- Oi.
- Tudo bem?
- Tudo.
- Você continua com raiva?
- Não.
- Tem certeza?
- Uhum.
- Vamos sair hoje?
- Não.
- Posso ir na sua casa?
- Não.
- Você está com raiva sim.
- Não estou.
- E porque está monossilábica?
- Não estou.
- Verdade, você agora está dissilábica.
- Mais alguma coisa?
- Queria ler a sua mente?
- Ok.
- Eu quero entender o que eu fiz!
- Nada.
- Eu não fiz nada e você está me tratando assim porque?
- Eu estou normal.
- Não está não.
- Ok.
- Foi porque eu sai ontem?
- Não.
- Fiz algo errado?
- Não.
- Te amo, tá?
- Tá.
- Você me ama?
- Amo, Marcos.
- Fico feliz.
- Fica feliz? Pois pode ficar triste. Eu te amo, sim. Mas, gostaria muito que não amasse. Não quero amar um homem que age como garoto. Não quero amar um homem que sai e me deixa esperando por notícias, preocupada, pensando que aconteceu algo ruim. Não quero amar um homem que me trai.
- Calma, Carla.
- Calma? Você não queria ler minha mente? Então, vou ti dizer. Eu odeio encontrar nossos amigos e perceber que a conversa acaba quando chego. Odeio saber que eu sou o motivo das conversas. Odeio ouvir de minhas amigas que ti viram com uma garota em um bar qualquer. Odeio converar com você e perceber que não tenho sua atenção. Odeio notar que você nunca atende uma ligação e continua perto de mim. Odeio sentir o cheiro delas em seu corpo.
- Você está ficando louca, querida.
- Não me chame de querida. Eu me sinto um lixo sempre que você me chama pelo nome dela. Eu me sinto um lixo sempre que você fala o nome dela dormindo. Eu cansei de esperar que você a largasse ou que ela ti deixasse. Cansei de me sentir mendigando o seu amor. Cansei, Marcos. Eu te amo, sim, mas, cansei. E não adianta você falar nada, agora você sabe o que eu penso.
Carla desligou a ligação de Marcos, seu ex-namorado e voltou a ouvir música.

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