Comprara a saia para um evento.
Tantas momentos vividos e ela
ficara marcada por um único.
Deixara de ser pano costurado,
fazia parte da história,
da minha história.
Aquela saia,
aquela blusa,
aquela lingerie,
aquela sandália.
Um a um foi sendo desfeito.
Sobrevivera em fotos
e lembranças.
O sutiã não mais usado.
A blusa visível no quadro.
A calcinha para certos momentos.
A sandália doada.
A saia sempre usada.
Tudo ficara velho como o evento.
A saia permanecera.
Rasgada e costurada.
Se sentia confortável,
vestindo-a.
Não se desfazia da saia,
como não se desfazia das lembranças.
Era uma cicatriz que levava para passear.
A deixava participar de outros eventos,
para regravar nela novas lembranças.
Todo mundo, já vira a saia.
A saia fazia parte dela.
Até que a saia sumiu.
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