A semana começou normal, sem surpresas, bastante rotineira... Margarida
levantou-se as cinco horas, arrumou-se, foi para a academia, foi para a
faculdade, almoçou na lanchonete em frente a faculdade, foi trabalhar na
biblioteca da faculdade, jantou no shopping, foi para o curso de
fotografia em frente ao shopping, e estava voltando para casa...
Sua vida estava tão rotineira que ela sentia-se como um robô, apesar de
amar tudo que fazia... Enquanto voltava para casa ela olhava o céu e
reparou que naquela segunda-feira, ele havia passado o dia todo nublado,
se pela manhã não houve sol, à noite não estava havendo lua e mesmo
assim não havia sinal de chuva...
A moça ligou o rádio para distrair-se durante o caminho para casa... De
repente, seu telefone tocou. Era Letícia contando uma fofoca que
aconteceu na faculdade no turno da noite. Margarida colocou o celular no
viva-voz e baixou o rádio. Ela conseguia conversar com a amiga, ouvir
as músicas que tocavam e prestar atenção no trânsito.
A jovem estava dirigindo tranquilamente quando começou a tocar uma
música que a fazia lembrar de um antigo romance, no mesmo instante veio
em sua mente sua imagem mais nova com um rapaz mais velho ao seu lado,
eles estavam saindo de um local e atravessando a rua, ao chegarem ao
outro lado havia uma cerca e uma área de capim alto, o casal andava de
mãos dadas e conversavam animados, porém, notava-se constrangimento no
semblante da adolescente, então eles passaram por uma parte da cerca que
a
madeira estava um pouco pra fora, enganchando em sua saia e fazendo a
jovem quase tropeçar, o rapaz ao seu lado ria dela e não a ajudou a
soltar-se da madeira, a adolescente conseguiu desenganchar sua saia da
cerca e voltou para o lado do jovem, então, eles voltaram a conversar e
chegaram numa parada de ônibus. Nesse momento Margarida viu o rapaz que
ela estava pensando parado numa para de ônibus, assim como estava em sua
mente; sua amiga Letícia ainda estava contando as fofocas e estava tão
distraída que não percebeu que sua amiga estava calada. Margarida
continuava dirigindo, mas, não conseguia mais prestar atenção no
trânsito, na sua mente revezava a imagem do rapaz na parada e daquele
garoto de suas lembranças, o rádio tocava outra música, mas, em seus
pensamentos era como se repetisse o refrão da música que embalou aquele
antigo romance. Margarida estava perturbada, agora ela via um farol e
aquele casal antigo subindo no ônibus, Letícia fazia alguma pergunta,
mas, ela não
conseguia entender o sentido das palavras, o sinal fechou, mas,
Margarida só conseguia enxergar a cumplicidade daquele casal e a imagem
daquele rapaz na parada, ela lembrou que naquele dia havia sentado ao
lado de janela e ele havia ficando do lado do corredor, eles conversavam
sobre a vida e tiveram um início de discussão, ela desconversou para
não brigarem, ele apontou para um clube cujo a tia dele frequentava, o
sol havia a incandiado, Margarida via uma luz forte vindo em sua direção
e
pensava que era o sol de suas lembranças, Letícia repetia a mesma
pergunta para Margarida e chamava pelo nome da amiga na tentativa de
chamar sua atenção, Margarida a via mais jovem fechando os olhos devido a
luz solar, a moça via uma luz aproximando-e cada vez mais rápido, nesse
momento ela já havia ultrapassado o segundo sinal vermelho, de repente
ela percebeu que a luz que via aproximar-se não a luz solar de suas
lembranças, mas, o farol de um ônibus estudantil, entretanto, era tarde
demais,
o motorista do ônibus tentou desviar, mas, não conseguiu e o carro de
Margarida bateu de frente com o ônibus.
Pelo celular, Letícia ouviu o barulho do acidente,chamou várias vezes
pelo nome da amiga mas não houve resposta, Margarida estava desmaiada,
um estudante do ônibus ligou para a ambulância e para o corpo de
bombeiros, Letícia ainda tentava falar com a amiga mas, estava
perturbada com o barulho de sirene aproximando-se, dois bombeiros
aproximaram-se do carro e tentaram retirar Margarida pelo vidro
dianteiro, completamente estraçalhado, um terceiro bombeiro procurava
bolsa e documentos da moça
quando ouviu uma voz, após uma procura rápida encontrou um celular um
pouco danificado, mas, que ainda dava para conversar, ele perguntou com
quem falava, se identificou, perguntou o que Letícia era da vítima e a
informou que sua amiga havia sofrido um acidente.
Margarida continuava desacordada. Letícia ficou em estado de choque e
desligou o celular, sem conseguir ouvir para que hospital estavam
levando sua amiga. Os bombeiros colocaram Margarida na ambulância e a
levaram para o hospital público mais próximo. Um dos enfermeiros
vasculhava a bolsa da moça para achar documento e algum número de
telefone para comunicar a família. Um transeunte ligou para rebocarem o
carro da jovem. O enfermeiro tentava achar algo no celular da jovem,
mas, a bateria deste
acabou.
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