terça-feira, 10 de junho de 2014

Psicanálise I...



- Bom dia.
- Bom dia, Doutora.
- Está mais calma?
- Estou e mais confiante também.
-Já consegue falar sobre o assunto?
- Espero que sim. Revivi aquilo todos os dias da última semana. Não consegui esquecer durante um minuto. Fiquei irritada. Preocupada. Estranha mesmo. Por qual motivo a senhora foi me lembrar logo daquilo?
- É o meu trabalho.
- Trabalho? Mexer nas feridas alheias?
- Não. Mostrar que as feridas que precisam cicatrizar.
- Mas, ela estava cicatriza! A senhora não entende. Sempre que invento de falar, essa ferida sangra.
- Você precisa superar.
- Eu superei, fui em frente com a minha vida. Venci.
- Podemos começar quando quiser!
-E não começamos?
- Você que sabe.
- Começamos sim! Faz cinco minutos que estamos conversando e a Senhora é para isso, me ouvir.
- Seus amigos não ti ouvem?
- Claro que ouvem.
- Então não estou para lhe ouvir, mas, para lhe tratar.
- EU NÃO ESTOU DOENTE!
- Calma. Respire fundo.
- EU ESTOU CALMA!
- Eu estou vendo, só procure se manter calma.
- Não diga o que devo fazer.
- Estamos desviando do assunto.
- Que assunto?
- O que lhe trouxe aqui.
- O que me trouxe aqui foi a ligação da secretária confirmando a consulta.
- Você poderia cancelar.
- Eu sei.
- E por qual motivo não cancelou?
- Porque eu não quis.

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