sexta-feira, 6 de junho de 2014

Ensinamento do mar...



Acordar. Trânsito. Escritório. Relatório. Reunião. Relatório. Relatório. Reunião. Engarrafamento. Quando chegava a casa, o pai só pensava em dormir, por isso, era tão calado durante o jantar.
Imerso em planos, assustou-se quando ouviu aquela voz frágil quebrar o silêncio. “Pai, vamos à praia?” “Cala a boca, menina!”, falou a mãe irritada. O homem até pensou em responder a criança, todavia ao notar a irritação da esposa, calou-se.
Na manhã seguinte, encontrou um bilhete na cabeceira. “Pai, queria tanto conhecer o mar.” Foi trabalhar, estava atrasada e não poderia perder tempo com questões infantis, isso era papel da mulher.
Os dias se passaram e toda manhã o mesmo bilhete na cabeceira. Que obsessão da filha! Precisava trabalhar! O custo de vida era alto, até parece que não gostava de tudo do bom e do melhor. As coisas custam dinheiro, de onde saiu à história de viajar no feriadão? Tinha uma viagem de negócios, o patrão ficaria chateado.
O feriadão se aproximada e a filha ainda não havia esquecido a idéia de ir à praia. Conversou com o patrão. Pediu mil desculpas. Explicou a situação. O chefe entendeu. Abriu um sorriso lardo e o liberou da viagem. Chegou a casa combinando os detalhes do passeio.
Finalmente, o grande dia. A mãe arrumou as malas e o pai colocou tudo no carro. Havia algo diferente no ar. O trânsito estava calmo, nem parecia a mesma cidade.
Chegaram. Ao ver aquela imensidão, entrou em transe. Esqueceu a rotina, o estresse, as preocupações. Acompanhando o movimento das ondas, quis ligar para o chefe, jogar tudo para o ar e morar naquela areia fofa.
Porque a filha não queria deliciar-se naquela maravilha após tantos dias de insistência? A mulher foi a primeira a render-se, o pai relutou um pouco, a filha parecia indiferente.
Poucos minutos se passaram quando a criança que havia dentro dele venceu o homem de negócios, então, juntou-se à sua esposa. Brincaram na água como duas crianças.
Foi buscar a filha. Pegou na sua mão. Levou-a para brincar nas ondas, pegar jacaré como havia dito sua tia. Naquele momento mágico, havia três crianças correndo na areia e então o pai entendeu o que sua filha estava querendo com toda aquela obsessão.

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