sábado, 3 de maio de 2014
Cabo de guerra
Quando entrou para o convento, acreditava que estaria a salvo das tentações da carne... Por
muito tempo esteve realmente, mas sempre que saia na rua pra fazer
caridade era um suplício, quase sempre passava por algum dos seus
antigos clientes... E se as freiras soubessem do seu passado? Sempre foi
dito que não importava o que houve antes de passar por aquele portão,
mas, o que se tornavas após ele... E mesmo sendo a mais fervorosa das
noviças, esquentava a cama com lágrimas ao sonhar com a vida
pregressa... Ela era diferente daquelas que trabalhavam na esquina do
convento, só atendia com hora marcada e geralmente os inexperientes...
Naquele dia, estava voltando do seu trabalho de caridade semanal quando
encontrou uma pessoa que lhe contratou pra um serviço sem se importar
com sua batina, primeiro, ela ficou indignada pela falta de respeito...
Voltou para o convento e foi pensar: se mesmo freira tinha recebido essa
proposta, era porque era seu destino ser daquela vida... Então,
resignada a abraçar o destino a que fora destinada, tirou a batina e na
hora marcada saiu do convento sem olhar pra trás ou para os lados, ao
atravessar a rua, sabia que atravessando aquela rua deixaria para trás
um vida abençoada e voltaria a vida de luxúria, mas, nascera para
aquilo, mesmo relutante por dentro tinha um semblante determinado, mas
ao chegar na metade exata da travessia um carro lhe tirou a vida, no momento derradeiro em que as suas duas vidas brigavam em cabo de guerra...
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