domingo, 25 de janeiro de 2015

A loja de espelhos...

Uma loja de espelhos com fila para entrar. Muitos curiosos entravam na fila para descobrir o motivo do sucesso da loja. O que poderia ter de tão interessante lá? Espelhos são todos iguais e refletem nossa aparência. Nada mais coerente com uma sociedade superficial.
A loja não era como aquelas salas com espelhos diferentes que mostram várias facetas, a pessoa magra, baixa, gorda, magra.
Na loja nem se vendiam espelhos, na verdade. Ninguém saia carregando um espelho para casa.
As pessoas entravam, viam o que tinham que vê e saiam emocionadas, chocadas, ninguém saia igual como entrou ou indiferente ao que foi visto.
Eu sou uma das curiosas que estou na fila. Verdade que estou cansada após quase uma hora de espera, mas, faltam, apenas, dez pessoas.
Estou ansiosa para o que verei, não faço ideia do que me espera.
O dono dessa loja deve ser muito rico, pois, a fila é gigante e ele não cobra para as pessoas entrarem e como ninguém sai com embrulhos, ninguém compra nada lá dentro.
Uma loja em que não se gasta dinheiro. Uma loja de espelhos.
Agora, só falta uma pessoa.
Nem sei se quero entrar mesmo. Estou apreensiva e nervosa, mas, minha curiosidade é maior. Não esperei uma hora para desistir na porta.
Outra coisa estranha é que entra uma pessoa por vez, só acredito que é algo sério, pois, vejo até policiais na fila e a loja não foi interditada.
Minha vez de entrar na loja.
A porta se fecha.
Tudo escuro, apenas, um espelho.
Me vejo como me imaginei durante todos os meus anos de vida.
Me vejo como eu gostaria que eu fosse.
Em cima do espelho, aparece a pergunta: O que falta? O que me prende?
Olho para o dono da loja.
Ele entende minha súplica.
Me abraça. Abre a porta.
Saio da loja aos prantos.

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