quinta-feira, 15 de maio de 2014

Marga(v)rida III

Assim que o médico conseguiu ressucitá-la, as lembranças de Margarida voltaram. Ela agora não via mais nenhum dos dois caras já citados. Na mente de Margarida formou-se a imagem de uma criança numa sala de aula, sim, a criança era Margarida. Ela estava escrevendo uma carta, numa sala de aula vazia. Não dava pra decifrar muito bem o que estava escrito, apenas dava pra ler um enorme "te amo"; depois, Margarida levantou-se e colocou a carta numa bolsa masculina. Ouve-se um toque escolar, crianças entram correndo na sala, um garoto abre a bolsa onde Margarida havia colocado a carta. Ele vê um papel. Abre o papel. Lê baixo. Relê em voz alta. Todas as crianças se voltam para Margarida e começaram a rir da cara dela. De repente, aquela imagem apaga-se e a moça vê sua imagem pré-adolescente estudando numa mesa com um professor particular, de repente, aparece um rapaz um pouco mais velho que ela e senta-se na mesa. O professor passa a ensinar o rapaz também e Margarida deixa de estudar para olhar pra ele. A imagem apaga-se e a jovem se vê transportada para uma festa de rua, ela encontra o rapaz que divide o professor particular e pede para ficar com ele, ambos um pouco mais velhos que quando estavam estudando juntos. O rapaz olha pros seus amigos, a beija e sai. A imagem de Margarida continua na festa andando, ela passa pelo rapaz, ele a puxa e a beija novamente. O pai de Margarida a chama, ela se afasta do rapaz e quando volta, ele está beijando sua prima.
Tudo fica escuro para Margarida novamente. Ela agora vê tudo preto, mas, ouve uma voz. Ela ouvia duas vozes distantes, era o médico falando com seu pai. Ele dizia que a moça estava muito mal e que estava muito machucada devido aos cortes feitos com a quebra do vidro dianteiro. Além disso, o cinto de segunraça estava um pouco frouxo e a batida teve um impacto não esperado, já que a paciente estava usando o cinto. Ele avisava ao pai da moça que ela deveria ir pra a cirurgia e que fariam tudo para salvá-la. O pai da moça autorizou a cirurgia, e o médico pediu para que os pais dela doassem sangue, pois, ela poderia precisar durante o procedimento.
O pai de Margarida foi falar com a mãe dela que ficou pálida diante a história da cirurgia e da doação de sangue. A enfermeira foi até eles e avisou que deveriam seguí-la até uma sala para a doação. A mãe de Margarida foi a primeira a doar. Em seguida foi o pai da moça. A enfermeira levou as bolsas de sangue até uma sala e depois o médico foi falar com o casal. Então o médico informou que algo estava errado, pois, o pai dela era AB, a mãe dela era O e Margarida era O, ou seja, havia algo errado. A mãe de Margarida começou a chorar e revelou ao pai dela que Margarida era filha do vizinho, pois, ela havia traído-o numa de suas viagens de negócios em que ela ficou sozinha em casa por mais de dois meses.
O médico bastante constrangido, saiu de fininho e foi para sua cirurgia. Durante a cirurgia, os pensamentos de Margarida não pararam um só minuto. E ela começou a ver sua imagem mais nova contando para sua amiga que havia tirado seu bvcom um cara que havia traído-a com sua prima e logo depois a imagem se apagava para ela ver, essa mesma amiga um pouco mais velha dizendo que estava apaixonada por ex da moça. Na cirurgia, Margarida perdeu muito sangue. Alguns cacos de vidro estavam profundos e depois seria necessário que ela fizesse uma cirurgia plástica. Os médicos usaram todo o sangue doado pela mãe da moça. A cirurgia foi um sucesso. Entretanto na sala de espera, o pai e a mãe de Margarida discutiam sobre a situação da moça ser filha do vizinho e dela esconder esse segredo por 19 anos.

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