Abriu
os olhos. A porta do quarto estava aberta. Duas garotas gêmeas chamavam seu
nome. Levantou-se da cama e as seguiu. Na sala, encontrou a televisão ligada.
No quarto ao lado, a luz estava acesa. Na cozinha, a torneira estava aberta.
Apagou a luz, fechou a torneira, seguiu as gêmeas.
Olhou pela janela e viu um gato preto.
Mau agouro pensou. Continuou seguindo aquelas garotas, que nunca havia visto.
Chegou ao quintal, as roupas ainda estavam molhadas sobre o tanque. Pensou em
estendê-las, mas olhou para o céu escuro da noite e desistiu.
As garotas haviam desaparecido. Agora
o gato preto ronronava sobre a bacia virada para baixo. Quando chegou perto,
ele já estava passando pela fresta do portão, em direção a rua. Olhou novamente
o céu e concluiu ser três horas da manhã. Decidiu voltar para cama.
No quarto, o gato preto estava sobre a
janela, que outrora estava fechada. Que noite estranha, pensou. Deve ser um
sonho, concluiu. Tentou fechar a janela. O gato preto pulou para sua cama.
Enxotou-o. Ele levantou-se e foi para a porta.
Dirigiu-se para a porta, a fim de
fechá-la, queria isolar o quarto do azar daquele gato. Ele ronronou como se
falasse seu nome. Andou dois passos. Novo ronronar no ritmo de seu nome. Quando
chegou à porta, o gato estava na sala, ronronando como se a chamasse.
Lembrou das gêmeas que sumiram
misteriosamente e decidiu procurá-las. Talvez o gato fosse delas. Foi para a
cozinha. O gato na sala ronronava nitidamente seu nome. Só podia ser um mau
presságio, gatos pretos nunca são bom sinal e chamando seu nome, só pode ser
obra do coisa ruim.
Voltou a sala. O gato, no terraço,
miava aos berros, se isso fosse possível, seu nome. Ao chegar ao terraço, ele
andou majestosamente para a rua. Não o seguiria às três horas da manhã pela
rua, mas, a curiosidade daqueles acontecimentos bizarros a convenceu. Abriu o
portão da frente e saiu. Um raio derrubou a árvore centenária bem em cima de
sua casa.
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