O
céu estava coberto por nuvens carregadas de chuva. A lua e as estrelas haviam
se escondido. Chovia. Chovia muito. Mesmo assim, havia uma pessoa caminhando
naquela rua sem iluminação.
A noite estava tão amedrontadora que
até os mendigos procuraram refúgio. Porém, para Anita, o que seria um cenário
sombrio, nada mais era que um bom lugar para refletir.
Ela saíra de casa e caminhava à
deriva nas ruas de seu bairro. A chuva caía sobre seus cabelos, rosto, roupa.
Estava encharcada e não se preocupava com isso. Cada gota de chuva era um
problema que se esvaía. Mesmo assim a jovem parecia ter o mundo em suas costas.
Pisava forte. Seus pés tocavam o
chão como só as pessoas determinadas consegue. Seu caminho era em ziguezague.
Contrariando as expectativas, não estava bêbada, apenas confusa.
As ruas com qualquer lamparina eram
evitadas. Era notável seu receio em encontrar a luz. O jeito desleixado
enganava. Quem a visse não diria que ela era quem realmente era.
O caminho tornava-se a cada passo
mais esquisito e assustador. Sua roupa preta combinava com o cenário de filme
de terror.
Finalmente, chegou onde deveria ser
seu destino final. Havia duas bifurcações. Ambas possuíam uma pequena fonte de
luz no fim. A jovem parou na entrada delas. Abaixou-se devagar. Sentou no chão.
Tirou um lençol da bolsa. Cobriu-se em cabana. Ligou a lanterna e se deixou ser
tragada pela noite.
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