domingo, 8 de junho de 2014

Passeio noturno...



O céu estava coberto por nuvens carregadas de chuva. A lua e as estrelas haviam se escondido. Chovia. Chovia muito. Mesmo assim, havia uma pessoa caminhando naquela rua sem iluminação.
            A noite estava tão amedrontadora que até os mendigos procuraram refúgio. Porém, para Anita, o que seria um cenário sombrio, nada mais era que um bom lugar para refletir.
            Ela saíra de casa e caminhava à deriva nas ruas de seu bairro. A chuva caía sobre seus cabelos, rosto, roupa. Estava encharcada e não se preocupava com isso. Cada gota de chuva era um problema que se esvaía. Mesmo assim a jovem parecia ter o mundo em suas costas.
            Pisava forte. Seus pés tocavam o chão como só as pessoas determinadas consegue. Seu caminho era em ziguezague. Contrariando as expectativas, não estava bêbada, apenas confusa.
            As ruas com qualquer lamparina eram evitadas. Era notável seu receio em encontrar a luz. O jeito desleixado enganava. Quem a visse não diria que ela era quem realmente era.
            O caminho tornava-se a cada passo mais esquisito e assustador. Sua roupa preta combinava com o cenário de filme de terror.
            Finalmente, chegou onde deveria ser seu destino final. Havia duas bifurcações. Ambas possuíam uma pequena fonte de luz no fim. A jovem parou na entrada delas. Abaixou-se devagar. Sentou no chão. Tirou um lençol da bolsa. Cobriu-se em cabana. Ligou a lanterna e se deixou ser tragada pela noite.

Nenhum comentário:

Postar um comentário